(Conforme relatei no artigo anterior, precisávamos buscar o passaporte de um dos integrantes da comitiva na loja da Ouro e Prata, já que ele havia sido colocado no ônibus em Porto Alegre na noite anterior, para que pudéssemos entrar no Uruguai).
Apesar de baleados pela Zillertal* na noite anterior, acordamos relativamente cedo e, logo após o café (que tentou achar espaço nas barrigas ainda ocupadas pela parrillada), saímos para cumprir os compromissos anteriores à entrada no Uruguai: abastecer as motos, localizar o passaporte perdido e passar pela inmigración em Rivera. Depois de muito rodar, conseguimos achar o documento e, já perto das 11h, realizar os trâmites de entrada: oficialmente no Uruguai, nos mandamos pela Ruta 5 com o firme propósito de chegarmos a Montevidéu ainda com a luz do dia.
O bom piso da Ruta 5 e o pouquíssimo trânsito colaboraram para que conseguíssemos chegar bem antes do fim da tarde em Montevidéu: praticamente uma linha reta, ela é pedagiada mas motos não pagam. Pelo caminho, muito cultivo de eucalipto e algumas cabeças de gado: a seca que aparentemente se abateu sobre a região deixou no chão as marcas do que outrora deveriam ser açudes e banhados.
A chegada a Montevidéu pela RN5 impressiona: o antes fraco trânsito dá lugar a pistas lotadas e o campo a perder de vista da calma paisagem é substituído por prédios de todos os tamanhos e idades: tocamos direto para o hotel, onde tomamos um banho para recuperar o corpo do longo período sob o forte sol de janeiro e rumamos a pé, pela Rambla República de Argentina (depois chamada de Rambla Gran Bretaña e por fim Rambla Francia), para o Mercado del Puerto. O fim de tarde estava cinematográfico e, impressionados com a beleza do lugar, nos misturamos aos turistas e moradores da região que caminhavam, andavam de bicicleta, fotografavam e até pescavam por ali.
Na chegada ao Mercado del Puerto, uma mistura de alegria e decepção: a parte interna, onde estão muitos dos bares, lojas e restaurantes, atualmente encerra suas atividades às 17h. Uma pena, já que eu tinha feito uma propaganda enorme do lugar aos que não o conheciam e eu mesmo estava com saudades da parrillada no balcão e de caminhar por entre os corredores calçados com pedras centenárias. Nos aboletamos então em um dos restaurantes da rua e comemos uma bela parrillada regada a Budweiser (eu sei, eu sei: Bud não é exatamente um produto típico da região, mas era o que havia para tomar). Poucas horas depois, voltamos ao hotel para o merecido descanso, pois os esqueletos já apresentavam os sinais dos mais de mil quilômetros percorridos.







Mais fotos no álbum 1000 quilômetros de Brasil, 1000 de Uruguai – Segundo dia (22/01/2009).
*A ótima cerveja Uruguaia Zillertal acabou injustamente apelidada de Zillersal, já que no dia seguinte não havia água que chegasse para seus consumidores (claro: se fosse bebida em menor quantidade não produziria esse resultado). Para falar a verdade, para alguns o problema começou já na madrugada: como as águas minerais que estavam no frigobar congelaram, um integrante da comitiva, desesperado por um gole d’água, pegou aquela congelada mesmo e a tascou na água quente da torneira do banheiro até que pudesse ser bebida.





















Salve.
A chegada em Montevideo é realmente lotada de tráfego, gente aparecendo de cada buraco etc. Uma coisa horrível, na minha opinião. E cheia de semáforos. Mas ainda assim melhor que a BR-116 na altura de Canoas.
Nossa, que GPS dedo-duro: informa até o tempo parado, hohohoho… Mas é muita frescura! Que eletronismo. Se bem que, se o sujeito esquece o passaporte pra uma viagem internacional, alguma precaução realmente deve ser tomada.
Abrazon
EL GDM
GDM!
E nem sabes que, além do GPS, levamos vários mapas impressos… Vai saber o que se passa com esses eletrônicos no estrangeiro…
Abraço!
Meu caro Pirex, por acaso seu amigo esquecido não tinha o documento de identidade? O famoso RG? O Uruguai faz parte do Mercosul e não é necessário o passaporte, basta o RG recente (no maximo com 6 anos da data de emissão) e que o titular esteja com a mesma aparência da foto. Eu já morei em Foz do Iguaçu e sempre atravassei para a Argentina (Puerto Iguazu) apenas com o RG.
No mais, parabéns pela viagem e pelos belos relatos. Pretendo em breve seguir esse roteiro.
Sérgio, acreditas que o nosso amigo esqueceu o RG e o passaporte? Pois é… Para não dizer (parafraseando o poeta) que o cidadão andava sem lenço e sem documento, a carteira funcional – que só vale em território nacional – estava com ele.
Se quiseres conversar sobre esta viagem quando fores fazer a tua, estou às ordens: é só entrar em contato.
Abraço!
Caramba, aconteceu a mesma coisa com meu pai. Ele é servidor aposentado e foi me visitar em Foz quando eu morava lá, também só levou a funcional e não pode comer um belo bife de chorizo em Puerto Iguazu. Abraço
Pois é, Sérgio… O caso foi exatamente igual ao do teu pai – mas, para nossa sorte, um colega de trabalho fez a gentileza de ir até a casa do esquecido, pegar os documentos e enviá-los por um ônibus de linha para que, no outro dia, pudéssemos todos entrar no Uruguai.
O preço da gentileza aparece na primeira foto: junto com os documentos, veio uma bandeira do Internacional e fizemos com que o esquecido, gremista até debaixo d’água, posasse segurando-a.
Grande abraço!