(No final do ano passado, convidei 4 colegas de trabalho – Landão, Russo, André e César – para uma motocada curta, de 4 dias, rodando 1000 quilômetros pelo Brasil e 1000 pelo Uruguai: no roteiro, as cidades mais relevantes de cada região – compras em Rivera, gastronomia em Montevidéu, turismo em Punta del Este, mais compras em Rio Branco – e a certeza que o planejamento poderia mudar de acordo com a situação, pois estaríamos de férias e compromissos rígidos só no resto do ano.)
A noite da terça-feira foi insone, já que no dia seguinte eu partiria para uma bela viagem que havia sido aguardada por várias semanas, tempo em que discutimos os roteiros, reservamos hotéis, colocamos mapas no GPS e tudo mais que está envolvido em uma viagem como essa – afinal, é preciso carregar os equipamentos imprescindíveis (capa de chuva, ferramentas, material de higiene, etc) e o mínimo necessário de roupas: no meu caso, tudo isso e o que fosse comprado pelo caminho deveria caber em um baú de 45 litros, o que obviamente não aconteceu.
No dia seguinte, quarta-feira, eu já esperava os companheiros de viagem às 7h em um posto de gasolina na saída de Porto Alegre: eles foram chegando aos poucos (usando os 30 minutos de tolerância que havíamos combinado) e pouco antes das 8h estávamos rodando pela BR-290 rumo a Rosário do Sul, onde almoçaríamos. Até lá, apenas um incidente (o único de toda a viagem) digno de nota: o motorista de uma picape forçou a ultrapassagem em frente a um posto de gasolina e deu de cara com um carro que saía (as faixas contínuas não estão pintadas naquele trecho da estrada por acaso); como a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, a volta do motorista à sua pista fez com que um dos nossos precisasse sair dali às pressas.
Em Rosário do Sul, onde cada um de nós investiu R$ 5 – já contando a bebida – no almoço, discutimos sobre o andamento da viagem até ali e logo estávamos novamente na estrada, agora rumo a Santana do Livramento, fronteira do Brasil com o Uruguai, onde passaríamos a noite: chegamos ao nosso primeiro destino antes do final da tarde. Depois de abandonarmos as tralhas no hotel, atravessamos a fronteira a pé e fomos até a rua principal de Rivera, onde estão os free-shops e restaurantes, avaliar o que a cidade tinha a oferecer.
Comprados os regalos, nos sentamos à mesa de um restaurante para o devido relaxamento: depois de algumas garrafas de Zillertal geladíssimas, um dos integrantes do bonde nos deu a má notícia: havia esquecido o passaporte no Brasil e, sem ele, não poderia entrar no Uruguai. Depois de muita análise, decidimos que um colega de trabalho resgataria o documento na casa do esquecido e o enviaria por um ônibus que faz a linha Porto Alegre – Santana do Livramento: com isso, pela manhã, poderíamos seguir viagem.
Problemas resolvidos, adquirimos as cartas-verde (R$ 66 por cabeça para 3 dias no Uruguai) e seguimos sentados no mesmo bar – mas agora beneficiados, além da Zillertal já citada, por uma bela parrillada. Muito tempo e muitas risadas depois, nos dirigimos de volta ao hotel com uma parada na sorveteria para atender aos repetidos pedidos – talvez imaginando que poderiam reverter a hipoglicemia provocada pela cerveja – de dois companheiros.




Mais fotos no álbum 1000 quilômetros de Brasil, 1000 de Uruguai – Primeiro dia (21/01/2009).