Aconteceu ontem, trazida na mala de garupa deste doismilenove que há pouco se apresentou, a primeira Quinta Gaudéria do ano – e em grande estilo: depois de muitos meses de negociação, finalmente o Ogro abriu as portas da sua nova casa para a revista Caras um bando de malacabados pisarem na grama, comerem tudo o que encontraram pela frente, sujarem o tapete da sala e ainda saírem reclamando.
A previsão do tempo, desde a manhã, já avisava que a chuva estava por perto e que no final do dia daria as caras; como ninguém é de açúcar, mantivemos os planos e sequer uma capa de chuva peguei (erro de principiante): no final do dia, conforme combinado, nos reunimos (eu, Diabolin e Landão) na saída de Porto Alegre para mais adiante encontrarmos o Avélinho em um posto de gasolina às margens da BR116. Dali para diante, seguimos naquele balé hipnótico de um bonde na estrada – sempre bonito, mesmo com uma pequena quantidade de motos – até a casa do Ogro, onde o próprio nos esperava.
Carne no fogo, cerveja gelada, muito papo… E veio a chuva. Pesada. Incessante. Mas seguimos o baile: durante algumas horas, ficamos ali, ao redor da churrasqueira, colocando e conversa em dia e torcendo para a chuva pelo menos diminuir. Nada. Então tá: simbora assim mesmo.
Os dois senhores do bonde, devidamente paramentados com suas capas de chuva, se divertiam às nossas custas: pior que eu só o Landão de mangas curtas – mas que foram devidamente cobertas com uma jaqueta surrupiada do armário do anfitrião. A mim, que estava de jaqueta de couro, restou proteger a câmera com um saco plástico (que só serviu para empoçar água) e pegar a estrada; foram cerca de 60km debaixo de uma quantidade considerável de chuva (aumentada pela falta dos equipamentos corretos) e o previsível aconteceu: cheguei em casa com mais água acumulada que uma piscina infantil. Ainda assim, com tudo isso, o bonde que me hipnotizou na ida fez o mesmo na volta: o reflexo das sinaleiras e cromados das motos dos meus companheiros serpenteando na chuva intensa pela BR-116 era uma cena de cinema.
No final das contas, tudo certo: mais uma bela Quinta Gaudéria – a primeira de muitas neste 2009.


