Honda CBR 600RR


Com design “inspirado nas asas dos aviões e nos carros de Fórmula 1″ (para usar as palavras do próprio fabricante), a CBR 600RR – que possui três opções de grafismo na versão 2008 nas cores branca, preta ou vermelha – é uma moto de linhas elegantes, modernas e agressivas: se vista de frente, chama a atenção do observador a suspensão upside-down, as linhas angulosas do farol e a entrada de ar frontal; de lado, a balança de alumínio (revestida de magnésio, com múltiplas regulagens) é um dos itens que mais se destaca.

Equipada com um motor de 599 cc e transmissão de 6 velocidades, esta RR faz jus ao sufixo e entrega 120 cv a 13.500 rpm e 6,73 kgf/m a 11.000 rpm: toda esta potência e torque são despejados em um pneu 180/55-17, o que faz com que o 120/70-17 da dianteira saia do chão com facilidade (para ajudar o piloto a controlar essa fera, esta CBR possui um amortecedor de direção eletrônico batizado pela Honda de HESD – Honda Electronic Steering Damper). A seco, ela pesa 155 kg, o assento (não espere nada confortável: a proposta não é essa) está a 827 mm do solo e em seu tanque de combustível cabem 18 litros (com a injeção eletrônica que equipa este modelo, o consumo fica na faixa de 11~15 km/l). Assim como outras motos da Honda, a 600RR vem equipada com o HISS (Honda Ignition Security System), um chip eletrônico identifica a chave de ignição e permite que o piloto dê partida no motor.

Motivo de acaloradas discussões no meio motociclístico, o escapamento centre-up possui fortes argumentos a seu favor: maior penetração aerodinâmica, melhor distribuição das massas, maior ângulo de inclinação nas curvas… Ainda assim, há uma pequena resistência por parte de alguns proprietários à esta inovação: segundo eles, o escape contribui muito para a beleza da moto e embaixo do banco ele desaparece; além disso, a quantidade de ponteiras centre-up existentes no mercado é pequena se comparada às laterais. Infelizmente para quem compartilha desta opinião, na versão 2009 da 600RR (que ainda não chegou oficialmente ao Brasil) o escape segue no mesmo local.

A RR 2008 abaixo é do Felipe e, conforme já comentei em outro artigo, dá gosto de vê-lo pilotando: frequentador de autódromos, esse cara pilota com a técnica de quem sabe o que está fazendo; sempre que posso, como foi o caso da ida a Caxias do Sul para o McHOL Dia Feliz 2008, tento andar por perto para aprender alguma coisa. É ele quem me confirma as expectativas de consumo da Honda e informa ainda que já conseguiu média de 18 km/l rodando até 110 km/h, mas na pista nunca mais que 9 km/l.

Mais  informações:

CBR 600 RR do Felipe

CBR 600 RR do Felipe

Origens da atração


Não me pergunte: não sei dizer de onde vem essa atração pelo universo das duas rodas que carrego comigo há muitos anos. Talvez venha da minha visão infantil das bicicletas enormes (pelo menos na minha ótica àquela época) do meu pai, dos muitos episódios de CHiPs e Street Hawk (“Moto Laser” no Brasil) assistidos ou não tem explicação mesmo. Tenho um conhecido que sempre diz “somos todos extra-terrestres e usamos as motos para identificar uns aos outros; por isso também fazemos amizade imediatamente quando encontramos outro motociclista e, após alguns minutos de conversa, parece que o conhecemos há anos”. Vá saber.

O certo é que, em 1993, depois de passar algum tempo com uma Honda XL250 1983 emprestada, fiz um financiamento a perder de vista e comprei, por US$ 2.000, uma Agrale Explorer 27.5 1991: do alto da minha inexperiência, 275 cc naquela bela moto preta com aros de alumínio dourados parecia bom.

Parecia.

Depois de tudo acertado, fui até a loja buscar a máquina que transportaria para a vida real todo o meu imaginário construído ao longo de muitos anos – mas tive a minha primeira surpresa quando pedi as chaves: “essa moto não tem chave, magrão”, foi o que me respondeu o vendedor. Ali, tive a minha primeira lição: não seja afobado e primeiro vá aprender sobre o que estás comprando. Sem perder o embalo, respondi um “claro, claro”, subi na pretona e me mandei a la cria. Chegando em casa, peguei os documentos e só então fui checar se tudo estava nos conformes – e claro que não estava: em primeiro lugar, a Explorer tem 200 cc e não 275 cc como o seu nome comercial pode sugerir; em segundo, o motor havia sido substituído e precisei me responsabilizar (junto ao Detran) pela sua origem.

E não era só isso.

Essa moto tinha um curioso problema: ao engatar a primeira marcha, mesmo com a embreagem acionada, o motor apagava e só depois de esquentá-lo ela funcionava corretamente. A forma de contornar esse problema – e quem me ensinou foi um mecânico da marca – era ligá-la, empurrá-la, pular sobre ela, engatar a segunda marcha para sair rodando e acionar a embreagem várias vezes até que fosse possível ouvir aquele som de motor girando solto (como se, ao trocar de marcha, nenhuma entrasse e o acelerador fosse acionado). Em geral esse processo durava uma ou duas quadras, dependendo da época do ano, e deveria ser engraçadíssimo – menos para mim, claro.

Além dessas características – não chame de defeitos! -, a Explorer não tinha autolube (para os que não foram usuários de motores 2 tempos, explico: esse equipamento faz a mistura de óleo ao combustível automaticamente) e, a cada abastecimento, eu tirava um recipiente de óleo debaixo do banco, calculava quanto era necessário colocar no tanque de acordo com os litros de gasolina abastecidos e – voilà! – já estava pronto para alguns quilômetros mais.

Na verdade, fui muito feliz com essa moto porque me adaptei às suas características (como o constante cheiro de óleo 2T nas roupas) e corrigi o que podia (instalei uma chave para evitar que alguém a levasse enquanto eu estava longe). De qualquer maneira, foi assim que começou realmente a minha experiência concreta – antes disso ela se resumia a revistas e seriados – no mundo das motos e, até hoje, me vejo correndo ao lado daquela moto preta com aros dourados pelas ruas da minha memória.

Financiamento da Agrale 27.5

Ainda a viagem ao Uruguai: vídeo e mais fotos


Vale a pena ver de novo: meus companheiros de viagem ao Uruguai (sobre a qual escrevi artigos detalhando o primeirosegundoterceiro quarto dias) publicaram na internet as fotos tiradas com suas câmeras. Aproveito o ensejo para publicar um vídeo com os melhores momentos dos 1000 km do trecho Uruguaio da motocada. Veja lá:

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