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Arquivo de maio, 2009

Sábado Gaudério (30/05/2009)

30, maio, 2009 Piréx 8 comentários

Justiça seja feita: eu dificilmente sairia de moto com o tempo chuvoso deste sábado. Apesar disso, dois valentes representantes da categoria compareceram ao encontro semanal da Facção Sul (e convidados) da Lista Shadow 600 pilotando suas máquinas (sobre as quais já escrevi aqui no blog: a “Regina”, uma Honda VT600C Shadow e a “Flecha Prateada”, uma Yamaha Drag Star XVS 650). A motocada na chuva, entretanto, rendeu a cena curiosa que aparece na primeira foto: a churrasqueira assumiu também o papel de secadora de sapatos.

Nos últimos meses, o encontro da trupe (que religiosamente acontece às quintas-feiras, eventualmente às terças e raramente aos sábados – ok, não é tão religiosamente assim) esteve desprestigiado em função da atribulada vida profissional da maioria dos participantes; hoje, reunidos ao redor da boca da churrasqueira, conversas pendentes há várias semanas vieram à mesa. Os assuntos, como de costume, variaram desde política até uma potencial viagem a Ushuaia, na Argentina, que já tem dois integrantes confirmados (e com local de hospedagem definido, pelo que entendi).

Gracias, paisanos: foi ótimo recebê-los no meu rancho. Voltem sempre.

Churrasqueira e sapateira

Foto oficial

(N. do E.: sendo este o centésimo artigo do Diário de Bordo – já se passaram 3 anos desde o post sobre o 9º Mar & Motos em abril de 2006 -, aproveito-o para agradecer aos amigos leitores por toda audiência, paciência e colaboração. Muito obrigado!)

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Divulgação de encontros de motociclismo

23, maio, 2009 Piréx 2 comentários

Quando a Internet não tinha o alcance que tem hoje, os organizadores não contavam com as facilidades de um website ou dos e-mails para a divulgação de seus encontros de motociclismo; no lugar dessas modernidades, um impresso (em papel couché) era enviado pelo correio aos potenciais interessados: de um lado ficava o cartaz do evento e do outro as informações (distâncias, hotéis, atrações, etc) sobre a festa.

No momento em que se cadastravam para adquirir o pacote – normalmente, camiseta, comida e festa – de um evento, os motociclistas passavam a constar no banco de dados dos destinatários dos folders de divulgação e, dali em diante, os recebiam em sua caixa postal (a real, não a virtual): via de regra, os cartazes acabavam afixados nas paredes dos motoclubes, dando mais visibilidade ainda ao encontro.

Para ajudar a preservar a memória deste curto período, seguem abaixo alguns exemplos da criativa solução que durante muito tempo ajudou a divulgar os encontros de motociclismo e as cidades que os sediaram (em muitos casos, sediam até hoje: se no começo eram mal vistos até pelo comércio, atualmente os encontros são uma injeção de dinheiro indispensável no orçamento das cidades).

III Motomix - Criciúma (SC) - 1999

1º Moto Ilha - São Francisco do Sul (SC) - 1999

Terceiro Moto Rincão - Içara (SC) - 2000

Segundo Moto Videira - Videira (SC) - 2000

Primeiro Moto Crazy - Chapecó (SC) - 2000

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A primeira Citizen Band

16, maio, 2009 Piréx 4 comentários

Já fazia um bom tempo que eu possuía somente motos com propulsores 2 tempos: foram 4 no total (uma Agrale Explorer 27.5 e três Yamaha RD 350) em um curto intervalo de tempo. Fã do comportamento explosivo desses motores – especialmente nas RDs por conta do YPVS -, demorei um tempo para aceitar as vantagens de um 4 tempos e quando aconteceu não foi de uma maneira agradável.

Senão vejamos.

Na volta do I Motomix, estávamos todos com pressa de chegar em casa; rodando em uma estrada de pista dupla, vínhamos bastante acima da velocidade permitida (eu não me orgulho e não recomendo que ninguém faça isso) quando avistamos um caminhão andando sem pressa na nossa pista. Um a um, todos ultrapassaram os pesados veículos quando, justo na minha vez, o caminhão passou para a pista da esquerda e o motivo era simples: havia outro à sua frente. Para mim, com as pistas fechadas de caminhões, restou um pequeno trecho de asfalto na beira do canteiro – e por ali passei, já que a minha RD 350, fazendo jus ao apelido de Viúva Negra, tinha muito mais motor do que freio e nenhum freio motor.

Algumas semanas se passaram desde o incidente com os caminhões até que fiquei sabendo de uma CBR 450SR ano 1991 à venda na cidade de Tramandaí (RS): motor 4 tempos (agora sim: freio motor!), 447 cc, 56,5 cv a 8.500 rpm… E a correria começou: ajeita papel daqui, vende a RD dali e me fui a Tramandaí buscar a minha primeira Citizen Band. Já na chegada, a primeira surpresa: ela não era branca e vermelha como as que eu conhecia… Era grená (apesar de constar azul como cor predominante no documento). Mas eu estava ali, já sem a minha RD 350, louco para trocar de moto e se não tem tu, vai tu mesmo: saí da loja embarcado na minha CBR grená e imaginando o que faria com aquela pintura.

Não bastasse a minha cabeça estar pensando unicamente em como personalizar a pintura da recém-adquirida CBR, os primeiros quilômetros com uma moto com a qual não estamos habituados sempre devem ser cheios de cautela – o que obviamente não aconteceu. Na saída da cidade de Tramandaí existe uma curva (que de tão suave talvez nem possa ser chamada assim) com as pistas separadas por “tartarugas”: mal-acustumado ao motor 4 tempos e sem ter sido apresentado ao contraesterço e muito menos ao pêndulo, quando a moto começou a abrir na curva não me restou mais nada além de me segurar firme para não ser catapultado ao passar sobre os obstáculos (alguém deve ter se divertido ao ver aquele magricelo pulando sobre os cocorutos da pista com uma moto, mas eu não achei nem um pouco engraçado e até parei logo em frente para ver se tinha amassado um aro ou algo assim: sem detectar nada quebrado e passado o susto, segui adiante).

No final de semana seguinte, animado com o brinquedo novo e sem ter ao menos revisado a moto (o que poderia dar errado?), fui ao aniversário do Gramado Moto Clube. Como eu trabalhava no sábado pela manhã, não pude ir junto com meus amigos; no sábado à tarde, então, acelerei a CBR até Santo Antônio da Patrulha, onde parei para decidir qual caminho seguir: ir pelo mais curto (a estrada de chão batido conhecida como Taquaral, mais ou menos onde hoje existe a asfaltada RS-474) ou pelo mais longo (RS-030 e depois RS-020) até Taquara? Pelo caminho mais curto, claro. Chegando em Gramado, fui até onde estavam meus amigos e, ato contínuo à minha chegada, todos ficaram surpresos – não pela chegada em si, mas pelo estado: na pressa de chegar e rodando por uma estrada de chão batido, perdi a sinaleira traseira, a placa, seu suporte e os piscas.

Passadas algumas semanas, remontei a parte perdida da motoca e coloquei em prática a idéia que me acompanhava há muitos quilômetros: levei uma foto da recém-lançada CBR600F preta e prata ao meu mecânico e ele se encarregou de deixar a 450 com cara de 600. Com o progresso do trabalho, fomos tendo algumas surpresas desagradáveis (como a parte inferior do tanque bastante corroída, o que nos obrigou a fazer um remendo com estanho) que alongaram bastante o prazo de conclusão do trabalho.

Depois de muita luta, nasceu a única CBR 450SR preta e prata que conheci: durante algumas centenas de quilômetros ela me acompanhou pelas estradas do RS e de SC, mas aí encontrei uma 4 cilindros em linha que me balançou… Outro dia eu conto essa história.

CBR 450 SR 1991

Doc da CBR 450 SR

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Pelotas, a Capital Nacional do Doce (08/05/2009)

9, maio, 2009 Piréx Sem comentários

Rota: Porto Alegre/Guaíba/Camaquã/Pelotas/Camaquã/Guaíba/Porto Alegre

Distância percorrida: 520 km

Satolep
Noite
No meio de uma guerra civil
O luar na janela
Não deixava a baronesa dormir
A voz da voz de Caruso
Ecoava no teatro vazio
Aqui nessa hora é que ele nasceu
Segundo o que contaram pra mim

Joquim, versão de Vitor Ramil* para a música Joey (Levy/Dylan)

Duzentos e cinquenta quilômetros separam, via BR-116 (além de um pequeno trecho de BR-290), Porto Alegre de Pelotas, cidade localizada na metade sul do Rio Grande do Sul. Como este é o caminho das mercadorias que chegam ou saem através do porto de Rio Grande, é preciso redobrar os cuidados: na volta do 11º Moto Lagoa, fui convidado a conhecer o acostamento por um caminhão que vinha em sentido contrário na minha pista. Curiosamente, fui convidado novamente – desta vez por um ônibus, que gentilmente deu sinal de luz – a visitar meu velho amigo acostamento na volta de Pelotas.

Erguida às margens do Canal São Gonçalo (que liga as lagoas dos Patos e Mirim), Pelotas é uma das maiores cidades do Rio Grande do Sul – com mais de 300 mil habitantes – e teve papel destacado na história do estado em função da produção de charque, produto que gerou riqueza em meados do século XVIII. A arquitetura da cidade, com clara influência portuguesa (por conta de sua colonização), também foi favorecida pelos recursos abundantes que as charqueadas movimentavam. Atualmente, a economia da cidade está baseada no agronegócio e no comércio.

A imagem da Pelotas que eu tinha na memória era de uma cidade muito grande, cosmopolita, de prédios imponentes e rebuscados: ainda criança, morei naquela região e me deslocava para lá com meus pais para fazer compras ou simplesmente passear. De volta à cidade, visitei lugares conhecidos (como o Chafariz do Calçadão, ponto obrigatório de parada da minha família no início da década de 1980) e confirmei minhas expectativas sobre a beleza da Freguesia de São Francisco de Paula. Convém lembrar que Pelotas é a Capital Nacional do Doce: passando por lá, não esqueça de visitar uma (ou várias) das muitas confeitarias da cidade.

Mais informações:

Mapa Porto Alegre/Pelotas

Chafariz do Calçadão

Fachada da Escola Eliseu Maciel

Catedral do Redentor (Igreja Cabeluda)

Mercado Público de Pelotas

Biblioteca Municipal de Pelotas

Prefeitura Municipal de Pelotas

Mais fotos no álbum Pelotas.

*Citação do site do Vitor Ramil: “Na passagem dos anos 80 para os 90, Vitor afastou-se dos estúdios e passou a dedicar-se ao palco, pois quase não fizera shows até então. Foi quando nasceu o personagem Barão de Satolep, um nobre pelotense pálido e corcunda, alter-ego do artista.”

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12º Mar & Motos (01/05/2009)

2, maio, 2009 Piréx 15 comentários

Rota: Porto Alegre/Osório/Tramandaí/Osório/Porto Alegre

Distância percorrida: 220 km

Ainda lembro em detalhes da primeira edição do Mar & Motos – e olhe que já se passou mais de uma década. Com a experiência acumulada ao longo dos anos, o evento realizado na praia de Tramandaí (RS) chega à sua décima segunda edição cheio de atrações – feira, shows musicais, de acrobacias e (talvez a melhor de todas) a grande festa que se transforma a Av. Emancipação – e se afirma como um dos mais importantes do calendário motociclístico do Rio Grande do Sul.

Boas estradas (BR-290 e RS-030) e alguns postos de pedágio (dois na ida e um na volta) separam a capital dos gaúchos da turística Tramandaí, a Capital das Praias: localizada na região que era conhecida no século XVIII como Paragem das Conchas, a cidade participou de um importante capítulo da Guerra dos Farrapos (para tentar conquistar Laguna (SC), Giuseppe Garibaldi trouxe, puxados por bois, os barcos Seival e Farroupilha da Lagoa dos Patos).

A organização do Mar & Motos, a cargo do motoclube Asas da Liberdade, merece ser parabenizada: além de muitos seguranças espalhados pela área do evento, uma placa “Zoeira? Tô fora!” e chamadas no microfone alertavam os participantes para o caráter da festa: nada de queimar pneu ou tirar o motor de giro no meio do público.

Mais informações:

Cartaz do primeiro e do décimo-segundo Mar & Motos

Visão geral da Av. Emancipação

Honda Shadow 750 customizada

Escolinha de trânsito da Brigada Militar

Yamaha FZR 1000 Genesis

Painel da Kawasaki Voyager XII

Amazonas 1600

Kahena 1600

Mais fotos no álbum 12º Mar & Motos.