GPS na moto: sim ou não?


Já faz um par de anos que me acompanha nas minhas viagens, a despeito da opinião dos meus próprios companheiros de estrada, um GPS1. Como esse é um assunto controverso, enumero aqui as opiniões de ambos, defensor e detratores, para que o leitor tire suas próprias conclusões e se torne mais um usuário (ou não) deste equipamento.

Comecemos do começo com a ajuda da Wikipedia:

O Sistema de Posicionamento Global, popularmente conhecido por GPS  (do acrônimo do original inglês Global Positioning System), conforme o nome diz, é um sistema de informação eletrônico que inclui um conjunto de satélites e fornece via rádio a um aparelho receptor móvel sua posição com referência às coordenadas terrestres.

Simples assim. Com base em 4 dos 28 satélites controlados pelo Departamento de Defesa dos EUA, um receptor pode posicionar-se em qualquer ponto da terra e, usando mapas da região, navegar até um determinado destino. Durante essa navegação, o usuário pode consultar o tempo estimado para a chegada, a média de velocidade, quanto tempo rodou ou ficou parado e tantas outras informações quantas o aparelho em uso disponibilize.

Para que lado é Santa Fe mesmo?

Como o objetivo aqui é tão somente discutir as questões práticas que envolvem o uso do GPS para mototurismo, vou me ater aos comentários que os meus iguais – detratores do bendito aparelho – fizeram durante as nossas últimas duas viagens (em janeiro de 2009 e em março de 2010). Vejamos.

1. Qual é o melhor GPS?

Essa é a pergunta que todos os potenciais proprietários de GPS fazem quando decidem pela aquisição de um e ironicamente, ao contrário da simplicidade da pergunta, a resposta é complexa. No meu caso, entretanto, a escolha foi um pouco mais fácil: eu precisava de um aparelho que aguentasse a vibração da moto, fosse à prova d’água e tivesse uma boa antena para recepção do sinal. Dois aparelhos da Garmin atenderam aos requisitos (o 60 CSx e o Zumo 550) e decidi exclusivamente em função do custo, me tornando mais um feliz proprietário de um GPS Garmin série 60.

2. Mas não posso usar um iPhone/Mio/N95/etc?

Não faço ideia. Talvez. Como eu disse antes, meus requisitos eram muito específicos e, para completar, alguns amigos já utilizavam com sucesso ambos os modelos (60 CSx e Zumo 550), o que para mim foi fundamental para escolher qual aparelho comprar.

3. E como funciona esse Garmin 60 CSx?

Meu procedimento é o seguinte: quando vou viajar, rabisco mentalmente uma rota inicial e, depois de decidir por onde passar (ou não), entro em contato com os conhecidos para saber quais são as melhores estradas da região; decidido o caminho, utilizo o software MapSource para traçar a rota e a carrego no GPS. Eu separo os trechos da rota por dia (para ter um controle diário da distância percorrida, velocidade média, tempo rodando, etc), não carrego mapas ou pontos de interesse desnecessários (em geral, postos de combustível, hotéis e pontos turísticos são suficientes) e utilizo mapas do Projeto TrackSource e do Proyecto Mapear.

Rota Montevideo/Chuy na tela do MapSource

4. Os mapas são grátis?

Os mapas estão disponíveis para download sem custo algum porque uma comunidade se reuniu em torno desses projetos e os construiu de forma colaborativa. Existem muitas formas de dar suporte a estas iniciativas, mas as duas principais são a colaboração (torne-se o responsável pelo mapa da sua cidade e/ou outras, se for possível) e a doação em dinheiro. Existem os mapas pagos, claro, mas os do Brasil, únicos que tive acesso, são de péssima qualidade.

5. Como vou saber se um mapa é fiel à realidade?

Não vai. Como todo trabalho colaborativo, uns dependem dos outros e se há alguma incoerência, basta relatá-la ao responsável pelo mapa para que ele faça a correção (só para citar um exemplo, fiz isso há algum tempo, quando uma nova alça de acesso foi finalizada em uma cidade por onde passei, e funcionou muito bem: em alguns dias a rota correta já estava disponível para download). Na realidade, a grande maioria dos mapas que já utilizei estava bastante fiel à realidade e não tive problemas para chegar no hotel em cidades como Buenos Aires e Florianópolis.

6. Do que reclamam os tais detratores?

Quando as rotas são traçadas, levam em consideração vários fatores (mão e contramão, caminho mais rápido, caminho mais curto, etc) que podem mudar sem aviso prévio: depois de chegar na porta do hotel de uma cidade de 500 mil habitantes como Santa Fe, na Argentina, é muito fácil para os maledicentes dizerem que poderíamos ter entrado uma quadra antes. É bem verdade que o GPS nos mandou entrar na contramão em Montevideo na viagem de 2009, mas esse é o típico caso de uma mudança no trânsito que não foi acompanhada pelo mapa disponível e bastaram algumas buzinadas enfurecidas para que nos déssemos conta.

Pontos de interesse no centro de Buenos Aires

7. Mesmo à noite a visibilidade do GPS é boa?

Somente com a iluminação (que possui dois níveis de intensidade no 60 GSx) do aparelho ligada – e isso naturalmente vai consumir mais pilhas mas pode ser resolvido com a utilização de um eliminador, já que muitas motos saem de fábrica com um adaptador 12V no painel (eu não saberia dizer quantas horas duram as pilhas – um par, AA – com o uso contínuo da iluminação, mas sem ela a durabilidade das minhas Sony 2100 mAh é de cerca de 12 horas).

8. Onde deve ser feita a fixação do aparelho na moto?

Eu utilizo o GPS preso ao guidão da moto de forma a não prejudicar a visibilidade do painel ou a movimentação da chave de ignição; por outro lado, é possível fixá-lo em outros lugares, já que ele utiliza uma braçadeira plástica com uma lâmina de borracha em seu interior.

9. Mas se o suporte é para moto, como faço para usá-lo no carro?

Além do suporte para o guidão, existe um com ventosa para ser fixado no para-brisa do carro. Eu possuo um e o utilizo eventualmente, mas o 60 CSx não é o melhor GPS para ser utilizado em um carro principalmente por conta das dimensões de sua tela e de não possuir comando de voz.

Entre  Porto Alegre e Florianópolis sempre tem uma tranqueira

10. Onde posso saber mais sobre este assunto?

Eu gosto bastante do fórum associado ao Projeto TrackSource: foi lá que aprendi o pouco que sei e a maioria das dúvidas e problemas já foi enfrentada por algum outro proprietário. Além disso, existe uma área de classificados onde se pode comprar um bom equipamento por um preço mais amigável.

Boas estradas!

1 O termo GPS, apesar de eventualmente se referir a um aparelho que apenas indica a posição do usuário, é utilizado neste texto como sinônimo de navegador, equipamento que aponta uma rota a ser seguida.

China Rica na Quinta Gaudéria (25/03/2010)


A Quinta Gaudéria é, sem sombra de dúvidas, um evento esquizofrênico: apesar de seu nome, já aconteceu em uma terça, em um sábado, esteve associada a um evento esportivo e agora, inaugurando uma nova linha editorial deste blog, serve de laboratório para experiências gastronômicas com pratos da culinária gaúcha.

Na noite de ontem, um seleto grupo de motoqueiros (ou motociclistas, como queiram) se fez presente no salão de festas do meu prédio para tomar um vinho – já que o verão oficialmente acabou – e experimentar um Arroz de China Rica, iguaria recorrente nas minhas apresentações ao fogão.

Reza  a lenda que, durante a Revolução Farroupilha, as chinas1 não tinham muito o que servir nas refeições e o arroz com linguiça, prato saboroso e de baixo custo, se tornou uma solução frequente para matar a fome da gauchada – daí a denominação Arroz de China Pobre.

Como o nobre leitor já deve ter percebido, o prato servido na QG foi uma corruptela do original, já que leva outros ingredientes além do arroz e da linguiça e por este motivo teve seu nome alterado para Arroz de China Rica. Para que você mesmo possa reproduzir em casa e tirar suas próprias conclusões, segue a receita para seis pessoas.

Ingredientes

  • 4 xícaras de arroz branco
  • 1 kg de linguiça (1/3 apimentada)
  • 2 cebolas grandes
  • 2 tomates
  • 100 g de azeitonas
  • 100 g de champignon
  • Meio copo de vinho tinto
  • Alho a gosto
  • Uma panela de ferro

Para tudo: panela de ferro é ingrediente?

Sim, é. Além das questões de saúde (está comprovado que o cozimento dos alimentos em panelas de ferro ajuda a combater a desnutrição), o resultado – que até pode agradar alguns paladares – é bem diferente se o Arroz de China for feito em uma panela de inox, por exemplo.

Modo de preparar

Frite a linguiça com o alho durante alguns minutos mexendo sem parar e, se achar adequado, retire o excesso de gordura que ficou depositado na panela; adicione a cebola e, logo em seguida, o tomate (ou massa de tomate), a azeitona, o champignon e o vinho. Em fogo baixo, deixe que os ingredientes cozinhem. Quando isso acontecer, adicione o arroz, misture bem e cubra com água: mantenha a panela fechada, o fogo baixo e espere até que reste pouca água na panela (não deixe secar completamente, pois o calor da panela de ferro continuará agindo por muito tempo, o que pode resultar na queima do arroz do fundo – o que não é de todo ruim se bem dosado). Na hora de servir, além de um bom vinho e pimentas variadas, ovo cozido picado e queijo ralado são bons acompanhamentos.

Bom proveito!

O começo: a linguiça

Tudo na panela

Acompanhamento do arroz de china

Pronto!

A hora da boia

Fim de festa

1 Definição genérica para companheira no Rio Grande do Sul.

Suzuki Boulevard M800 2011


Apesar de 2010 mal ter começado, a Suzuki Motos do Brasil saltou na frente e lançou a versão 2011 da Boulevard M800, modelo que teve 1.214 unidades emplacadas no ano de 2009 (1.373 em 2008 e 1.127 em 2007) e ficou com a terceira colocação na categoria custom no ranking da FENABRAVE (à sua frente, Dafra Kansas 150 em primeiro lugar e Honda Shadow 750 em segundo).

Seguindo à risca a fórmula que a consagrou entre os apreciadores do estilo, a M800 possui um motor v-twin a 45° de exatos 805 cc com injeção eletrônica e cinco velocidades que gera 53 cv a 6.000 rpm e 7,04 kgf/m a 4.000 rpm, suspensão dianteira invertida, transmissão final por cardã, tanque de 15,5 litros, pneus 130/90-16 na dianteira e 170/80-15 na traseira, 265 kg em ordem de marcha e assento posicionado a 700 mm do solo.

A capa do filtro de ar e a disponibilidade das cores preta/laranja e preta/branca são as únicas alterações divulgadas na nova Buleva. Segue disponível para o modelo 2011 a cor preta, a preferida dos proprietários de motos custom, com preço sugerido de R$ 32.900 (contra R$ 33.900 das demais).

Suzuki Boulevard M800 2011 - Preta

Suzuki Boulevard M800 2011 - Preta e laranja

Suzuki Boulevard M800 2011 - Preta e branca

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