Churrasco e bom chimarrão: é Sábado Gaudério! (29/05/2010)


Em meados da década de 1980, Berenice Azambuja profetizou:

Churrasco e bom chimarrão,
fandango, trago e mulher
É disso que o velho gosta
é isso que o velho quer

Confirmando as palavras da cantora porto-alegrense (que teve como inspiração o próprio pai para escrever a música É disso que o velho gosta), reuniram-se ontem no salão de festas do meu prédio integrantes da Lista Shadow 600 e do fórum Hornet On Line para aproveitar as supracitadas coisas boas da vida em um almoço que se estendeu até o início da noite.

Ao mesmo tempo em que agradeço a companhia dos amigos, aproveito para compartilhar com os leitores do Diário de Bordo a receita do churrasco (como fiz com o Arroz de China Rica) que silenciou os convivas quando foi servido – o que, para o assador, é um baita elogio. Dada a complexidade do tema, as informações abaixo dizem respeito exclusivamente a este que vos escreve; outros, no comando da churrasqueira, terão manias diferentes e essa é apenas uma das riquezas do prato que tem a força de fazer novos e reunir velhos amigos.

Chimarrão enfeitado

Antes da carne, uma canha para esquentar

O começo
Não há um consenso sobre a invenção do churrasco, especialmente se considerarmos que a carne assada existe desde a pré-história; do modo como o conhecemos hoje, entretanto, a origem mais provável é a região do Pampa (gaúcho, uruguaio e argentino) pelas mãos dos tropeiros: fácil de fazer – basta uma faca afiada, fogo, algo que sirva como espeto e sal grosso -, ele já era um evento social que, além de alimentar e reunir os paisanos, espantava o frio das noites do sul.

A escolha  da carne: animal, corte e quantidade
As carnes disponíveis nos supermercados hoje em dia são variadas: tem javali, capivara, avestruz e muitas outras mais ou menos exóticas; aqui, vou me ater à tradição e falar da carne de gado. Como a expectativa era de no máximo 20 pessoas (homens e mulheres, todos adultos) para o almoço, comprei 10 kg de carne – 3,5 kg de costela, a estrela da festa, 3,5 kg de vazio e 3 de linguiça -, arroz, rúcula para a salada verde, batatas para a de maionese e aipim.

Essa matemática (pessoas X quantidades) é variável, mas, via de regra, são 350 gramas de carne sem osso ou 500 gramas com osso por pessoa – mas tome cuidado, já que isso poder variar em função dos convidados (mais homens que mulheres, por exemplo, pode indicar que a quantidade de carne precisa ser aumentada).

Carne espetada, meio caminho andado

Acessórios, onde assar e com que fogo
Como eu disse antes, o churrasco é um prato simples e esse é o segredo do seu sucesso. Alguns assadores gostam de ter um arsenal de itens à disposição – grelha, tábua, gamela, faca, pinça, etc -, mas basta espetar (e os espetos podem ser de taquara, galho de árvore ou de metal), salgar (com sal grosso) e fazer um belo braseiro.

O fogo e a churrasqueira, partes importantes do churrasco de sucesso, podem aparecer de formas variadas (fogo de lenha, gás ou carvão e churrasqueira de metal, de alvenaria, fogo de chão ou pilha de tijolos), mas a minha preferência – e eu avisei lá no começo do texto que falaria das minhas manias, não do jeito certo de fazer (se é que existe um) – é pelo fogo de chão feito com lenha (como no aniversário do Ogro). Como isso nem sempre é possível, uma boa churrasqueira doméstica e um saco de carvão resolvem bem o problema.

Carne no fogo!

Depois do trabalho, a diversão
É difícil precisar o tempo – que depende da carne, do fogo, do objetivo do assador – necessário para que o churrasco chegue ao ponto de servir e o mais adequado é experimentar, já que bons resultados (por conta das inúmeras variáveis) estão diretamente ligados à experiência do assador. A minha pode ser resumida em alguns poucos itens:

  • calcule a quantidade de carvão necessária antes de colocar a carne no fogo: é melhor sobrar fogo do que faltar (e, ao colocar mais carvão, encher a carne de pó);
  • assar carne na labareda é uma arte para poucos (nos quais não me incluo) e o mais seguro é fazer um braseiro e depois colocar a carne;
  • ao espetar a carne deixe a parte mais grossa no fundo da churrasqueira;
  • há uma corrente – da qual não faço parte – que defende a colocação da carne no fogo antes de salgá-la para que ela não desidrate rapidamente e fique seca: isso pode impedir que o sal grosso penetre como deveria na carne e ela fique sem sal nas partes internas (e há quem defenda o uso de sal fino, mas não vou entrar nesse mérito: como deu para perceber, sou um assador ortodoxo);
  • usando uma churrasqueira que permita manter a carne em vários níveis, é possível atender aos desejos de todos os convidados, sejam eles fãs de carne no ponto ou mal-passada;
  • usar mais de um espeto – paralelos ou em X – pode ser a solução para manter um pedaço grande de carne exposto ao fogo uniformemente.

A hora do silêncio

Se beber, não pilote

Ainda estás lendo esse artigo? Já está na hora de colocar uma carne no fogo (e, de preferência, postar aqui a lições aprendidas no comando de uma churrasqueira) e convidar os amigos para que sejam as cobaias dos experimentos.

Bons churrascos!

Vienna Harley-Davidson Parade 2010


Gostaria, antes de tudo, agradecer ao grande amigo Pirex por abrir o espaço para a minha historia em seu blog o qual considero uns dos melhores no assunto sobre viagens envolvendo motociclismo.

Coincidência ou não, estive em Viena na Áustria justamente na semana que ocorreu o “Vienna Harley-Davidson Parade 2010” e semelhante a historia do “O Flautista de Manto Malhado em Hamelin” (Robert Browning), fiquei encantado pelo ronco de um grupo de uns 15 motociclistas com suas HDs que passeavam por uma das ruas principais de Viena e desejei, nem que custasse a minha vida, ir atrás do local do encontro que posteriormente vi anunciado em um outdoor.

A missão não foi tão simples assim, pois eu estava com este propósito certo para mim mas como falar para a minha recém esposa, pessoa qual depositou em mim seu futuro prospero e cheio de filhos, que justamente na nossa “lua de mel” eu iria num encontro de motociclistas (!?!). Fiquei por 2 dias pensando numa forma de “encaixar” essa tarefa contudo o tempo também não estava ajudando pois estava uma chuva fina e fria incessante que nos obrigava a ficar nos cafés “Aida” ou entrando e saindo de lojas que somente nos permitiam olhar (Mont Blanc, Gucci, D&G, Prada, etc.).

Mas como por milagre na ultima noite que estávamos em Viena (sexta, 14 de maio), e partiríamos para Veneza à tarde do dia seguinte, a chuva cessou e a lua mostrou sua face iluminada. Pensei: “e’ hoje à noite”. Contudo havia uma apresentação ao ar livre de uma opera ou ballet (não consigo nem saber o que era pois meus pensamentos estavam longe dali e somente o som do AC/DC que eu conseguiria poderia identificar naquele momento) o qual minha recém esposa havia já se programado para assistir. Não foi desta vez ainda.

Bom, detalhes a parte, e amanheceu o sábado com um sol tímido mas sem chuva, e logo começou a esquentar, e acordei muito cedo já deixando algumas malas prontas para o check-out que seria ao meio-dia e sorrateiramente eu partir para o café da manha, contudo minha esposa, até então, acordou com o click da maçaneta ao eu tentar abrir a porta como um Cérberus adormecido que cuidava das minhas atitudes em surdina. Mas, como por benção divina, ela disse que ficaria no hotel pela manhã para “arrumar as malas” e se aprontar para o próximo destino e que eu poderia sair se quisesse para dar uma ultima volta pela cidade.

Então como um vídeo em FlashForward tive a visão da oportunidade que seguia e delicadamente disse a ela: “Eu vou dar uma olhada naquele ‘negocio de motos’ mas não demoro”. Sonolenta me respondeu: “Tudo bem meu amor, mas não demore…” e com carinho respondi: “Não se preocupe, amor, não demoro” e sai calmamente sem fazer barulho com medo que ela, entorpecida por seu sono matinal, acordasse e se arrependesse de ter acolhido meu pedido.

Sai em disparate por Viena com o passe de metro numa mão e um mapa do metro da cidade noutra, e procurei o primeiro anuncio do qual estava o local do evento, no Stadium de Viena, o qual também dá o nome a uma estação de metro. Então como uma única tentativa, um tiro único, não me preocupei em confirmar o local (ate mesmo porque como e pra quem eu iria perguntar em alemão se o encontro era realmente perto da dita estação de metro) e sai em direção daquela estação, efetuando 3 conexões do local onde eu estava. Caminhava pelas estações no sobe desce de escadas rolantes como se fosse um cidadão residente há anos, com a seqüência memorizada paradas das estações e linhas que deveria embarcar e desembarcar.

E lá estava eu, bem ao lado da estação Stadum, e uma longa bandeira da Harley-Davidson anunciava o local. Era cedo, 10 da manha, e muitos começavam a chegar, e outros acordavam com um café da manha acompanhando com pão e salsichas servidos tipicamente na região, e alguns acredito que não haviam dormido e iniciava o dia com uma cerveja a mão. E caminhando entre as tendas chegando próximo aos palcos percebi que “as pedras rolaram” e muito…

Conversei com algumas pessoas (revendedores, customizadores e outras mais interessantes…) e inclusive pude ter a oportunidade de dar uma volta numa 883 customizada e parece que o tempo parou para mim, contudo não parou para a minha esposa e para o resto do mundo!

Quando dei por mim, se passava e muito do meio-dia e acordei deste sonho e lembrei que do check-out do hotel e o horário para seguir viagem. Sai da mesma maneira que cheguei, em disparate, mas com uma sensação de algo a mais totalmente inesperado ocorreu.

Resumindo: minha recém esposa teve que descer com todas as malas para fazer o check-out e a encontrei sentada na recepção com um olhar frio e ameaçador…

Bom amigos, daqui pra frente é outra historia que um dia contarei pessoalmente em um encontro que pudermos realizar juntos. Um abraço a todos.

Voy

Sábado na estrada ou A revisão do tempo (22/05/2010)


Rota: Porto Alegre/São Francisco de Paula/Canela/Gramado/Taquara/Osório/Porto Alegre

Distância percorrida: 400 km

O sábado amanheceu limpo na capital dos gaúchos: lá pelas 10h, nos encontramos – eu, Tara, Landão e Diabolin – na saída de Porto Alegre para uma motocada pela serra e antes de colocarmos as motos na estrada conversamos longamente com outros amigos sobre os assuntos que nos são caros (uma terapia impagável, a bem da verdade). Na saída, olhando para o céu de motoqueiro acima de nós, pensei comigo que a previsão do tempo finalmente acertou uma. Ledo engano.

Preservo a identidade da autora mas cito suas palavras:

Para acertar mais, a previsão do tempo deveria se chamar revisão do tempo e discutir o que já aconteceu. Não há nada parecido com uma previsão nos prognósticos que lemos em sites e jornais e frequentemente o acontece justamente o oposto. Melhor confiar nas juntas doendo.

Ontem, por conta da “previsão” do tempo e da manhã que se apresentou, nenhum de nós levou sua capa de chuva. Até Taquara, algumas poucas nuvens nos acompanhavam; dali em diante, elas se converteram em pingos ralos e estes em um toró de dar gosto. Quando encostamos para o almoço em São Francisco de Paula, estávamos todos embarrados e encharcados – mas, ao longo da refeição, o sol apareceu novamente.

Almoçados e mais ou menos secos, nos preparamos para seguir pela serra e, antes de acionarmos os motores das companheiras de estrada, voltou a chover novamente. Da forma que estávamos antes do almoço, molhados até a alma, seguimos por Canela, Gramado (onde uma forte cerração fez o dia escurecer às 15h) e somente em Igrejinha, como em um passe de mágica, o sol apareceu novamente.

Confesso: por um instante, na subida da serra de São Chico, vociferei alguns impropérios contra mim mesmo na solidão do capacete por não ter me preparado para uma eventual chuva, mas logo relaxei e continuei aproveitando, molhado até as cuecas, os caminhos da serra: moto na estrada não combina com mau humor, ainda mais na companhia dos amigos.

(Post Scriptum: não foi surpresa ver que a RS-118, entre a saída da BR-290 e o acesso à RS-020, continua em péssimas condições. O que eu não sabia é que a RS-020 entre Taquara e São Francisco de Paula está em manutenção (alguns trechos do asfalto foram removidos) e demanda atenção redobrada por parte dos motociclistas – especialmente sob chuva.)

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