Três Tornados na Barrocada (09/04/2011)


Rota: Porto Alegre/Águas Claras/Barrocadas/Santo Antônio da Patrulha/Porto Alegre

Distância percorrida: 230 km

Sexta-feira é dia de acompanhar a previsão do tempo, ainda mais quando há uma motocada agendada para o final de semana: no final da tarde do dia 8, até granizo choveu em Porto Alegre (RS), o que me deixou com um pé atrás (chuva tudo bem, mas pedradas na cabeça?). O objetivo de sábado era sair pela zona sul da capital dos gaúchos, seguir pelas vicinais até a RS-040, rodar na estrada Capivari do Sul/Barrocadas (ou “na Barrocada”, como se diz na região: Barrocadas é um distrito de Capivari do Sul) e voltar pela BR-290, num percurso de aproximadamente 220 km.

Quando cheguei no ponto de partida, já me esperavam Ribas e Ade (do fórum Tornadeiros) com as suas Tornados prontas para a estrada; depois de um pouco de papo, apontamos as motos para a zona sul de Porto Alegre e não demorou para que chegássemos na Estrada da Varzinha, na Vila de Itapuã (onde fica o Parque Estadual de Itapuã, em Viamão), onde aconteceu o único incidente da tarde: um parafuso da carenagem da minha moto caiu, mas o Ribas, que enxerga melhor do que eu, conseguiu achá-lo no meio do cascalho da estrada.

Atravessando os morros da região, passamos pela Praia da Varzinha (na Lagoa dos Patos) e chegamos ao entroncamento da Estrada da Pimenta/Estrada da Brahma (há uma fábrica da AMBEV em Viamão), onde paramos para descansar à sombra de uma figueira e derrubar uma perna de salame no bar que leva o nome da árvore. Dali até a RS-040, pela Estrada da Faxina, foram poucos quilômetros mais e não chegamos a rodar nem 1 km no asfalto da Rodovia Tapir Rocha: logo voltamos ao chão batido, em direção a Barrocadas, para mais um trecho da mais pura diversão.

A ideia original era percorrer a Estrada das Barrocadas desde Capivari do Sul, mas o atalho – que podemos chamar de vicinal entre as vicinais – valeu a pena: pelo caminho, chuva, barro, pedras soltas, muita (muita!) areia, colheitadeiras fechando a estrada, gado sendo movimentado, cavalarianos e até grama cobrindo a estrada (em um trecho que me fez pensar duas vezes se o rumo era realmente aquele); para fechar o dia com chave de ouro, um sol entre nuvens se apresentou em Santo Antônio da Patrulha e criou um cenário de cinema. Dali para casa foram cerca de 75 km de asfalto que serviram para eu descobrir um defeito na quase perfeita Tornado: o farol ilumina pouco mais que uma vela, tornando a pilotagem noturna impraticável mesmo com o uso da luz alta.

Obrigado pela companhia e até a próxima, tornadeiros!

GPS na moto: sim ou não?


Já faz um par de anos que me acompanha nas minhas viagens, a despeito da opinião dos meus próprios companheiros de estrada, um GPS1. Como esse é um assunto controverso, enumero aqui as opiniões de ambos, defensor e detratores, para que o leitor tire suas próprias conclusões e se torne mais um usuário (ou não) deste equipamento.

Comecemos do começo com a ajuda da Wikipedia:

O Sistema de Posicionamento Global, popularmente conhecido por GPS  (do acrônimo do original inglês Global Positioning System), conforme o nome diz, é um sistema de informação eletrônico que inclui um conjunto de satélites e fornece via rádio a um aparelho receptor móvel sua posição com referência às coordenadas terrestres.

Simples assim. Com base em 4 dos 28 satélites controlados pelo Departamento de Defesa dos EUA, um receptor pode posicionar-se em qualquer ponto da terra e, usando mapas da região, navegar até um determinado destino. Durante essa navegação, o usuário pode consultar o tempo estimado para a chegada, a média de velocidade, quanto tempo rodou ou ficou parado e tantas outras informações quantas o aparelho em uso disponibilize.

Para que lado é Santa Fe mesmo?

Como o objetivo aqui é tão somente discutir as questões práticas que envolvem o uso do GPS para mototurismo, vou me ater aos comentários que os meus iguais – detratores do bendito aparelho – fizeram durante as nossas últimas duas viagens (em janeiro de 2009 e em março de 2010). Vejamos.

1. Qual é o melhor GPS?

Essa é a pergunta que todos os potenciais proprietários de GPS fazem quando decidem pela aquisição de um e ironicamente, ao contrário da simplicidade da pergunta, a resposta é complexa. No meu caso, entretanto, a escolha foi um pouco mais fácil: eu precisava de um aparelho que aguentasse a vibração da moto, fosse à prova d’água e tivesse uma boa antena para recepção do sinal. Dois aparelhos da Garmin atenderam aos requisitos (o 60 CSx e o Zumo 550) e decidi exclusivamente em função do custo, me tornando mais um feliz proprietário de um GPS Garmin série 60.

2. Mas não posso usar um iPhone/Mio/N95/etc?

Não faço ideia. Talvez. Como eu disse antes, meus requisitos eram muito específicos e, para completar, alguns amigos já utilizavam com sucesso ambos os modelos (60 CSx e Zumo 550), o que para mim foi fundamental para escolher qual aparelho comprar.

3. E como funciona esse Garmin 60 CSx?

Meu procedimento é o seguinte: quando vou viajar, rabisco mentalmente uma rota inicial e, depois de decidir por onde passar (ou não), entro em contato com os conhecidos para saber quais são as melhores estradas da região; decidido o caminho, utilizo o software MapSource para traçar a rota e a carrego no GPS. Eu separo os trechos da rota por dia (para ter um controle diário da distância percorrida, velocidade média, tempo rodando, etc), não carrego mapas ou pontos de interesse desnecessários (em geral, postos de combustível, hotéis e pontos turísticos são suficientes) e utilizo mapas do Projeto TrackSource e do Proyecto Mapear.

Rota Montevideo/Chuy na tela do MapSource

4. Os mapas são grátis?

Os mapas estão disponíveis para download sem custo algum porque uma comunidade se reuniu em torno desses projetos e os construiu de forma colaborativa. Existem muitas formas de dar suporte a estas iniciativas, mas as duas principais são a colaboração (torne-se o responsável pelo mapa da sua cidade e/ou outras, se for possível) e a doação em dinheiro. Existem os mapas pagos, claro, mas os do Brasil, únicos que tive acesso, são de péssima qualidade.

5. Como vou saber se um mapa é fiel à realidade?

Não vai. Como todo trabalho colaborativo, uns dependem dos outros e se há alguma incoerência, basta relatá-la ao responsável pelo mapa para que ele faça a correção (só para citar um exemplo, fiz isso há algum tempo, quando uma nova alça de acesso foi finalizada em uma cidade por onde passei, e funcionou muito bem: em alguns dias a rota correta já estava disponível para download). Na realidade, a grande maioria dos mapas que já utilizei estava bastante fiel à realidade e não tive problemas para chegar no hotel em cidades como Buenos Aires e Florianópolis.

6. Do que reclamam os tais detratores?

Quando as rotas são traçadas, levam em consideração vários fatores (mão e contramão, caminho mais rápido, caminho mais curto, etc) que podem mudar sem aviso prévio: depois de chegar na porta do hotel de uma cidade de 500 mil habitantes como Santa Fe, na Argentina, é muito fácil para os maledicentes dizerem que poderíamos ter entrado uma quadra antes. É bem verdade que o GPS nos mandou entrar na contramão em Montevideo na viagem de 2009, mas esse é o típico caso de uma mudança no trânsito que não foi acompanhada pelo mapa disponível e bastaram algumas buzinadas enfurecidas para que nos déssemos conta.

Pontos de interesse no centro de Buenos Aires

7. Mesmo à noite a visibilidade do GPS é boa?

Somente com a iluminação (que possui dois níveis de intensidade no 60 GSx) do aparelho ligada – e isso naturalmente vai consumir mais pilhas mas pode ser resolvido com a utilização de um eliminador, já que muitas motos saem de fábrica com um adaptador 12V no painel (eu não saberia dizer quantas horas duram as pilhas – um par, AA – com o uso contínuo da iluminação, mas sem ela a durabilidade das minhas Sony 2100 mAh é de cerca de 12 horas).

8. Onde deve ser feita a fixação do aparelho na moto?

Eu utilizo o GPS preso ao guidão da moto de forma a não prejudicar a visibilidade do painel ou a movimentação da chave de ignição; por outro lado, é possível fixá-lo em outros lugares, já que ele utiliza uma braçadeira plástica com uma lâmina de borracha em seu interior.

9. Mas se o suporte é para moto, como faço para usá-lo no carro?

Além do suporte para o guidão, existe um com ventosa para ser fixado no para-brisa do carro. Eu possuo um e o utilizo eventualmente, mas o 60 CSx não é o melhor GPS para ser utilizado em um carro principalmente por conta das dimensões de sua tela e de não possuir comando de voz.

Entre  Porto Alegre e Florianópolis sempre tem uma tranqueira

10. Onde posso saber mais sobre este assunto?

Eu gosto bastante do fórum associado ao Projeto TrackSource: foi lá que aprendi o pouco que sei e a maioria das dúvidas e problemas já foi enfrentada por algum outro proprietário. Além disso, existe uma área de classificados onde se pode comprar um bom equipamento por um preço mais amigável.

Boas estradas!

1 O termo GPS, apesar de eventualmente se referir a um aparelho que apenas indica a posição do usuário, é utilizado neste texto como sinônimo de navegador, equipamento que aponta uma rota a ser seguida.

Caminhos do Mercosul: Brasil, Argentina e Uruguai – 1º dia (09/03/2010)


Repetindo o que fizemos em janeiro do ano passado, resolvemos – eu, Avélinho, Landão e Russo – novamente motocar pelo Uruguai este ano, mas desta vez entrando na Argentina por Paso de los Libres e dela saindo por Buenos Aires para chegar a Colonia del Sacramento e dali em diante seguir por Montevideo, Punta del Este e voltar à terra brasilis por Chuy. A motocada, sem contratempo algum, durou 6 ótimos dias e passo a relatá-los agora.

Rota: Porto Alegre/São Gabriel/Alegrete/Uruguaiana

Distância percorrida: 633 km

Véspera de viagem é sempre sinônimo de noite insone e intermináveis revisões mentais na lista de itens que devem ser levados. Carregador do celular? Ok. Barbeador? Ok. Adaptador USB? Ok. Na maioria das vezes as coisas acabam se revelando inúteis (não recarreguei o celular, não fiz a barba e não usei o adaptador USB, para citar alguns exemplos), mas é melhor prevenir do que remediar. Como a manhã inevitavelmente chega, cessam as revisões e finalmente carrego a moto, tarefa há muitos dias aguardada: chegou a hora de partir – com um pouco de atraso, verdade seja dita, o que é um tormento para um chato com horários como eu – e, como diz o filósofo da turma, “dá até uma tristeza, pois a motocada começou a acabar”.

No encontro com os demais integrantes do bonde na saída de Porto Alegre (RS), a festa de sempre e um café preto bem forte para animar; o tempo dava sinais que a capa de chuva ficaria guardada nos alforges, mas em todo caso a deixei por cima das roupas, já que a previsão do tempo apontava chuva – que felizmente não se confirmou – na metade leste do Rio Grande do Sul.

Desde a saída até o destino do dia, Uruguaiana (RS), rodamos mais de 600 quilômetros sobre a BR-290, estrada pedagiada (motos só pagam em uma das praças de pedágio) e em boas condições – exceto por um pequeno trecho na região de São Gabriel onde a rodovia está fresada e em outros dois na mesma área onde as obras de recapeamento obrigam os condutores a se alternarem no uso da única pista transitável. No fim das contas, acabamos saindo de Porto Alegre às 9h e chegando às 18h em Uruguaiana com várias paradas para abastecimento, almoço, água, café ou simplesmente esticar as pernas.

Como era de se esperar, a chegada ao hotel depois de 9h de estrada foi comemorada com uma cerveja gelada e um banho de piscina para recuperar os músculos cansados. Ainda havia um problema a resolver – a Carta Verde, seguro obrigatório para veículos estrangeiros que ingressem nos países do Mercosul -, mas adiamos o compromisso para a manhã seguinte: encerramos o primeiro dia com uma caminhada pela Avenida Presidente Vargas (onde jaziam os carros utilizados no desfile de carnaval) em direção à uma pizzaria, onde jantamos, rimos muito e projetamos o dia seguinte, quando passaríamos por vários postos da famosa Policia Caminera argentina.

    REDES:  

  • rss
  • youtube
  • Twitter
  • flickr
  •  
  • PESQUISAR NOS ARQUIVOS: