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10° Aniversário da Lista Shadow 600 (03 a 06/06/2010)

6, junho, 2010 Piréx 14 comentários

Rota: Porto Alegre/Torres/Florianópolis/Balneário Camboriú/Florianópolis/Torres/Porto Alegre

Distância percorrida: 1100 km

Criada em 4 de julho de 2000 e composta atualmente por exatos 1237 integrantes (que juntos já enviaram mais de 200 mil e-mails), a Lista Shadow 600 comemora neste ano o seu décimo aniversário e as festividades alusivas à data aconteceram em Balneário Camboriú, uma das mais belas praias do estado de Santa Catarina.

Como uma legítima família, a lista já foi palco de inúmeras alegrias e algumas poucas discussões – a maioria delas, verdade seja dita, resolvida em poucos instantes em uma mesa de bar. Como um coração de mãe e ao contrário do que o seu nome possa sugerir, abriga proprietários de Harleys, BMWs, Suzukis e até de moto alguma: todos, à sua maneira, seguem mantendo acesa a chama dessa amizade que já dura uma década.

Para explicar as origens dessa união, cito um trecho do convite para a festa feito pelo Seo Craudio:

(…) Cromados, parafusos, filtros, pneus, seguros, lojas e acessórios faziam parte da lista sim, mas junto com esse monte de ferro começamos a mostrar nossas caras, começamos a nos encontrar com mais frequência, começamos a nos conhecer, e a descobrir o prazer de sair do virtual para mundo real. (…)

Pé na estrada: Camboriú nos espera

Pouco depois das 7h da quinta-feira, saímos (eu, Diabolin e Landão) em direção a Osório onde encontraríamos mais dois viajantes (Daisson e Ogro) para que juntos seguíssemos para a festa. Apesar da previsão do tempo ter avisado que chuva no RS só no sábado, antes de Torres já estávamos debaixo de um toró, o que não seria um grande problema se os próximos 350 km não fossem da muitas vezes citada aqui no blog BR-101: apesar da quantidade de trechos duplicados ter aumentado bastante, ainda há sucessivos e incontáveis desvios com piso deformado e sinalização discutível.

No final da tarde, encostamos as motos (entre as muitas que já estavam lá) na frente do hotel e antes mesmo que descêssemos delas, os abraços, apertos de mão e goles de cerveja indicavam que a animação era total. Dali para frente, foram muitos os momentos – no salão de festas do hotel, no centro da cidade, nos cafés e restaurantes e até no ônibus que nos levou até o Cristo Luz para um jantar que acabou em festa – em que os listeiros se reuniram para colocar o papo em dia.

Eu poderia tentar quantificar aqui o saldo do feriado – quilômetros rodados, cervejas consumidas, sacanagens realizadas -, mas dificilmente os números traduziriam a realidade e, por este motivo, economizo as letras e conto com as fotografias para explicar o que pelas palavras não consigo: tenho certeza que a expressão no rosto de cada um dos participantes dirá mais do que todos os muitos parágrafos que eu escrevesse.

Agradecimentos

Para não cometer nenhuma injustiça, nem vou tentar forçar a minha gasta memória para citar os muitos novos e velhos amigos que encontrei e, ainda assim, quero agradecer a todos pela impagável festa da qual fiz parte. A cada ano que passa, um novo capítulo do livro Lista Shadow 600 é escrito e o bordão “A lista é mágica” se reforça e se renova. Obrigado e até a próxima!


Churrasco e bom chimarrão: é Sábado Gaudério! (29/05/2010)

30, maio, 2010 Piréx 13 comentários

Em meados da década de 1980, Berenice Azambuja profetizou:

Churrasco e bom chimarrão,
fandango, trago e mulher
É disso que o velho gosta
é isso que o velho quer

Confirmando as palavras da cantora porto-alegrense (que teve como inspiração o próprio pai para escrever a música É disso que o velho gosta), reuniram-se ontem no salão de festas do meu prédio integrantes da Lista Shadow 600 e do fórum Hornet On Line para aproveitar as supracitadas coisas boas da vida em um almoço que se estendeu até o início da noite.

Ao mesmo tempo em que agradeço a companhia dos amigos, aproveito para compartilhar com os leitores do Diário de Bordo a receita do churrasco (como fiz com o Arroz de China Rica) que silenciou os convivas quando foi servido – o que, para o assador, é um baita elogio. Dada a complexidade do tema, as informações abaixo dizem respeito exclusivamente a este que vos escreve; outros, no comando da churrasqueira, terão manias diferentes e essa é apenas uma das riquezas do prato que tem a força de fazer novos e reunir velhos amigos.

Chimarrão enfeitado

Chimarrão enfeitado

Antes da carne, uma canha para esquentar

Antes da carne, uma canha para esquentar

O começo
Não há um consenso sobre a invenção do churrasco, especialmente se considerarmos que a carne assada existe desde a pré-história; do modo como o conhecemos hoje, entretanto, a origem mais provável é a região do Pampa (gaúcho, uruguaio e argentino) pelas mãos dos tropeiros: fácil de fazer – basta uma faca afiada, fogo, algo que sirva como espeto e sal grosso -, ele já era um evento social que, além de alimentar e reunir os paisanos, espantava o frio das noites do sul.

A escolha  da carne: animal, corte e quantidade
As carnes disponíveis nos supermercados hoje em dia são variadas: tem javali, capivara, avestruz e muitas outras mais ou menos exóticas; aqui, vou me ater à tradição e falar da carne de gado. Como a expectativa era de no máximo 20 pessoas (homens e mulheres, todos adultos) para o almoço, comprei 10 kg de carne – 3,5 kg de costela, a estrela da festa, 3,5 kg de vazio e 3 de linguiça -, arroz, rúcula para a salada verde, batatas para a de maionese e aipim.

Essa matemática (pessoas X quantidades) é variável, mas, via de regra, são 350 gramas de carne sem osso ou 500 gramas com osso por pessoa – mas tome cuidado, já que isso poder variar em função dos convidados (mais homens que mulheres, por exemplo, pode indicar que a quantidade de carne precisa ser aumentada).

Carne espetada, meio caminho andado

Carne espetada, meio caminho andado

Acessórios, onde assar e com que fogo
Como eu disse antes, o churrasco é um prato simples e esse é o segredo do seu sucesso. Alguns assadores gostam de ter um arsenal de itens à disposição – grelha, tábua, gamela, faca, pinça, etc -, mas basta espetar (e os espetos podem ser de taquara, galho de árvore ou de metal), salgar (com sal grosso) e fazer um belo braseiro.

O fogo e a churrasqueira, partes importantes do churrasco de sucesso, podem aparecer de formas variadas (fogo de lenha, gás ou carvão e churrasqueira de metal, de alvenaria, fogo de chão ou pilha de tijolos), mas a minha preferência – e eu avisei lá no começo do texto que falaria das minhas manias, não do jeito certo de fazer (se é que existe um) – é pelo fogo de chão feito com lenha (como no aniversário do Ogro). Como isso nem sempre é possível, uma boa churrasqueira doméstica e um saco de carvão resolvem bem o problema.

Carne no fogo!

Carne no fogo!

Depois do trabalho, a diversão
É difícil precisar o tempo – que depende da carne, do fogo, do objetivo do assador – necessário para que o churrasco chegue ao ponto de servir e o mais adequado é experimentar, já que bons resultados (por conta das inúmeras variáveis) estão diretamente ligados à experiência do assador. A minha pode ser resumida em alguns poucos itens:

  • calcule a quantidade de carvão necessária antes de colocar a carne no fogo: é melhor sobrar fogo do que faltar (e, ao colocar mais carvão, encher a carne de pó);
  • assar carne na labareda é uma arte para poucos (nos quais não me incluo) e o mais seguro é fazer um braseiro e depois colocar a carne;
  • ao espetar a carne deixe a parte mais grossa no fundo da churrasqueira;
  • há uma corrente – da qual não faço parte – que defende a colocação da carne no fogo antes de salgá-la para que ela não desidrate rapidamente e fique seca: isso pode impedir que o sal grosso penetre como deveria na carne e ela fique sem sal nas partes internas (e há quem defenda o uso de sal fino, mas não vou entrar nesse mérito: como deu para perceber, sou um assador ortodoxo);
  • usando uma churrasqueira que permita manter a carne em vários níveis, é possível atender aos desejos de todos os convidados, sejam eles fãs de carne no ponto ou mal-passada;
  • usar mais de um espeto – paralelos ou em X – pode ser a solução para manter um pedaço grande de carne exposto ao fogo uniformemente.
A hora do silêncio

A hora do silêncio

Se beber, não pilote

Se beber, não pilote

Ainda estás lendo esse artigo? Já está na hora de colocar uma carne no fogo (e, de preferência, postar aqui a lições aprendidas no comando de uma churrasqueira) e convidar os amigos para que sejam as cobaias dos experimentos.

Bons churrascos!

O tempo passa, o tempo voa (10/04/2010)

11, abril, 2010 Piréx 17 comentários

Como dizia aquele popular comercial de TV dos anos 1990, o tempo passa, o tempo voa: no último dia 9, entrou para a casa dos inta um dos integrantes mais jovens da Facção RS da Lista Shadow 600 – e a comemoração, que começou na sexta e foi até o domingo, aconteceu em um sítio no Morro da Borússia.

Morro da Borússia: área de proteção ambiental

Localizado no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, o Morro da Borússia pertence ao município de Osório (RS) e é uma das partes da Serra Geral cobertas pela exuberante Mata Atlântica. Por mais de uma vez este local foi citado aqui no blog, mas vale a pena registrar novamente que, seja para rodar pelas estradas do morro, subir até seu ponto mais alto ou apreciar a vista do novo mirante, a visita é imperdível.

Festa de três dias? É kerb!

Seguindo a orientação do aniversariante, já na sexta-feira alguns convidados encostaram suas motos no local da festa ignorando a noite, o piso ruim e a sinalização discutível. Quando chegamos no sábado pela manhã, o costelão já assava desde a noite anterior: nos instalamos ao redor do fogo de chão e entramos tarde adentro discutindo desde a situação política atual até as preferências motociclísticas dos envolvidos, quando customs, bigtrails, supersports e outras categorias foram defendidas e atacadas com mais veemência à medida em que o chopp sumia dos barris. Do meio da tarde em diante, a farra gastronômica rolou solta e, não bastasse um dos costelões aterrissar – e ser abatido – sobre uma mesa na rua, logo surgiu um café da tarde (com direito a cucas de vários sabores) e uma panela no fogo já adiantava que a janta vinha por aí.

A julgar pelo meu parágrafo acima, um leitor desavisado poderia pensar que a festa se resumiu a uma grande comilança; apesar das refeições estarem no centro dos ajuntamentos (e eu preciso ressaltar que estavam excelentes), cabe dizer que, na verdade, foram 3 dias de celebração à amizade, com velhos e novos amigos em volta do fogo, nas rodas de chimarrão ou simplesmente tomando uma caneca de chopp à sombra da mata nativa. Uma verdadeira família, com todas as suas qualidades e defeitos, formada por pessoas com uma afinidade impagável e difícil de reproduzir em palavras.

Parabéns, Ogro. Que venham muitos anos mais!

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China Rica na Quinta Gaudéria (25/03/2010)

26, março, 2010 Piréx 9 comentários

A Quinta Gaudéria é, sem sombra de dúvidas, um evento esquizofrênico: apesar de seu nome, já aconteceu em uma terça, em um sábado, esteve associada a um evento esportivo e agora, inaugurando uma nova linha editorial deste blog, serve de laboratório para experiências gastronômicas com pratos da culinária gaúcha.

Na noite de ontem, um seleto grupo de motoqueiros (ou motociclistas, como queiram) se fez presente no salão de festas do meu prédio para tomar um vinho – já que o verão oficialmente acabou – e experimentar um Arroz de China Rica, iguaria recorrente nas minhas apresentações ao fogão.

Reza  a lenda que, durante a Revolução Farroupilha, as chinas1 não tinham muito o que servir nas refeições e o arroz com linguiça, prato saboroso e de baixo custo, se tornou uma solução frequente para matar a fome da gauchada – daí a denominação Arroz de China Pobre.

Como o nobre leitor já deve ter percebido, o prato servido na QG foi uma corruptela do original, já que leva outros ingredientes além do arroz e da linguiça e por este motivo teve seu nome alterado para Arroz de China Rica. Para que você mesmo possa reproduzir em casa e tirar suas próprias conclusões, segue a receita para seis pessoas.

Ingredientes

  • 4 xícaras de arroz branco
  • 1 kg de linguiça (1/3 apimentada)
  • 2 cebolas grandes
  • 2 tomates
  • 100 g de azeitonas
  • 100 g de champignon
  • Meio copo de vinho tinto
  • Alho a gosto
  • Uma panela de ferro

Para tudo: panela de ferro é ingrediente?

Sim, é. Além das questões de saúde (está comprovado que o cozimento dos alimentos em panelas de ferro ajuda a combater a desnutrição), o resultado – que até pode agradar alguns paladares – é bem diferente se o Arroz de China for feito em uma panela de inox, por exemplo.

Modo de preparar

Frite a linguiça com o alho durante alguns minutos mexendo sem parar e, se achar adequado, retire o excesso de gordura que ficou depositado na panela; adicione a cebola e, logo em seguida, o tomate (ou massa de tomate), a azeitona, o champignon e o vinho. Em fogo baixo, deixe que os ingredientes cozinhem. Quando isso acontecer, adicione o arroz, misture bem e cubra com água: mantenha a panela fechada, o fogo baixo e espere até que reste pouca água na panela (não deixe secar completamente, pois o calor da panela de ferro continuará agindo por muito tempo, o que pode resultar na queima do arroz do fundo – o que não é de todo ruim se bem dosado). Na hora de servir, além de um bom vinho e pimentas variadas, ovo cozido picado e queijo ralado são bons acompanhamentos.

Bom proveito!

O começo: a linguiça

Tudo na panela

Acompanhamento do arroz de china

Pronto!

A hora da boia

Fim de festa

1 Definição genérica para companheira no Rio Grande do Sul.

Quinta Gaudéria (04/02/2010)

5, fevereiro, 2010 Piréx 16 comentários

No final da tarde de ontem a Capital dos Gaúchos – recentemente apelidada de Forno Alegre por conta das altas temperaturas – foi assombrada por uma densa nuvem de chuva que rapidamente transformou o dia em noite; o temporal durou aproximadamente 1 hora mas não assustou os participantes da Quinta Gaudéria (a saber, o encontro semanal dos integrantes e amigos da Lista Shadow 600) que compareceram embarcados em suas motos.

Como já é de praxe, foi uma noite de revelações – mas duas delas merecem destaque: nosso anfitrião, detentor do título de porta-voz do grupo em função da sua conhecida eloquência, se mostrou um excelente assador (contrariando a expectativa de alguns faladores). Além disso, mais uma lenda foi agregada ao bonde do Sul – uma Harley-Davidson Heritage Softail Classic – e em breve terá sua intimidade exposta aqui no blog.

Por fim, quero registrar um sincero pedido de desculpas aos moradores do prédio do Landão por terem aguentado a bagunça zoeira esculhambação gritaria conversa no salão de festas até a meia-noite de ontem e a posterior sinfonia de Harleys no início da madrugada. Não acontecerá novamente (pelo menos nessa semana).

Porto Alegre (RS) após um temporal de fim de tarde

Lista Shadow 600

Norteña no gelo

Colete estradeiro

Geladas em fila

Proprietários de H-D

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