Chegou a nova companheira de estradas: BMW F 800 GS


Depois de uma sucessão de consultas, observações, experimentos e de um artigo aqui no Diário de Bordo, resolvi dar por encerrada a novela da escolha da minha próxima motocicleta: de agora em diante, uma BMW F 800 GS lava orange (laranja, segundo o catálogo da BMW Motorrad Brasil) me carregará por bons e maus caminhos.

Se no artigo Qual é a melhor forma de vender uma moto? a pergunta recorrente foi “Piréx, vendeu por quê?”, agora a dúvida paira sobre os motivos que me levaram a escolher a 8GS entre tantas opções.

Piréx, comprou por quê?

Comecemos pelo fim: eu não acredito no mito da moto perfeita, tanto no que diz respeito às características técnicas quanto à capacidade de atender às demandas de seu proprietário; eu acredito numa equação que some qualidades e subtraia defeitos, apontando como resultado a moto mais adequada para um conjunto piloto/garupa. Assim, passo a listar os itens que me atraíram mais e menos nessa 800 e que, no final das contas, acabaram por me fazer comprá-la.

Mais

  1. Visual (agressivo e moderno)
  2. Posição de pilotagem (relaxada)
  3. Rodas (raiadas e com tamanho adequado para o off-road: a dianteira é de 21 polegadas)
  4. Freios (antibloqueio)
  5. Vão livre do solo (adequado para ultrapassar obstáculos)
  6. Posição do tanque de combustível (colabora para a centralização/rebaixamento das massas)
  7. Curso da suspensão (copia imperfeições do piso isolando bem piloto e garupa)

Menos

  1. Pneus com câmara (exigem a remoção para conserto)
  2. Capacidade do tanque de combustível (pequeno para a proposta da moto)
  3. Para-brisa (meramente decorativo)

Há muito mais a elogiar (suspensão dianteira upside-down e traseira ajustável sem ferramentas, cavalete central, tomada 12 volts, painel completo, etc), mas ainda é cedo para tirar quaisquer conclusões. Por enquanto, compartilho com os amigos leitores algumas imagens – da moto já suja, uma vez que São Pedro resolveu batizá-la no caminho entre a concessionária e a minha garagem – e daqui a poucas centenas de quilômetros eu volto a falar sobre o comportamento dela no uso urbano e rodoviário, acessórios, soluções para os problemas do dia a dia e mais.

Qual é a melhor forma de comprar uma moto?


O mercado nacional de motocicletas vive um período sem precedentes: vendas em alta, fabricantes criando raízes por aqui, muitos modelos à disposição dos interessados… Mas qual é a melhor moto que temos atualmente no Brasil? Apesar da complexidade da pergunta, uma outra pode ajudar na resposta: por quem e como ela será utilizada?

Em um passado recente essa segunda pergunta faria pouco sentido, haja vista a pequena quantidade de motocicletas disponíveis (quando fui iniciado no mundo das duas rodas, em meados da década de 1980, o mercado começava a se reerguer mas as opções eram limitadíssimas); hoje em dia, para escolher uma, é possível começar selecionando a categoria e depois, entre os vários modelos dela, optar pela melhor ferramenta para o serviço.

Mas o que significa a melhor ferramenta para o serviço?

Conhecer o perfil do seu cliente deveria ser a tarefa primordial de qualquer vendedor; como isso raramente acontece – comigo nunca aconteceu -, nós mesmos precisamos avaliar nossas características (altura, peso, etc) e qual uso faremos da moto: com isso, poderemos apontar uma categoria e em seguida passar à análise dos modelos que dela fazem parte.

Vale ressaltar que essa análise é racional e leva em consideração vários aspectos mensuráveis na hora de escolher uma motocicleta. Como esse tipo de compra muitas vezes é decidida pela emoção e não pela razão, pode ser que os argumentos aqui contidos não façam sentido para esse ou aquele motociclista. O ideal seria comprar utilizando a emoção e a razão em doses iguais, mas essa é uma tarefa impossível.

A título de ilustração, peguemos o meu caso: eu tenho 1,90 m, 94 kg, por influência da Honda XR250 Tornado não quero ficar limitado ao asfalto, uso a moto na cidade e na estrada, viajo acompanhado, preciso fazer seguro, não costumo pilotar em alta velocidade, não me agrada gastar muito em combustível, preciso me identificar com o visual da moto e não estou disposto a gastar uma pequena fortuna na compra.

Pintou o quadro? Bastou um parágrafo para ajudar a clarear as ideias, mas mesmo assim as opções são variadas. Comecemos do que já está nítido: a categoria apontada pelas informações seguramente é a estrada/fora de estrada (ou on/off-road ou dual purpose ou bigtrail ou etc); como muitas motos se enquadram nela, selecionei 6 (Suzuki DL650 V-Strom, Honda XL 700V Transalp, BMW F 800 GS, KTM 990 Adventure, BMW R 1200 GS Adventure e Yamaha XT1200Z Super Ténéré) que atendem à maioria dos meus pré-requisitos e coloquei lado a lado, ordenadas por motorização e com as características que mais me interessam. Veja só:

 DL650  XL 700V  F 800 GS  990 ADV  R 1200 GS ADV  XT1200Z
Cilindrada (cc)  645  680  798  999  1.170  1.199
Potência (cv)  67  60  85  106  110  110
Torque (kgf/m)  6,5  6,1  8,5  10,2  12,2  11,6
Marchas  6  5  6  6  6  6
Tanque (l)  22  17,5  16  19,5  33  23
Consumo médio (km/l)  18  18  22  19  16  17
Autonomia (km)  396  315  352  370  528  391
Assento (mm)  820  841  850/880  860  890/910  845/870
Peso total (kg)  217  218  207  230  256  261
Rodas (D/T)  19/17  19/17  21/17  21/18  19/17  19/17
Roda raiada  Não  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim
Pneu sem câmara  Sim  Não  Não  Não  Sim  Sim
ABS  Não  Sim  Sim  Sim  Sim  Sim
Transmissão  Corrente  Corrente  Corrente  Corrente  Cardã  Cardã
Curso da suspensão (D/T) (mm)  150/159  177/163  230/215  210/210  210/220  190/190
Distância mínima do solo (mm)  165  182  261  261  185  205
Preço sugerido (R$)  33.500  35.000  42.900  55.900  89.900  59.900

Por mais que eu tenha tentado racionalizar a escolha dos modelos, fui traído pela emoção, claro: mais do que ótimas motocicletas, essas 6 são as que mais me agradam visualmente e com certeza algumas das que deixei de fora são excelentes; como elas possuem características técnicas semelhantes, defini quais são os pontos que me interessam mais (curso da suspensão, roda raiada, distância mínima do solo, torque) e menos (cilindrada, potência, transmissão) para atribuir pesos diferentes aos itens e assim chegar à uma conclusão: Suzuki DL650 V-Strom, Honda XL 700V Transalp e BMW F 800 GS estão no páreo final.

Agora vem a parte complicada: eleger uma única companheira de estradas. Quem será a escolhida? Façam suas apostas. Na próxima semana a eleita estrelará um artigo aqui no Diário de Bordo.

Yamaha XT1200Z Super Ténéré


Choveu na minha horta.

Por mais estranha que a frase possa parecer – ainda mais com a seca persistente que se abateu sobre a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul -, ela me ocorreu enquanto pilotava uma Yamaha XT1200Z Super Ténéré por estradas vicinais do interior do RS. Não é justificável a minha alegria?

Empurrada por um propulsor bicilíndrico de exatas 1.199 cc que gera 110 cv a 7.250 rpm e 11,6 kgf/m a 6.000 rpm, essa Super possui câmbio de 6 velocidades, suspensão dianteira upside-down, tanque de combustível de 23 litros, assento posicionado a 845 mm do solo (ajustável até 870 mm), altura mínima do solo de 205 mm, pneus 110/80-19 e 150/70-17, 261 kg em ordem de marcha e uma útil tomada 12 volts no painel.

Além das informações técnicas, vale dizer o seguinte:

1. Seguindo o padrão das demais motocicletas da marca dos diapasões, a ST tem um acabamento impecável em todos os itens: pintura, encaixes, metais, tudo; some-se a isso um visual agressivo e o que temos é uma moto que atrai olhares por onde quer que passe.

2. Apesar de inicialmente parecer grande e potencialmente desajeitada, em movimento ela é leve e não parece uma 1200 cc que pesa mais de 260 kg; as mudanças de direção não exigem esforço e mesmo em baixa velocidade o equilíbrio das massas é notável.

3. Vários fatores contribuem para o conforto do piloto – posição de pilotagem relaxada, densidade da espuma e altura do banco adequadas, boa proteção aerodinâmica -, mas são as pedaleiras, tanto pela posição quanto pela construção, que merecem destaque em função da segurança que transmitem.

4. O formato do tanque e a distância entre as pedaleiras e o guidão tornam a pilotagem de pé muito confortável, dispensando a utilização de risers para aumentar a altura do ponto de fixação do guidão (em outras motos, como a Honda CB 1300 SF, minhas mãos mal alcançavam as manoplas; na ST, o encaixe é perfeito: mãos firmes nos comandos e pernas apoiadas no tanque).

5. Diferentemente de outras bicilíndricas que experimentei, ela não exige rotações altas em todas as marchas (é possível rodar em sexta com o ponteiro em 2.000 rpm), mas para o motor responder com disposição aos comandos do acelerador é preciso manter o giro acima das 4.000 rpm.

6. Os freios dianteiro e traseiro são muito eficientes e é fácil perceber o ABS em ação quando o piso é instável; infelizmente para que gosta de abusar da roda travada na pilotagem off-road, não há um comando para desligar o ABS, mas isso pode ser feito enganando os sensores com a moto no cavalete (o que eu obviamente não recomendo).

7. No completo painel (que após um trecho de 150 km apontava incríveis 23,4 km/l) falta apenas um indicador de marcha, equipamento que inexplicavelmente não está presente na ST mas pode ser encontrado como acessório after-market.

8. Com as estradas que temos no Brasil, é um prazer notar como as imperfeições do asfalto são suavemente copiadas pela suspensão – que possui ajustes de fácil utilização -, deixando o piloto completamente isolado da buraqueira.

9. Para mim, que nunca tive uma moto com esse tipo de transmissão final, o eixo-cardã é uma grata surpresa: além de não exigir tanta manutenção quanto a corrente, ele não muda a pilotagem em nenhum aspecto e é muito silencioso.

10. O controle de tração atende aos mais variados tipos de pilotagem e não deixa ninguém na mão: além de ter 2 modos – e ser combinável com os modos de pilotagem sport (mais agressivo) e touring (mais comportado) -, ele pode ser desligado para a diversão de quem gosta de enrolar o cabo no chão batido.

Ninguém esperava menos: a XT1200Z cumpre o que promete e honra o nome que carrega. Os emplacamentos ainda estão aquém do esperado (o preço praticado aqui no Rio Grande do Sul bate nos R$ 66 mil), cenário que deve mudar se a Yamaha continuar apostando no sucesso da matriarca da família que veio do deserto no Brasil.

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