Harley Davidson Fat Boy: radiador, Xied & pneu traseiro


Como eu disse a um amigo aqui no blog outro dia, rodar com a moto é só uma parte da diversão: montar e desmontar a parceira de estradas é uma terapia impagável. No final da minha última empreitada terapêutica (descrita no artigo Harley-Davidson Fat Boy & Power Commander III), deduzi que a solução para a temperatura do motor se daria através de um radiador de óleo.

Solução? Para qual problema?

A bem da verdade, é injusto classificar o calor dissipado pelo TC96B como um problema: o mais correto seria dizer que essa é uma característica dos motores arrefecidos a ar; como um usuário diário de um deles no trânsito urbano de uma capital, é natural que eu perceba nitidamente os sintomas dessa combinação.

Para embasar melhor a minha decisão, comprei um multímetro com termômetro e passei a monitorar a temperatura1 em 4 pontos: aleta superior do cilindro traseiro, aleta superior do clindro dianteiro, curva do escape do cilindro traseiro (teoricamente o pior caso, já que o cilindro traseiro recebe um fluxo de ar menor que o dianteiro) e óleo do motor.

Medindo a temperatura na estrada

Os resultados não podiam ser mais previsíveis: o óleo do motor se mantém na casa dos 90°C na maioria das situações e as aletas dos cilindros um pouco acima disso, nada de anormal até aí. A curva do escape do cilindro traseiro, por outro lado, apresentou temperaturas acima dos 220°C em algumas situações: como ela recebe diretamente o resultado da combustão, isso não chega a ser um problema mas aponta os escapes como importantes fontes de calor.

Se o óleo não é problema, adeus radiador. Quem sabe um Xied resolva o caso?

Os Xtreme Inline Enrichment Device são basicamente resistores para os sensores de oxigênio que passam a perna na injeção eletrônica para que ela, em closed-loop2, libere uma mistura ar/combustível3 mais ou menos rica.

A ideia faz sentido: com uma mistura mais rica (e portanto mais fria), o resultado da combustão é menos quente e a temperatura dos escapes – que residem próximos ao piloto e por isso influenciam tanto no calor sentido – não se elevará tanto. Na prática, entretanto, não percebi mudança significativa no calor gerado pelo conjunto todo mas mantive a mistura ligeiramente mais rica que a de fábrica para proteger o motor da famigerada mistura pobre – que pode, em situações extremas, até furar um pistão.

Por fim, fiz o que recomendam os mais experientes: desencanei do calor, que nem é tão forte assim no final das contas (e depois disso tudo, pensando bem, a Honda CB1300SF que tive também era um vulcão no trânsito urbano).

******

Uma vez que o encontro anual da Lista Shadow está chegando e o pneu traseiro havia entregado os pontos pouco depois da viagem a Bonito (MS), precisei adquirir outro: como em Porto Alegre ainda não há uma revenda H-D, a solução foi encomendar de SP. Como estou utilizando um Metzeler Marathon na dianteira, pensei em colocar o mesmo modelo na roda traseira – mas o melhor preço que encontrei foi R$ 1.300; seguindo a dica de um proprietário de Fat Boy, encontrei o Dunlop original (na Tedesco Pneus) por R$ 950 e acabei optando por ele.

Bridgestone BT020 e Dunlop D407

Dunlop D407 instalado na Fat Boy

Apesar de mais duro e menos aderente, o D407 é mais durável e preciso passar um tempo sem comprar pneus (o primeiro foi espetado por um parafuso, o segundo durou 6.000 km e já estou no terceiro): nesse ritmo e com os preços praticados pelo comércio, em pouco tempo vou gastar o valor de uma moto só em pneus traseiros.

******

1 Os valores apontados aqui não possuem uma precisão técnica, já que meu método foi apenas percorrer as mesmas distâncias nas mesmas condições (de trânsito, na mesma temperatura externa, etc) e medi-los na mesma sequência para chegar a uma conclusão.

2 A injeção eletrônica dos motores TC96 opera em closed-loop (quando consulta os sensores de oxigênio) e em open-loop (quando não consulta): traduzindo em números, closed-loop significa estar abaixo de 4.000 rpm e 40% de abertura do acelerador (de acordo com a fonte, esses números podem divergir ligeiramente).

3 O termo mistura se refere à quantidade de partes de oxigênio por parte de combustível injetadas na câmara de combustão do motor: quanto menos partes de oxigênio (ex.: 14,1:1), mais rica a mistura; quanto mais (ex.: 14,7:1), mais pobre. Naturalmente há muito mais por trás disso e o objetivo aqui não é discutir esse assunto: caso seja do seu interesse, pesquise no Google por air fuel ratio e divirta-se.

Tornado de sapato novo


Já fazia um bom tempo que eu vinha observando a roda traseira da Tornado perdendo a tração em algumas situações e no final de semana passado, durante a motocada pela Barrocada (onde encontramos trechos com muita areia solta), final e tardiamente decidi que o pneu traseiro deveria ser substituído.

Antes de bater o martelo, saí pesquisando as alternativas possíveis e descobri que são muitas – Levorin, Michelin, Pirelli, Rinaldi, Mitas, Magion, Bridgestone -, bem como os preços praticados (entre R$ 130 e R$ 300). Para ajudar na decisão, li as opiniões dos proprietários e, provavelmente por conta do uso e do custo/benefício, encontrei opiniões divergentes, o que acabou por me deixar mais indeciso ainda.

Na minha pesquisa, considerei apenas os pneus de uso misto: como costumo utilizar a Tornado nas estradas de chão batido, o pneu de rua seria um problema principalmente na areia solta e o com cravos, por outro lado, não seria adequado para o uso urbano e nas estradas pavimentadas que eventualmente percorro.

Por fim, depois da avalanche de informações, acabei escolhendo o Metzeler Enduro 3, pneu que equipava originalmente a Honda Tornado e me pareceu bastante bom, apesar de eu tê-lo utilizado somente no fim da vida (a duração foi razoável: 10 mil quilômetros). O valor não foi dos mais baratos – R$ 309, instalado na concessionária -, mas com um pneu liso a brincadeira no chão batido fica menos divertida.

Velocidade máxima: 0 km/h


No começo dessa semana, saí com Honda Tornado (ou a Pitty, conforme batizou a dona da pensão) para o trabalho e percebi algo errado no painel; olhando com mais atenção, vi que nada se mexia nele: odômetro, odômetro parcial, velocímetro… Nada. Fui até meu destino conjecturando sobre as possibilidades – cabo quebrado, conexões no painel ou na roda frouxas, o próprio painel, roda, etc – e sobre como resolver, o que fiz apenas quando cheguei em casa e passo a descrever.

Em busca do problema

Seguindo o cabo do velocímetro desde o cubo da roda dianteira (e o aperto da conexão no desmultiplicador estava Ok, o que me fez descartar essa possibilidade), vi que ele passava por trás da carenagem do farol; bastou uma chave 10 para afrouxar os dois parafusos laterais e já tive acesso à conexão superior (mais uma possibilidade descartada).

Como o pior caso – problema no painel – estava fora das minhas capacidades técnicas, nem pensei em testar nada naquela região e só me sobrou soltar a conexão superior do cabo do velocímetro, puxar a moto contra o pezinho, tirar a roda dianteira do chão e girá-la com o pé para simular o movimento da moto; como o cabo continuava parado, puxei a ponta dele e – bingo! – achei o problema: cabo quebrado.

Depois de soltar a abraçadeira que fixa o cabo no garfo, retirei o cabo do velocímetro do desmultiplicador (ambos os parafusos, da abraçadeira e do desmultiplicador, são phillips) e aproveitei para fazer um último teste: levantei novamente a roda da frente e girei a roda com o pé para ver se o macho no interior do desmultiplicador estava girando – e estava, o que restringiu o problema ao cabo. Menos mal.

A troca

De posse do novo cabo (original, R$ 20 na concessionária: há outros, de até R$ 12, mas não achei interessante a economia), fiz o processo inverso – encaixei a ponta no desmultiplicador, fixei na abraçadeira do garfo, conectei no painel e parafusei a carenagem do farol – e em poucos minutos o velocímetro voltou à vida. Não me parece que essa troca vai me garantir sossego por muito tempo (se aconteceu nos 8.000 km, deverá acontecer novamente nessa quilometragem), já que o vilão me pareceu ser a umidade, mas pelo menos agora a solução está conhecida e o custo não é alto.

Mototerapia

Muitas vezes – por falta de tempo ou de conhecimento – evito fazer eu mesmo as manutenções que a moto exige, apesar de gostar muito e da tarefa ser relaxante como poucas. Neste caso, entretanto, resolvi dar uma xeretada no problema antes de encaminhar ao mecânico para ver se a tarefa era complicada e como não era, abracei a bronca: além da óbvia necessidade que temos de conhecer minimamente as máquinas que pilotamos (no meio de uma viagem pode ser preciso corrigir algo) e da economia de tempo e dinheiro, o prazer de mexer nas entranhas da companheira de estradas é grande. Recomendo fortemente.

    REDES:  

  • rss
  • youtube
  • Twitter
  • flickr
  •  
  • PESQUISAR NOS ARQUIVOS: