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Arquivo da Categoria ‘Motocadas’

Caminhos do Mercosul: Brasil, Argentina e Uruguai

8, março, 2010

Prezado leitor:

O Diário de Bordo para por uns dias enquanto visito os hermanos para comer uma parrillada. Na volta, de forma análoga ao que aconteceu no ano passado, publicarei as histórias e imagens da motocada.

Grande abraço,

Piréx

Rota Verão 2010: Brasil, Argentina e Uruguai

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CB 1300 Super Four 1 x 0 Serra do Umbu (03/03/2010)

4, março, 2010

Rota: Porto Alegre/Osório/Maquiné/São Francisco de Paula/Taquara/Gravataí/Porto Alegre

Distância percorrida: 330 km

Já fazia um bom tempo que me assombrava a ideia de subir a Serra do Umbu, partindo de Maquiné (RS) e chegando até  São Francisco de Paula (RS) – mas como fazer isso com a CBzona e seus 260 quilos apoiados em pneus de rua? Hoje pela manhã, meio por acaso – outros compromissos foram cancelados -, fui até Maquiné para ver in loco o tamanho do problema.

Ao chegar lá, já perto do meio-dia, parei em um posto de combustível e as informações que levantei sobre a estrada não eram animadoras: “É possível”, me disse o frentista, “mas são 56 km de estrada de chão. Show mesmo é ir até Terra de Areia e subir a Rota do Sol”. Como já fiz e refiz esse trajeto várias vezes, essa não era uma alternativa e o jeito foi encarar com muita calma a RS-484 sem a expectativa de chegar até São Chico.

A primeira parte da estrada, plana e sempre com um rio por perto, foi uma tranquilidade só e inverteu a lógica, pois a calmaria veio antes da tempestade: quando a sucessão de curvas em aclive começou, precisei me concentrar para escolher os melhores trechos da estrada (em alguns momentos foi necessário colocar os pés no chão para dar direção à moto, pois parecia que as pedras soltas ditavam o rumo da CB). Quando cheguei no topo da serra, o prêmio foi a vista deslumbrante, mas ainda faltavam os quilômetros finais que, apesar de planos, estavam sendo patrolados e sem o trabalho finalizado, manter um rumo se tornou um trabalho hercúleo. Depois de quase comprar um terreno nos Campos de Cima da Serra – não me pergunte como não caí -, cheguei à RS-020 que, apesar de não estar em sua melhor forma, me pareceu o asfalto mais perfeito do mundo.

Resumo da ópera: o lugar é belíssimo, possui fauna e flora exuberantes, o povo é muito acolhedor mas a CB1300SF não é a ferramenta mais adequada para executar esse serviço; o ideal seria utilizar uma trail de média cilindrada, já que as curvas em aclive também seriam um problema para motos como a Honda XL1000V Varadero ou da Suzuki DL1000 V-Strom principalmente por conta do movimento inercial. Mesmo com elas, como disse o frentista, é possível.


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Mercosur Moto Club rumo ao Chile (01/03/2010)

2, março, 2010

No final do ano passado descobri por acaso o blog do Mercosur Moto Club ao pesquisar por para-brisas para a CB1300SF; deixei um comentário lá e acabamos trocando algumas idéias sobre a Four, já que um dos integrantes também é proprietário de uma.

Depois de um planejamento de 4 meses, passaram por aqui o Wilson e o Michael já no terceiro dia de uma jornada de pouco mais de 10.000 km que inclui, além do Brasil, Uruguai, Argentina e Chile. Como estou de férias, acompanhei os aventureiros até a cidade de Camaquã (RS), munícipio distante 130 km de Porto Alegre (RS), onde a dupla decidiu parar para almoçar: enquanto comíamos, nos divertimos falando sobre as viagens do passado, do futuro e tudo mais que sempre surge em uma mesa composta por motociclistas.

Após o almoço, me despedi dos dois e voltei a Porto Alegre pensando nos espetaculares quilômetros que ambos têm pela frente. Boa viagem, Wilson e Michael, e nos tragam muitas imagens e histórias!

Adesivo da viagem ao chile

Roteiro da viagem

Wilson e Michael em Camaquã (RS)

(N. do E.: na manhã de ontem, coloquei um adesivo na lateral do tanque, que pode ser visto na imagem acima, para evitar que o contato com a calça de cordura suja arranhe a pintura. Vou aguardar até a volta da próxima viagem para ter certeza, mas fiquei com a impressão que será eficiente – e custou apenas R$ 20.)

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Canha, cachaça, pinga ou branquinha, é tudo marvada (23/01/2010)

24, janeiro, 2010

Rota: Porto Alegre/Estância Velha/Ivoti/Nova Petrópolis/Feliz/Montenegro/Canoas/Porto Alegre

Distância percorrida: 330 km

Produzidas através dos processos de fermentação e destilação, as aguardentes são bebidas fortemente alcoólicas e, entre elas, a cachaça – tipo de aguardente produzido a partir da cana-de-açúcar e e com raízes profundas na cultura brasileira – certamente é a mais popular. A cachaza brasileira possui uma regulamentação que a define (Instrução Normativa nº 13, de 29 de junho de 2005) e um profissional especializado em tudo o que lhe diz respeito (o cachacier, versão do termo sommelier).

Foi para aprender mais sobre o assunto que saímos ontem no começo da tarde, eu e o Roger (participante do fórum HornetOnLine que também estava no grupo de gaúchos que foi ao Salão Duas Rodas 2009), rumo à cachaçaria Weber Haus, em Ivoti (RS): pretendíamos rodar até lá por estradas vicinais, mas um grave acidente interrompeu a VRS-815 e acabamos desviando pela BR-116 .

Weber Haus

Instalada na localidade de Picada 48 Alta, a Casa dos Weber produz, desde 1948, sua famosa cachaça de alambique: hoje em dia há um  monitoramento completo, desde o plantio até o produto final, assegurando um resultado premiado e consumido, entre outros, por mercados exigentes como o alemão, o italiano e o norteamericano.

Com o único objetivo de escrever relato fidedigno, me submeti à dura tarefa de degustar os produtos dos Weber e atesto que a decisão de escolher a melhor cachaça (branca, amarela, com limão, com abacaxi, etc etc), além de difícil, certamente está ligada apenas às minhas preferências; partindo desse pressuposto, recomendo que os nobres leitores visitem a cachaçaria e tirem suas próprias conclusões, mas informo que voltou na garupa da moto uma garrafa da multipremida Weber Haus Prata que degusto enquanto escrevo essas mal traçadas linhas.

Hora de voltar

Eu li em algum lugar que percorrer caminhos diferentes na ida e na volta ajuda a manter os neurônios saudáveis – e levo isso muito a sério (alguém dirá que é apenas uma desculpa para rodar mais de moto, mas estou apenas cuidando da minha saúde): ao sairmos de Ivoti, continuamos subindo a serra até pouco depois de Nova Petrópolis – com uma parada na Tenda do Umbú para um café com pastel – e descemos por Feliz. Nada mal para uma motocadinha de sábado à tarde.

Mais informações:

(N. do E.: nas estradas por onde rodamos – BR-116, RS-235, RS-452, RS-122, RS-240 e BR-386 -,  o único segmento que exige cuidados adicionais na pilotagem é o da BR-116 na região de Picada Café, onde há saibro na pista por conta das obras de recapeamento.)

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Serra gaúcha: curvas, chão batido e sol na moleira (19/12/2009)

20, dezembro, 2009

Rota: Porto Alegre/Nova Petrópolis/Gramado/Taquara/Novo Hamburgo/Porto Alegre

Distância percorrida: 280 km

Depois de várias semanas escondido, o astro rei resolveu dar as caras aqui no Rio Grande do Sul: desde o último domingo não chove por estas bandas e na tarde de ontem resolvemos, eu e o Tara, colocar as crianças na estrada para o que deverá ser a última motocada de 2009.

Já na saída, o calor me fez lembrar que estamos a dois dias do verão e que os equipamentos imprescindíveis (botas, luvas e jaqueta) ficam cada vez mais difíceis de serem usados; com ou sem eles, é preciso que haja atenção quanto à hidratação e o uso de protetor solar é recomendável. Se na BR-116 entre Porto Alegre e Novo Hamburgo – a partir de onde a natureza substitui a densa urbanização da região metropolitana da capital – o calor é intenso, no segmento posterior o ar-condicionado natural mantém a temperatura em níveis aceitáveis (o termômetro da moto rondou os 35 graus durante a maior parte tarde).

Para minha surpresa, a BR-116 em Picada Café (RS) ainda está interrompida em função das últimas chuvas e utilizamos um trecho de chão batido com 1,5 km de extensão para contornar o desmoronamento. Quem deu a dica do desvio foi o frentista de um posto de gasolina, que completou a frase com um “cuidado, tem caído muita moto”. Quando saí do posto, não acreditei que um trecho tão pequeno poderia oferecer algum risco, mas pode: as descidas em curva são íngremes e a inércia desconhece freios a disco, ABS, CBS ou qualquer outra traquitana tecnológica. É mandatório rodar devagar, quase parando.

Depois de algumas dezenas de quilômetros em transe, rodando devagar e aproveitando o visual da BR-116 e da RS-235, chegamos a Gramado: logo no pórtico de acesso, as ruas lotadas me lembraram que esta época do ano é altíssima temporada na região, o que sempre sugere cuidado redobrado. Depois de uma garrafa de água gelada, voltei ao transe na bela descida da RS-115 e pouco tempo depois já estávamos de volta à calorenta BR-116 para os quilômetros finais antes de casa.

Rota

Desvio em Picada Café

V-Strom voando baixo

RS-115 entre Gramado e Três Coroas - Foto 1

RS-115 entre Gramado e Três Coroas - Foto 2

Impossível atingir o limite de velocidade

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