Repetindo o que fiz no feriado de carnaval do ano passado, aproveitei a folga para ganhar mais experiência com a BMW F 800 GS nas estradas de chão batido da região de Osório, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, e avaliar os acessórios que adquiri recentemente.
Ao longo da manhã de domingo, eu e o Henrique (proprietário de uma Yamaha XT 660R) fomos até Barra do Ouro, distrito de Maquiné, onde cruzamos a Serra da Boa Vista - por onde eu já havia passado em maio do ano passado - para em seguida passar por Riozinho, Caraá, Alto Rio dos Sinos e finalmente Osório. Rodamos ao todo 130 km e aproximadamente 30 km foram sobre asfalto: como o piso dos 100 km de estradas de chão variou bastante, foi educativo ver como a GS se comporta em cada situação:
- Na subida da serra, onde o saibro é firme e há poucos pedras soltas, a precisão do acelerador tornou tranquila a pilotagem e a altura do solo fez com que mesmo os obstáculos maiores (como pedras encravadas no chão) fossem vencidos sem maiores preocupações.
- Como as estradas do topo da serra têm o piso bastante compactado, foi possível imprimir uma velocidade maior e testar os freios com o ABS desativado: demora um tempinho para que a tendência de sair de traseira ao travar a roda seja assimilada pelo piloto, mas bastam algumas repetições e a correção da rota fica automática.
- Na descida a coisa complica: ao contrário da subida, serra abaixo a falta de tração gera uma sensação de insegurança e nos trechos onde há pedras soltas a roda traseira travada (e a consequente saída imediata de traseira) é um convite irrecusável para que o piloto visite o mato às margens da estrada.
Em suma, o comportamento da 800 em chão batido é bastante previsível e não tenho reclamações a fazer (a questão da descida com pedras soltas pode ser resolvida com velocidade baixa e, em caso de travamento da roda, soltar o freio traseiro faz com que a moto retome o rumo – mas é preciso avaliar se a aceleração não vai piorar o problema), mas fica cada vez mais nítido que cursos e muito treino são essenciais para quem pretende encarar estradas com pisos instáveis longe de casa (onde, em teoria, precisar de resgate é um problema maior).
O feriado serviu também para testar o suporte de GPS da RAM Mount (o guidão da GS é mais largo no centro e a abraçadeira que possuo não alcança): para evitar a gambiarra que tive que fazer às pressas para utilizar o 60CSx no guidão da Fat Boy, comprei um modelo ajustável e não me decepcionei; entre outras coisas, as articulações permitem que o aparelho seja posicionado de forma que a incidência do sol não atrapalhe a leitura. O protetor de cárter trabalhou bastante – basta ver a quantidade de marcas das pedradas que ele levou – e resolvi com arruelas (entre o ponto de fixação e o coxim preso ao cárter) a proximidade do escapamento. De quebra, finalmente descobri que o ruído em rotações intermediárias estava vindo do acabamento entre os tubos do protetor do motor (que foram eliminados com uma volta de fita isolante em cada ponta).
Por fim, a constatação de sempre: corrente e coroa ficam em um estado lastimável ao final de um pequeno trecho de chão batido (a lubrificação foi feita com Motul Chain Lube) e exigem uma limpeza antes da próxima motocada. Há que se ter paciência com a companheira de estradas: ela merece.
(N. do E.: apesar da ausência de chuva, a umidade da região embaçou a lente da câmera presa ao capacete e o vídeo que deveria ilustrar este artigo ficou literalmente nebuloso. Na próxima vez vou lembrar de utilizar a tampa ventilada da GoPro que existe justamente para este tipo de situação.)






























