Rota: Porto Alegre (RS)/Torres (RS)/Tubarão (SC)/Florianópolis (SC)
Distância percorrida: 475 km
Já fazia um bom tempo que eu estava tentando conciliar folgas e alvará para motocar até Florianópolis e comparecer à Quinta dos Lordes; na última quinta-feira, finalmente, surgiu uma oportunidade e o meu conterrâneo Daisson, em um momento de insanidade temporária (pelos motivos que veremos adiante), topou participar da indiada.
Durante a semana passada a meteorologia avisava que um enfurecido El Niño pairava sobre a região sul do Brasil (segundo o jornal Zero Hora), mas a vontade de rodar me levou a lembrar de um velho adágio gaudério (“quem quer mentir que fale do tempo”) e nem me ocorreu que a chuva poderia tirar o brilho do passeio e nos acompanhar o tempo todo – e foi exatamente isso o que aconteceu: foram pouco mais de 1100 quilômetros debaixo de chuvas que variaram do aguaceiro à tempestade. Foi sem sombra de dúvidas a maior quantidade de chuva que já encarei sobre uma moto e, para piorar, estávamos utilizando a BR-101, já cantada em prosa e verso aqui no blog.
BR-101: mais do mesmo
Em linhas gerais, a BR-101 entre Osório e Florianópolis segue do mesmo jeito – cheia de desvios e esburacada – e a única novidade é a colocação em uso de alguns trechos já duplicados: o maior deles tem mais ou menos 15 km e os demais entre um e quatro. Há muito o que reclamar, mas para não torrar a paciência do nobre leitor, destaco:
- as irregularidades da pista fazem a moto dançar, dando a sensação de pneu furado; com chuva (e os sprays que os caminhões e ônibus projetam) e a consequente diminuição do alcance da visão, as deformações nos pegam de surpresa quase sempre;
- alguns condutores ainda não adquiriram o hábito de acender os faróis quando está chovendo, tornando as ultrapassagens mais arriscadas do que deveriam ser (na medida em que podemos não enxergar um veículo em sentido contrário);
- as muitas placas indicando os possíveis caminhos em cada desvio (retorno, trânsito local, continuação da BR-101, etc) se tornam ilegíveis e confusas à uma certa distância – mas desacelerar pode significar uma buzinada ou até uma batida;
- em função das obras, há muitos segmentos de pista alagados que podem facilmente desestabilizar a moto ou tirar temporariamente a visão do piloto se um veículo passar em sentido contrário (naturalmente a culpa não é da obra ou de São Pedro: faltou prever o escoamento).
Se você pretende passar pelo trecho da BR-101 entre Osório e Florianópolis de moto e a previsão é chuva, tente pelo menos evitar a noite: a água acumulada na viseira a transforma em um caleidoscópio (com as luzes dos veículos em sentido contrário) e o que deveria ser prazer se transforma em pesadelo. Por fim, a maior de todas as ironias: um pouco antes de Florianópolis há um belo e formoso pedágio no qual as motos também pagam.
Hora da bóia
Em condições normais, a hora do almoço já seria bem-vinda; depois de encarar uma BR-101 em obras, com muito trânsito pesado e debaixo de um dilúvio, desembarcar da moto e tirar a capa de chuva é ótimo. Em Tubarão, Teneré e Azul nos receberam e fizeram companhia durante a hora da bóia: me pareceu que a chuva estava desistindo de nos acompanhar, mas ela logo daria as caras com intensidade novamente (nem durante a parada que precisamos fazer em Laguna por conta da retirada de um caminhão da lateral da pista parou de chover).
Parados sobre a BR-101 em Laguna, aconteceu um evento daqueles que só quem roda de moto conhece: começamos a bater um papo com outro motociclista (que estava indo para Joinville) e ele comentou que precisava de um banheiro – mas onde? Ele mesmo deu a solução: uma das casas à margem da estrada. Ficamos acompanhando de longe a aventura do motociclista, que não só obteve sucesso em pedir para usar o banheiro como foi convidado para o café da tarde. Aliviado, ele voltou depois de um bom tempo e ainda batemos mais um papo até que a estrada fosse liberada; em seguida, tocamos juntos até Floripa, onde nos separamos e ele seguiu para os seus 180 quilômetros finais.
Quinta dos Lordes
Logo que chegamos na Ilha da Magia, avisei o Vôdegar que estávamos instalados e fui informado que a partir das 19h os convidados começariam a chegar. Depois uma volta pelo continente à procura de um posto de gasolina, encostamos as motos no local do evento semanal: em poucos minutos já havíamos sidos apresentados a todos e, como de costume, estávamos muito à vontade entre os Lordes e seus amigos.
Ao longo da noite revimos amigos, fizemos outros, tornamos reais as amizades até então virtuais e comemos um belo entrevero: para não cometer uma falha imperdoável, não vou citar nomes – exceto o do Vôdegar e o da Iraide, nossos anfitriões e elos de ligação com essa turma nota 10 – e agradecerei a todos pela bela acolhida. Valeu a pena encarar a BR-101 para comparecer à Quinta dos Lordes.
Mais informações:





















Puxa…
A viagem pela descrição parecia super-legal. Até eu ver as fotos…
1) O cara leva GPS pra andar na reta? E em terrenos pra lá de conhecido? É como precisar de mapa pra ir na padaria…
2) Moto parada na estrada por causa de engarrafamento? Nuuuuuuunca vi disso.
3) Achei a maior desfaçatez desaconselhar os amigos a pegar a estrada com chuva e à noite. A la putcha, que graça tem a vida se andamos sempre da sala pro quarto e deste pra sala de vuelta?
Valeu, estamos esperando registro do retorno.
Abrazon
EL GDM
[...] Apesar do dilúvio no dia anterior, minhas expectativas haviam melhorado bastante depois que voltamos da Quinta dos Lordes sem chuva: talvez o retorno fosse com tempo seco, o que nos permitiria rodar com segurança até a Serra do Rio do Rastro e com isso evitar uma boa parte da BR-101. [...]
Hehehe. O GDM teria usado aquela técnica de frear, deitar a moto e passar deslizando por baixo dos caminhões.
Pô peãozinho….não te liguei prá ir junto…..pois não confiava que tu era corajoso indio véio…..
Mas esse passeio/tormento tu vai guardar prá sempre….srsrsr
E eu que ainda acho que prá mim não tem tempo feio…tô aqui dentro de casa com medo duma garoa….putz la mierda….
Um abraço….
Só prá te lembrar….amanhã(domingo ) tem aniversário do Celso ali em Lomba Grande….boi no rolete….
GDM:
Exceto pelo Diabolin, não conheço mais ninguém que goste de viajar perguntando a todo momento “como faço para chegar em xyz?”, “essa estrada é a abc?”. Mesmo em Florianópolis (onde eu não ia há muitos anos), chegar no hotel e no local de encontro dos Lordes foi uma barbada.
Landão:
Essas técnicas do GDM são de uso restrito e provavelmente protegidas pela lei dos direitos autorais. Eu não me arrisco a usá-las em hipótese alguma.
Peão:
Era água que não acabava mais, parceiro. Lá pelas tantas desisti de tentar me manter seco. E sobre amanhã, só vou se estiver um solaço e temperatura acima dos 30 graus
Abraços!
Landão,
Com essa moto, a gente passa POR CIMA e não por debaixo.
Piréx, daqui a pouco vais deixar o GPS dirigir pra ti, escrev’aí.
Abrazon
el
Eita e eu q achava que era campeão de andar na chuva/Vendaval/tempestade…rsrrs depois daquele carnaval em URUKUBACA, mas o 6 se puxaram dessa vez…Ta loko!!! parabéns pela motokada…Esperamos que em 02/nov. o tempo esteja bom e o GDMALA continue em casa, torecendo pra que dê (UI) sol…
KKKK
Abraço
OGRO
GDM:
Será que vou viver para ver um GPS que pilota por mim? Espero que sim e que não demore: ficar prestando atenção na estrada quando há paisagens como as da serra catarinense para olhar é danado de ruim.
Ogro:
Debaixo daquele temporal, me lembrei da nossa vinda de Uruka com o mundo caindo na cabeça de vocês e eu no conforto do meu coxa… Agora tomei na cabeça. Faz parte.
Abraços!
Parabehns Pirex e Daisson,
Ha dois meses deixei minha Shadow600 pro meu filho e comprei uma LC 1500 ano 2005 com 4.500 km rodados. Lembro de ter perguntado ao sujeito que me vendeu a LC porque ele andou tao pouco com a moto e ele me respondeu: Seguinte, se chove, nao ando, se faz muito sol, tambem nao ando. Estava em Guarulhos onde fui buscar a moto e retornei até Floripa debaixo de chuva. Foi uma das experiências mais marcantes que tive motocando e as recordaçoes guardarei como se fosse um tesouro. A vida é muito curta pra andar de coxinha e deixar a moto sozinha na garagem. Imagina poder contar que se escondeu com a moto debaixo de um viaduto pra fugir de um tornado. Nao tem preço.
Voceis dois mandaram bem e foi um privilégio recebe-los na 5a. dos Lordes. Abraços
Lorde Hamper
Lordes MC
Florianopolis-SC
Hamper, nós – tenho certeza que falo pelo Daisson também – é que agradecemos a acolhida nota 10 de vocês; mesmo com a chuva (e os estragos dela na BR-101), o saldo da motocada foi altamente positivo. Seguramente vou repetir a visita assim que for possível e aguardo vocês por aqui: as portas estão sempre abertas aos amigos.
Grande abraço!
No fim de 2002 quando já faziam 13 anos que não mais possuia e nem andava de motocicleta comentei com minha adorável esposa.
- Estou com a vontade de adquirir novamente uma motocicleta.
Foi quando fui a cata de uma que me agradasse em estilo, porte e conforto.
Após uma procura detalhada posso dizer que a encontrei, encomendei e comprei, a mantendo até hoje como minha parceirona registrando os quilômetros bem rodados de satisfações e alegrias.
Um destas satisfações é o prazer de poder conhecer cada vez mais amigos e irmão de estilo de vida.
Foi um prazer conhecer vocês .
Os Lordes estão sempre de braços abertos quando vierem ou nos encontrarem.
Lorde Abç.
Lorde Paulom
LORDES MC – Florianópolis SC -
Paulom:
Eu conversava com a Baby – entre outras coisas – sobre isso na quinta à noite: além de mil outros predicados, a motocicleta tem o poder de nos colocar em contato com pessoas sensacionais como vocês e que provavelmente nunca iríamos conhecer se não fosse por ela.
A recíproca é verdadeira, meu amigo: as portas estarão sempre abertas por aqui – mas não demorem muito, senão é capaz de vocês terem que nos aguentar aí antes (até porque o verão está chegando e, deves saber melhor do que eu, nós gaúchos gostamos demais das praias da Santa e Bela Catarina).
Forte abraço!
Fico contente por vcs terem saido com satisfação de participarem da Quinta dos Lordes e com a idéia de voltar.
Realmente nossas praias são maravilhosas mas não podemos esquecer que este nosso Sul inteiro tem o dedo de Deus pelo povo e a maravilhosa geografia que aqui temos.
Uma vez fui com uns amigos meus motociclistas daqui até Dom Pedrito e pra completar a maravilhosa viagem acabamos na estância de um amigo Gauderio por três dias tomando mate, escutando sanfona e churrasquiando ovelha ao ar livre.
Com toda esta maravilha isso é muito bom.
Meu Lorde Abç No coração
Lorde Paulom
Certamente o Rio Grande do Sul tem muitos encantos, Paulom – e gaúcho algum dirá o contrário -, mas as nossas praias são de mar aberto e não possuem a beleza das Catarinenses.
E podes anotar: voltaremos em breve.
Abraço!
Pra quando é o casamento?
EL GDM
GDM:
Da próxima vez, venha junto para a Quinta dos Lordes. Esse negócio de ficar atrás do teclado por muito tempo seguido está te atrapalhando as idéias.
Abraço!
Que ideia?
Desde quando retardado como eu tem isso?
EL GDM
Como posso derrubar um argumento desses?
[...] poucos dias estive em Florianópolis (SC) e aproveitei para dar uma olhada com mais calma na recém-adquirida Midnight Star do Vôdegar (que [...]