Caminhos do Mercosul: Brasil, Argentina e Uruguai – 3º dia (11/03/2010)


Rota: Santa Fe/Rosario/Buenos Aires/Colonia del Sacramento

Distância percorrida: 453 km

Acordei tentando compreender a confusão que eu mesmo tinha criado no meu celular ao entrar na Argentina: deduzi, já que todos no hotel dormiam, que não devia ter dito Ok quando o telefone perguntou se deveria ajustar o horário de verão automaticamente; mais tarde, com o meu portunhol afiadíssimo, descobri que realmente eu estava 1 hora adiantado e me restou assistir um pouco de TV – en español! – até que os demais saíssem da cama, o que não demorou muito.

Repetindo o procedimento de todos os dias, tomamos café, juntamos as tralhas, carregamos as motos e saímos em busca de um posto de gasolina; seguindo a dica de um guarda, paramos em um Shell a poucas quadras do hotel que não possuía gasolina Super e a decisão dos demais foi pegar a AU1 em direção a Rosario e parar no primeiro posto que aparecesse. Depois de rodar por alguns quilômetros, descobrimos que o próximo posto de combustível ficava a 45 km dali, o que nos obrigou a sair da autopista e procurar onde abastecer nas estradas secundárias – e quando achamos, castigo supremo, havia um pedágio entre nós e o posto. Por sorte, o encarregado do pedágio entendeu a situação e cobrou apenas uma vez.

Resolvido o problema do combustível, voltamos à AU1 e aceleramos em direção à bela Rosario, cidade onde fomos fotografados para uma matéria de jornal e acabamos ficando mais do que havíamos previsto por conta da beleza do Monumento à Bandeira, edificação às margens do Rio Parana. Na saída de Rosario, uma manifestação bloqueou a estrada e precisamos fazer um desvio por dentro da periferia da cidade: só por ter apontado a saída correta para a Ruta 9, o GPS ganhou 3 novos fãs instantaneamente.

Com passagens compradas para o Buquebus das 18h30min para Colonia del Sacramento, colocamos as motos na AU9 em direção a Buenos Aires preocupados em chegar a tempo para algumas fotos da capital Argentina além dos trâmites legais necessários. Por conta do trânsito intenso da região metropolitana da Capital Federal e dos trechos da pista em manutenção, chegamos depois das 17h no terminal do Buquebus e as fotos da cidade ficaram para a próxima viagem, já que mal tivemos tempo de fazer o check-in e a papelada de saída da Argentina e entrada no Uruguai (justiça seja feita: tudo isso é realizado no mesmo lugar, de forma fácil e rápida).

Cerca de 1 hora após o embarque já estávamos em solo Uruguaio: como os trâmites de entrada já haviam sido feitos em Buenos Aires, descemos do Buquebus e seguimos para o hotel, distante 7 quilômetros do centro da histórica Colonia del Sacramento, onde novamente nos recuperamos na piscina para em seguida voltarmos ao centro da cidade e derrubarmos uma parrillada – a melhor de toda a viagem. Barrigas cheias, caminhamos pela cidade (à meia-noite!) para ajudar na digestão e mais tarde voltamos ao hotel para o descanso diário.

Caminhos do Mercosul: Brasil, Argentina e Uruguai – 2º dia (10/03/2010)


Rota: Uruguaiana/Paso de los Libres/Los Conquistadores/Federal/Parana/Santa Fe

Distância percorrida: 461 km

O sol ainda nem tinha se apresentado para o serviço e eu já havia caído da cama por conta dos compromissos: além da necessidade de arrumar um Seguro Carta Verde, eu precisava pagar uma conta antes de sair do Brasil e os boatos sobre a Policia Caminera de Entre Rios não me saíam da cabeça (pensando melhor, talvez os n+1 pedaços de pizza na noite anterior e meu colega de quarto testando uma motosserra tenham abreviado meu sono).

Seja como for, a manhã de quarta-feira chegou belíssima, os problemas foram sendo eliminados – seguro adquirido, conta paga, motosserra desligada – e a estrada nos esperava, motivo pelo qual apontamos as motos para a Ponte Internacional Getúlio Vargas – Agustín Pedro Justo e em poucos minutos estávamos em solo argentino para os trâmites legais na imigração de Paso de los Libres.

Liberados, abastecemos as motos e embarcamos na Ruta 14 com destino a Santa Fe e logo nos deparamos com obras, desvios, estradas de chão batido, máquinas na pista e outras tranqueiras por conta de uma manutenção na rodovia. Mesmo nos trechos onde não há obras, o asfalto está deformado e por muitos quilômetros a pilotagem foi bastante cansativa. Quando passamos à Ruta 127, o piso melhorou – mas estávamos rodando no trecho onde vários motociclistas tiveram problemas com a Policia Caminera: difícil dizer se estes acontecimentos são coisas do passado, mas a verdade é que fomos atacados uma única vez (rigorosamente onde um senhor com quem conversei em Uruguaiana avisou que seríamos), tivemos que apresentar nossos documentos e seguimos viagem.

Depois de muitas longas horas rodando nas intermináveis retas da RN127, finalmente chegamos à Parana, nos dirigimos ao Túnel Subfluvial Raúl Uranga – Carlos Sylvestre Begnis e o atravessamos (não sem antes mexer no bolso: nas rutas argentinas, motos pagam em algumas praças de pedágio) abestalhados durante mais de 2 minutos, pois o túnel possui exatos 2937 metros de extensão. Já do lado de Santa Fe, rodamos mais alguns quilômetros acompanhados pelo imenso Rio Parana (“parecido com o mar”, do tupi para [mar] e na [se parece com]) e ficamos imaginando o trabalho de construção do túnel, que durou quase 15 anos, e a vida antes dele.

Cumprido o itinerário do dia e livres da poeira da estrada, caminhamos pelo centro de Santa Fe e encerramos mais uma etapa tomando uma Quilmes bem gelada no calçadão da cidade. Com a garganta limpa, voltamos ao hotel para o descanso necessário, pois o dia seguinte seria de Rosario, Buenos Aires, Buquebus e muito mais.

Caminhos do Mercosul: Brasil, Argentina e Uruguai


Prezado leitor:

O Diário de Bordo para por uns dias enquanto visito os hermanos para comer uma parrillada. Na volta, de forma análoga ao que aconteceu no ano passado, publicarei as histórias e imagens da motocada.

Grande abraço,

Piréx

Rota Verão 2010: Brasil, Argentina e Uruguai

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