Rota: Porto Alegre/Capão da Canoa/Tramandaí/Balneário Pinhal/Viamão/Porto Alegre
Distância percorrida: 330 km
Dia desses, um letrado – na vida e nos bancos escolares – amigo me esclareceu sobre os resgates afetivos tomando como exemplo os lugares que vivi aos quais volto com frequência (e eventualmente escrevo sobre isso aqui no blog). Na tarde chuvosa de hoje, após um almoço em Capão da Canoa (RS), me veio à mente essa conversa enquanto percorria a Interpraias, estrada por onde passei inúmeras vezes com minha família na década de 1970.
Se no passado ela era a única forma de transitar entre as praias do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, hoje em dia não só perdeu a preferência dos usuários para a RS-389 (Estrada do Mar) como também passou a ser utilizada quase que exclusivamente por quem não tem outra alternativa: como o trânsito de ônibus e caminhões é proibido na Estrada do Mar, não resta outra alternativa senão a velha Interpraias de guerra, abandonada à própria sorte em alguns trechos (como os que aparecem nas duas primeiras fotos).
Nos documentos do governo, a Interpraias se chama RS-786 e existe somente entre Quintão e Tramandaí; na vida real, entretanto, ela avança desde o Balneário Dunas Altas (em Palmares do Sul), passa pelas áreas centrais de vários municípios – entre eles, Cidreira, Tramandaí e Capão da Canoa – e termina em Torres.
Em um futuro próximo, a estrada que mistura asfalto, barro, dunas, avenidas e toda sorte de possibilidades poderá mudar de ares: aprovada como uma das prioridades na Consulta Popular do Governo do RS em 2003, a Avenida do Litoral Norte deverá resgatar as funções da Interpraias e facilitar a vida dos pouco menos de 200 mil habitantes (segundo censo do IBGE de 2000) que residem nos municípios diretamente atingidos pela obra e que chegam a 2 milhões nos meses de veraneio. É esperar para ver.





