Sábado, 25 de outubro de 1997, 7h da madrugada. Chove em todo sul do Brasil. Eu durmo o sono dos inocentes até o telefone celular tocar ao meu lado. Por conta da mãe de todas as ressacas, o toque ecoa dentro da minha cabeça. Atendo ainda dormindo e a voz do outro lado já sai falando:
“E aí, vamo?”
“Ahn? Onde? Quem tá falando?”, respondo com aquela voz sobrenatural do dia seguinte.
“Para Criciúma! Te mexe!”
“Mas tá chovendo!”
“E tu é de açúcar por acaso?”
Não, claro que não – ainda mais com aquela nervosa RD 350 LC azul (sobre a qual falei no artigo Viúva Negra, a moto que marcou gerações) na garagem pedindo estrada: relutei, na verdade, porque não sabia o que esperar de um evento de motociclismo. “Melhor me arrepender pelo que fiz do que o contrário”, pensei comigo: coloquei rapidamente algumas peças limpas de roupa em um saco, prendi no banco do garupa com uma “aranha” e fui ao encontro do meu interlocutor que me esperava montado em uma Honda CBX 750 Indy emprestada por um amigo.
Após alguns minutos de papo e um café, colocamos (nós e mais alguns amigos, como é possível ver na primeira foto) as motos na estrada rumo ao I Motomix, evento de motociclismo que no ano de 2008 teve sua 11ª edição realizada na cidade de Criciúma (SC). Poucos quilômetros depois da partida, entretanto, meu amigo comentou que estava preocupado com uma luz que acendia eventualmente no painel: seria um problema elétrico? Ou mecânico? Conversa vai, conversa vem, descobrimos: a tal luz que possuía a inscrição Top era apenas o indicador de última marcha engatada. Resolvido o “problema”, retomamos a viagem e não demorou muito – a distância a ser percorrida era pequena, cerca de 200 km – para encostarmos as motos no hotel onde pouco ficaríamos nos próximos dias.
Motos descarregadas e pilotos instalados, partimos para o (se não me falha a gasta memória) Parque Centenário, local da festa que durou 3 dias na lotada cidade do sul catarinense. Além da muvuca (notadamente pneus sendo fritados no meio da multidão, tipo de brincadeira de mau gosto que infelizmente persiste até hoje) no parque que durava o dia todo, à noite a bagunça continuava nas boates da cidade; a maior delas tinha inclusive uma terrível – para os que tomaram algumas a mais – pista de dança giratória: vira e mexe um participante do encontro capotava e por ali mesmo ficava.
O domingo chegou rápido e junto com ele um sol de rachar; para não perder o embalo, juntamos os pertences, subimos nas motos e tocamos para casa: por toda a estrada me acompanhou, dentro da jaqueta, uma peça de cerâmica (que aparece na última foto com a reprodução do cartaz do evento) que resta intacta até hoje, bem como a minha ligação com o mundo das duas rodas.























