Qual é a melhor forma de vender uma moto?


Antes de mais nada, anote-se: eu sou um péssimo vendedor. Não tenho nenhuma gota da arte do comércio correndo nas veias. Justamente por este motivo, resolvi compartilhar os caminhos que, de uma forma ou de outra, serviram para que a Honda XR250 Tornado e a Harley-Davidson FLSTF Fat Boy que me acompanhavam há algum tempo mudassem de mãos e fossem fazer a alegria de outros motociclistas.

Dito isto, uma resposta breve à pergunta que sempre me fazem:

Piréx, vendeu por quê?

Vendi por que, depois de muitos tempo – 20 anos, para ser mais preciso – rodando exclusivamente no asfalto, comprei a Tornado e com ela me enveredei pelas estradas de chão batido. A Fat Boy é uma motocicleta excelente, mas exige um pavimento de boa qualidade; a Tornado, por outro lado, ignora as irregularidades do piso e só não se transformou em minha única moto por que suas 250 cilindradas sofriam ao carregar os meus quase 100 kg. Como ficar com elas e adquirir outra nunca foi uma opção (por conta da minha restrição orçamentária, popularmente conhecida como falta de dinheiro), restou vender ambas e descobrir quem seria a sucessora.

Voltemos ao começo da conversa.

É certo que há uma pessoa interessada na sua motocicleta em algum lugar, mas onde? Descobri-la não é uma tarefa fácil e a minha experiência recente demonstrou que a melhor alternativa é atirar para todos os lados, começando pelo mais fácil (e mais barato). Passemos às minhas sugestões.

1. Anuncie em um site de classificados. Além da maioria deles não cobrar pelo anúncio, sites semelhantes aos populares Moto.com.br, WebMotors, OLX e Viva Street são muito procurados por potenciais compradores, além de permitirem que seus dados sejam corretamente indexados por buscadores, o que facilita a sua localização. Ao criar o anúncio, pense como um comprador e atente ao seguinte:

1.1. As fotos precisam falar por si. Esqueça as fotos antigas ou de viagens épicas: o que um comprador quer ver são imagens recentes, com boa iluminação, que permitam ver os detalhes da moto (pneus, pintura, painel, motor, banco, etc). Moto suja, é claro, não desperta o interesse de ninguém.

1.2. A descrição precisa ser clara e objetiva. Detalhes demais farão com que o leitor perca o interesse antes do final e talvez nem chegue na parte que realmente interessa: itens como cor, quilometragem e estado da pintura e dos pneus são importantes, mas não exagere no tamanho do texto e em hipótese alguma coloque uma informação falsa (essa última pode mandar por água abaixo um negócio fechado). Por fim, disponibilize mais de uma forma de contato, como e-mail e telefone, para agilizar o esclarecimento de dúvidas.

1.3. Seja realista no preço. Não há dúvida que as motocicletas possuem um valor afetivo para seus proprietários, mas infelizmente quem dita os preços é o mercado e não nossos corações. Um bom ponto de partida é a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, mas o preço que ela informa não é uma regra: é bom analisar os anúncios de motos semelhantes para verificar se os valores praticados estão acima ou abaixo da FIPE.


Assim fica mais fácil vender a moto

2. Use e abuse da sua rede de contatos. De posse do link do anúncio, utilize todas as ferramentas disponíveis para disseminar a informação da venda – e-mail, Twitter, Facebook, Orkut, listas de discussão, fóruns e o que mais estiver à mão – e prepare-se para negociar, já que é bem possível que surjam as mais variadas ofertas (envolvendo outros veículos, consórcios, pagamento parcelado e por aí vai).

3. Escolha uma revenda de usadas. Deixar a moto à venda em uma loja pode ser um bom negócio principalmente por que (1) o lojista pode receber outra usada na troca ou (2) conseguir um financiamento para o comprador; além disso, (3) muitas vezes compras desse tipo são feitas por impulso: um cidadão foi lá ver outra moto e acabou levando a sua para casa. Apesar da maioria das lojas não cobrar pela venda, é preciso combinar os valores (da moto e da comissão do vendedor) antes para que ninguém seja prejudicado.

4. Anuncie em um jornal de grande circulação. Fazia um bom tempo que eu não anunciava nada e confesso que fui surpreendido pelo valor – quase R$ 40 – cobrado por um anúncio simples no caderno de veículos dominical de um jornal de Porto Alegre (RS). Vale a pena anunciar em uma mídia tradicional para testar o retorno do mercado e, com calma, negociar entre os interessados oriundos da loja e das publicações na internet e no jornal.

Vender uma moto exige tempo, dedicação, paciência e muita persistência, mas com o dinheiro em mãos é possível fazer um negócio mais vantajoso na compra da próxima companheira de estradas. Boa sorte na sua próxima venda!

Harley Davidson Fat Boy: radiador, Xied & pneu traseiro


Como eu disse a um amigo aqui no blog outro dia, rodar com a moto é só uma parte da diversão: montar e desmontar a parceira de estradas é uma terapia impagável. No final da minha última empreitada terapêutica (descrita no artigo Harley-Davidson Fat Boy & Power Commander III), deduzi que a solução para a temperatura do motor se daria através de um radiador de óleo.

Solução? Para qual problema?

A bem da verdade, é injusto classificar o calor dissipado pelo TC96B como um problema: o mais correto seria dizer que essa é uma característica dos motores arrefecidos a ar; como um usuário diário de um deles no trânsito urbano de uma capital, é natural que eu perceba nitidamente os sintomas dessa combinação.

Para embasar melhor a minha decisão, comprei um multímetro com termômetro e passei a monitorar a temperatura1 em 4 pontos: aleta superior do cilindro traseiro, aleta superior do clindro dianteiro, curva do escape do cilindro traseiro (teoricamente o pior caso, já que o cilindro traseiro recebe um fluxo de ar menor que o dianteiro) e óleo do motor.

Medindo a temperatura na estrada

Os resultados não podiam ser mais previsíveis: o óleo do motor se mantém na casa dos 90°C na maioria das situações e as aletas dos cilindros um pouco acima disso, nada de anormal até aí. A curva do escape do cilindro traseiro, por outro lado, apresentou temperaturas acima dos 220°C em algumas situações: como ela recebe diretamente o resultado da combustão, isso não chega a ser um problema mas aponta os escapes como importantes fontes de calor.

Se o óleo não é problema, adeus radiador. Quem sabe um Xied resolva o caso?

Os Xtreme Inline Enrichment Device são basicamente resistores para os sensores de oxigênio que passam a perna na injeção eletrônica para que ela, em closed-loop2, libere uma mistura ar/combustível3 mais ou menos rica.

A ideia faz sentido: com uma mistura mais rica (e portanto mais fria), o resultado da combustão é menos quente e a temperatura dos escapes – que residem próximos ao piloto e por isso influenciam tanto no calor sentido – não se elevará tanto. Na prática, entretanto, não percebi mudança significativa no calor gerado pelo conjunto todo mas mantive a mistura ligeiramente mais rica que a de fábrica para proteger o motor da famigerada mistura pobre – que pode, em situações extremas, até furar um pistão.

Por fim, fiz o que recomendam os mais experientes: desencanei do calor, que nem é tão forte assim no final das contas (e depois disso tudo, pensando bem, a Honda CB1300SF que tive também era um vulcão no trânsito urbano).

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Uma vez que o encontro anual da Lista Shadow está chegando e o pneu traseiro havia entregado os pontos pouco depois da viagem a Bonito (MS), precisei adquirir outro: como em Porto Alegre ainda não há uma revenda H-D, a solução foi encomendar de SP. Como estou utilizando um Metzeler Marathon na dianteira, pensei em colocar o mesmo modelo na roda traseira – mas o melhor preço que encontrei foi R$ 1.300; seguindo a dica de um proprietário de Fat Boy, encontrei o Dunlop original (na Tedesco Pneus) por R$ 950 e acabei optando por ele.

Bridgestone BT020 e Dunlop D407

Dunlop D407 instalado na Fat Boy

Apesar de mais duro e menos aderente, o D407 é mais durável e preciso passar um tempo sem comprar pneus (o primeiro foi espetado por um parafuso, o segundo durou 6.000 km e já estou no terceiro): nesse ritmo e com os preços praticados pelo comércio, em pouco tempo vou gastar o valor de uma moto só em pneus traseiros.

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1 Os valores apontados aqui não possuem uma precisão técnica, já que meu método foi apenas percorrer as mesmas distâncias nas mesmas condições (de trânsito, na mesma temperatura externa, etc) e medi-los na mesma sequência para chegar a uma conclusão.

2 A injeção eletrônica dos motores TC96 opera em closed-loop (quando consulta os sensores de oxigênio) e em open-loop (quando não consulta): traduzindo em números, closed-loop significa estar abaixo de 4.000 rpm e 40% de abertura do acelerador (de acordo com a fonte, esses números podem divergir ligeiramente).

3 O termo mistura se refere à quantidade de partes de oxigênio por parte de combustível injetadas na câmara de combustão do motor: quanto menos partes de oxigênio (ex.: 14,1:1), mais rica a mistura; quanto mais (ex.: 14,7:1), mais pobre. Naturalmente há muito mais por trás disso e o objetivo aqui não é discutir esse assunto: caso seja do seu interesse, pesquise no Google por air fuel ratio e divirta-se.

Muito Bonito: farol queimado, pneu gasto…


A motocada até Bonito (MS) transcorreu na mais santa paz e nenhum dos integrantes do comboio teve que voltar no guincho, ao contrário do que aconteceu comigo na ida para o aniversário do SombreroS; para não dizer que não pifou nadinha, a luz baixa do farol resolveu entregar os pontos lá pelo meio da viagem. Como estávamos rodando somente durante o dia, usar a luz alta o tempo todo não atrapalhou os motoristas que vinham no sentido contrário em nenhum momento, mas certamente o melhor seria procurar uma autoelétrica (coisa que não fiz para não perder tempo).

De volta à casa, comprei uma lâmpada nova (uma Osram H4, por R$ 12, idêntica à que estava em uso) e fiz a troca na minha garagem: retirando o parafuso do aro do farol e os outros três do bloco ótico, já é possível visualizar o conector elétrico e a capa de borracha; observe que ela possui uma seta indicando o encaixe correto e abaixo dela existe uma trava que prende a lâmpada à carcaça do bloco ótico (quando retirei a lâmpada, percebi que essa trava estava solta e a vibração provavelmente foi o motivo da queima). Durante a montagem e desmontagem, é preciso ficar de olho nas pequenas borrachas que existem na parte superior do farol, abaixo do aro, pois são facilmente perdidas.

Parafuso do aro do farol

Borracha do bloco ótico

Conector, trava e lâmpada

Lâmpada com a luz baixa queimada

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No último dia da viagem, comentei com os companheiros que a Fat Boy estava balançando mais que o normal nas curvas; inicialmente pensei que pudesse ser o peso mal distribuído nas malas ou as imperfeições no asfalto, mas a verdade é que o Bridgestone BT020 200/50-17, trocado no começo de dezembro do ano passado e com pouco mais de 5000 quilômetros rodados, já está mostrando o indicador de desgaste despejados sobre um pneu que possui uma proposta esportiva. Os prováveis vilões são o torque, presente mesmo em baixa rotação, e o peso da Fat Boy.

Indicador de desgaste (TWI)

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Antes da partida para o Mato Grosso do Sul, fiz um teste com um suporte doméstico para o GPS (já que o original não abraça o guidão de 1 1/4″ da Fat Boy) mas a posição que escolhi, ao lado dos controles do punho esquerdo, se revelou ruim por que a incidência de luz frequentemente tornava a tela ilegível. Na última hora, comprei (por R$ 3,50) na ferragem perto da minha casa uma abraçadeira de antena que encaixou perfeitamente no guidão: um suporte de lâmpada serviu de apoio para a base original (presa com uma abraçadeira plástica, popularmente conhecida como rabo de rato) e por menos de R$ 5 estava feito o que foi batizado na viagem de “Suporte GPiréx”.

Como é possível ver na terceira foto, a borracha (um pedaço de mousepad, na verdade) que escolhi para proteger o guidão do atrito com a abraçadeira não foi muito adequada, portanto deve ser trocada na próxima versão do Suporte GPiréx. A base de guidão original foi mantida nessa solução caseira para permitir a rápida retirada do GPS da moto, mas talvez eu utilize alguma outra (o clip de cinto ou o suporte básico, por exemplo) no futuro.

Na prática, uma má localização para o GPS

GPS fixado com a versão final do suporte

Versão final do suporte do GPS

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Por fim mas não menos importante, segue um vídeo com os poucos momentos que filmei a trupe na estrada e durante a flutuação no Rio Sucuri (infelizmente – para alguns – a doce menina que dá nome ao rio não foi encontrada).

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