Linha Harley-Davidson 2011


Chegou a hora de quebrar o porco, tirar o escorpião do bolso, abrir a mão ou seja lá qual for a sua metáfora preferida para investir alguns milhares de dinheiros na melhoria da sua qualidade de vida: a Harley-Davidson publicou em seu site o catálogo 2011 e há opções para todos os gostos. Confira os preços – em dólares norteamericanos – dos principais modelos (informações sobre os trikes e a linha CVO podem ser encontradas no site da H-D):

Sportster
Nightster: 9.999 XR1200X: 11.799
Superlow: 7.999 Iron 883: 7.999
1200 Low: 9.899 Forty-Eight: 10.499
Dyna
Street Bob: 12.999 Fat Bob: 14.999
Super Glide Custom: 12.999 Wide Glide: 14.999
Softail
Heritage Classic: 16.999 Cross Bones: 16.999
Fat Boy: 15.999 Rocker C: 19.499
Deluxe: 16.999 Fat Boy Lo: 16.299
VRSC
Night Rod Special: 16.699 V-Rod Muscle: 16.699
Touring
Road King: 16.999 Electra Glide Classic: 18.999
Road King Classic: 19.499 Ultra Classic Electra Glide: 20.999
Street Glide: 18.999 Electra Glide Ultra Limited: 23.999
Road Glide Custom: 18.999 Road Glide Ultra: 22.499

Os preços, naturalmente, são os sugeridos lá na terra da MoCo e não é certo que tenhamos todos estes modelos à disposição no Brasil. Apesar disso e da tão conhecida demora na liberação dos documentos, foram emplacadas no primeiro semestre deste ano 108 unidades da Ultra e 46 da Heritage (51,03% da categoria Touring) e 344 da Super Glide, 303 da Fat Boy, 242 da 883 e 170 da Deluxe (13,57% da categoria Custom) segundo a FENABRAVE.

[Fotos: divulgação]

Harley-Davidson FLSTF Fat Boy


Há exatos 12 meses, escrevi sobre a Fat Boy aqui no blog. Resgato:

Lançada em 1990, a Fat Boy marcou o retorno da H-D à liderança de vendas nos Estados Unidos entre as motos acima de 750 cc e rapidamente se tornou protagonista de uma lenda urbana: seu nome seria uma combinação dos nomes das bombas atômicas lançadas sobre Nagasaki e Hiroshima (Fat Man e Little Boy) e sua pintura, entre outras características, inspirada no bombardeiro americano B-29. No filme Terminator 2 – Judgment Day, o próprio terminator (representado pelo ator Arnold Schwarzenegger) aparece saltando de uma ponte com uma Fat Boy 1990.

Faltou dizer mais, então sigo adiante.

Nestes 20 anos de vida, a Fat Boy carregou três propulsores de diferentes capacidades cúbicas mas igualmente big twins: entre 1990 e 1998, ela foi empurrada por um motor de 1340 cc (Evolution), entre 1999 e 2006, pelo TC88 (um twin cam de 88 polegadas – ou 1447 cc) e desde 2007 pelo TC96 (de 1573~1584 cc). A versão atual possui câmbio de 6 velocidades, torque de 12,4 kgf/m, pneus 140/75-17 na dianteira e 200/55-17 na traseira, freios a disco, assento posicionado a 698 mm do solo, peso seco de 315 kg e tanque de combustível com capacidade para 19 litros.

Além do nome comercial – Road King, Electra, Deluxe, Rocker, etc – pelo qual as motocicletas restam conhecidas, a Harley-Davidson Motorcycle Company (MoCo para os íntimos) batiza suas crias com uma sopa de letrinhas que indica as características de cada modelo. No caso da Fat Boy, as letras significam o seguinte:

  • F = Big Twin
  • L = High compression
  • ST = Softail
  • F = Fat Boy

A parte que não é autoexplicativa, o Softail, indica que apesar do amortecimento não estar aparente, ele existe – é portanto uma “falsa rabo duro” – e, ao contrário de outros modelos, o conforto do piloto e do passageiro não está a cargo de amortecedores aparentes ou molas sob o banco.

Para finalizar, uma informação adicional.

No dia 1º de julho, a Gorda foi fazer outro motociclista feliz e seu lugar na minha garagem foi tomado pela Jane, a Fat 2008 que aparece nas imagens abaixo. A exemplo do que eu vinha fazendo com a CB, passo a compartilhar aqui as experiências vividas a bordo da nova companheira de estrada.

O primeiro mito que merece ser desfeito é o do comportamento dela na cidade: apesar do peso elevado (pouco menos de 350 kg em ordem de marcha), a Fat se desloca bem em baixa velocidade por conta do baixo centro de gravidade e o escalonamento das marchas (o câmbio impreciso é outro mito) é muito bom, pois exige poucas trocas; o motor refrigerado a ar, naturalmente, penaliza o piloto no trânsito muito travado. Como ela ganhou logo na segunda semana um ape hanger – ou seca sovaco, como queiram – de 16 polegadas, rodar pelo corredor ficou mais fácil pois ele desloca os comandos para uma posição superior aos retrovisores da maioria dos veículos e, ao contrário do que possa parecer, mantém a posição de pilotagem confortável.

Na estrada, seu habitat natural, Jane mostra as suas armas e roda com tranquilidade em sexta marcha, não apresentando vibração (mais um mito) ou instabilidade no guidão e permite até uma tocada mais forte se o piloto assim desejar – mas a densidade da espuma do banco pode fazer os traseiros mais sensíveis reclamarem depois de algumas horas. Os freios cumprem bem o seu papel (o dianteiro, por sua importância, merecia um disco duplo) e o painel bastante completo para a categoria informa inclusive a quilometragem que pode ser percorrida com o combustível disponível no tanque.

Por enquanto é só: em breve eu volto a falar da Fat para compartilhar os números do consumo, dos alforges, da grelha, do sissy bar e do para-brisa destacáveis, do Power Commander III e das pedaleiras (que substituirão as plataformas).

Vienna Harley-Davidson Parade 2010


Gostaria, antes de tudo, agradecer ao grande amigo Pirex por abrir o espaço para a minha historia em seu blog o qual considero uns dos melhores no assunto sobre viagens envolvendo motociclismo.

Coincidência ou não, estive em Viena na Áustria justamente na semana que ocorreu o “Vienna Harley-Davidson Parade 2010” e semelhante a historia do “O Flautista de Manto Malhado em Hamelin” (Robert Browning), fiquei encantado pelo ronco de um grupo de uns 15 motociclistas com suas HDs que passeavam por uma das ruas principais de Viena e desejei, nem que custasse a minha vida, ir atrás do local do encontro que posteriormente vi anunciado em um outdoor.

A missão não foi tão simples assim, pois eu estava com este propósito certo para mim mas como falar para a minha recém esposa, pessoa qual depositou em mim seu futuro prospero e cheio de filhos, que justamente na nossa “lua de mel” eu iria num encontro de motociclistas (!?!). Fiquei por 2 dias pensando numa forma de “encaixar” essa tarefa contudo o tempo também não estava ajudando pois estava uma chuva fina e fria incessante que nos obrigava a ficar nos cafés “Aida” ou entrando e saindo de lojas que somente nos permitiam olhar (Mont Blanc, Gucci, D&G, Prada, etc.).

Mas como por milagre na ultima noite que estávamos em Viena (sexta, 14 de maio), e partiríamos para Veneza à tarde do dia seguinte, a chuva cessou e a lua mostrou sua face iluminada. Pensei: “e’ hoje à noite”. Contudo havia uma apresentação ao ar livre de uma opera ou ballet (não consigo nem saber o que era pois meus pensamentos estavam longe dali e somente o som do AC/DC que eu conseguiria poderia identificar naquele momento) o qual minha recém esposa havia já se programado para assistir. Não foi desta vez ainda.

Bom, detalhes a parte, e amanheceu o sábado com um sol tímido mas sem chuva, e logo começou a esquentar, e acordei muito cedo já deixando algumas malas prontas para o check-out que seria ao meio-dia e sorrateiramente eu partir para o café da manha, contudo minha esposa, até então, acordou com o click da maçaneta ao eu tentar abrir a porta como um Cérberus adormecido que cuidava das minhas atitudes em surdina. Mas, como por benção divina, ela disse que ficaria no hotel pela manhã para “arrumar as malas” e se aprontar para o próximo destino e que eu poderia sair se quisesse para dar uma ultima volta pela cidade.

Então como um vídeo em FlashForward tive a visão da oportunidade que seguia e delicadamente disse a ela: “Eu vou dar uma olhada naquele ‘negocio de motos’ mas não demoro”. Sonolenta me respondeu: “Tudo bem meu amor, mas não demore…” e com carinho respondi: “Não se preocupe, amor, não demoro” e sai calmamente sem fazer barulho com medo que ela, entorpecida por seu sono matinal, acordasse e se arrependesse de ter acolhido meu pedido.

Sai em disparate por Viena com o passe de metro numa mão e um mapa do metro da cidade noutra, e procurei o primeiro anuncio do qual estava o local do evento, no Stadium de Viena, o qual também dá o nome a uma estação de metro. Então como uma única tentativa, um tiro único, não me preocupei em confirmar o local (ate mesmo porque como e pra quem eu iria perguntar em alemão se o encontro era realmente perto da dita estação de metro) e sai em direção daquela estação, efetuando 3 conexões do local onde eu estava. Caminhava pelas estações no sobe desce de escadas rolantes como se fosse um cidadão residente há anos, com a seqüência memorizada paradas das estações e linhas que deveria embarcar e desembarcar.

E lá estava eu, bem ao lado da estação Stadum, e uma longa bandeira da Harley-Davidson anunciava o local. Era cedo, 10 da manha, e muitos começavam a chegar, e outros acordavam com um café da manha acompanhando com pão e salsichas servidos tipicamente na região, e alguns acredito que não haviam dormido e iniciava o dia com uma cerveja a mão. E caminhando entre as tendas chegando próximo aos palcos percebi que “as pedras rolaram” e muito…

Conversei com algumas pessoas (revendedores, customizadores e outras mais interessantes…) e inclusive pude ter a oportunidade de dar uma volta numa 883 customizada e parece que o tempo parou para mim, contudo não parou para a minha esposa e para o resto do mundo!

Quando dei por mim, se passava e muito do meio-dia e acordei deste sonho e lembrei que do check-out do hotel e o horário para seguir viagem. Sai da mesma maneira que cheguei, em disparate, mas com uma sensação de algo a mais totalmente inesperado ocorreu.

Resumindo: minha recém esposa teve que descer com todas as malas para fazer o check-out e a encontrei sentada na recepção com um olhar frio e ameaçador…

Bom amigos, daqui pra frente é outra historia que um dia contarei pessoalmente em um encontro que pudermos realizar juntos. Um abraço a todos.

Voy

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