Velocidade máxima: 0 km/h


No começo dessa semana, saí com Honda Tornado (ou a Pitty, conforme batizou a dona da pensão) para o trabalho e percebi algo errado no painel; olhando com mais atenção, vi que nada se mexia nele: odômetro, odômetro parcial, velocímetro… Nada. Fui até meu destino conjecturando sobre as possibilidades – cabo quebrado, conexões no painel ou na roda frouxas, o próprio painel, roda, etc – e sobre como resolver, o que fiz apenas quando cheguei em casa e passo a descrever.

Em busca do problema

Seguindo o cabo do velocímetro desde o cubo da roda dianteira (e o aperto da conexão no desmultiplicador estava Ok, o que me fez descartar essa possibilidade), vi que ele passava por trás da carenagem do farol; bastou uma chave 10 para afrouxar os dois parafusos laterais e já tive acesso à conexão superior (mais uma possibilidade descartada).

Como o pior caso – problema no painel – estava fora das minhas capacidades técnicas, nem pensei em testar nada naquela região e só me sobrou soltar a conexão superior do cabo do velocímetro, puxar a moto contra o pezinho, tirar a roda dianteira do chão e girá-la com o pé para simular o movimento da moto; como o cabo continuava parado, puxei a ponta dele e – bingo! – achei o problema: cabo quebrado.

Depois de soltar a abraçadeira que fixa o cabo no garfo, retirei o cabo do velocímetro do desmultiplicador (ambos os parafusos, da abraçadeira e do desmultiplicador, são phillips) e aproveitei para fazer um último teste: levantei novamente a roda da frente e girei a roda com o pé para ver se o macho no interior do desmultiplicador estava girando – e estava, o que restringiu o problema ao cabo. Menos mal.

A troca

De posse do novo cabo (original, R$ 20 na concessionária: há outros, de até R$ 12, mas não achei interessante a economia), fiz o processo inverso – encaixei a ponta no desmultiplicador, fixei na abraçadeira do garfo, conectei no painel e parafusei a carenagem do farol – e em poucos minutos o velocímetro voltou à vida. Não me parece que essa troca vai me garantir sossego por muito tempo (se aconteceu nos 8.000 km, deverá acontecer novamente nessa quilometragem), já que o vilão me pareceu ser a umidade, mas pelo menos agora a solução está conhecida e o custo não é alto.

Mototerapia

Muitas vezes – por falta de tempo ou de conhecimento – evito fazer eu mesmo as manutenções que a moto exige, apesar de gostar muito e da tarefa ser relaxante como poucas. Neste caso, entretanto, resolvi dar uma xeretada no problema antes de encaminhar ao mecânico para ver se a tarefa era complicada e como não era, abracei a bronca: além da óbvia necessidade que temos de conhecer minimamente as máquinas que pilotamos (no meio de uma viagem pode ser preciso corrigir algo) e da economia de tempo e dinheiro, o prazer de mexer nas entranhas da companheira de estradas é grande. Recomendo fortemente.

Honda Transalp XL 700V e VFR 1200F aportam no Brasil


A tropa de choque das asas douradas apresentou suas armas hoje em seu website: no mesmo dia, foram noticiados os lançamentos da Transalp XL 700V e da VFR 1200F, motocicletas que estarão disponíveis a partir do mês de abril nas concessionárias.

Transalp XL 700V

Quase simultaneamente, as japonesas Honda e Yamaha anunciaram seus modelos dual-purpose para encarar a briga ao longo de 2011 no segmento maxitrail: as concorrentes BMW G 650 GS, Suzuki DL650 V-Strom e Yamaha XT 660R certamente serão os alvos principais, mas será que a Honda (que estava ausente do cenário das motocicletas de uso misto desde a interrupção das importações da Varadero XL 1000V) obterá êxito na sua volta?

A história da Transalp remonta a meados da década de 1980, quando um protótipo de 500 cc foi construído e dois anos depois, em 1987, uma versão de 600 cc chegou ao mercado; mais tarde, em 2000, uma versão de 650 cc foi lançada e em 2007 ela foi totalmente redesenhada e finalmente chegou aos atuais 680 cc.

Com preço sugerido de R$ 31.800 (R$ 34.800 para a versão com C-ABS), a Transalp possui um propulsor bicilíndrico refrigerado à água de exatos 680 cm3 que gera 60 cv a 7.750 rpm e 6.12 kgf/m a 6.000 rpm, assento posicionado a 837 mm do solo, transmissão de 5 velocidades, tanque de combustível com capacidade para 17,5 litros, pneus 100/90-19 na dianteira e 130/80-17 na traseira, altura mínima do solo de 182 mm e peso seco de 201 kg (205 kg na versão C-ABS).

As cores disponíveis serão preta e branca.

VFR 1200F

Em julho de 2009 o rumor da construção de uma motocicleta com um propulsor V4 (e a inevitável comparação com o New Racing) atiçou a curiosidade dos jornalistas especializados e os colocou no papel de paparazzi; não muito mais tarde, em outubro do mesmo ano, a Honda apresentou ao mundo a sua VFR 1200F, a espetacular motocicleta que agora chega ao Brasil.

Muitos itens da VFR merecem uma nota 10 – painel, rodas, balança monobraço, espelhos, transmissão final e por aí vai -, mas quem rouba a cena, na minha opinião, é o câmbio de 6 velocidades que pode ser acionado automaticamente ou manualmente (com botões ao alcance do polegar esquerdo). Um show de moto, para dizer o mínimo.

Empurrada por um propulsor de quatro cilindros em V de 1237 cm3 com refrigeração líquida que gera 173 cv a 10.000 rpm e 13.2 kgf/m a 8.750 rpm, a VFR possui tanque de combustível com capacidade para 18,5 litros, pneus 120/70-17 na dianteira e 190/55-17 na traseira, assento posicionado a 815 mm do solo e peso seco de 214 kg.

O preço sugerido é de R$ 69.900 e as cores disponíveis serão vermelha e preta metálicas.

[Imagens: divulgação]

Carnaval no chão batido (05 a 08/03/2011)


Rota: Litoral Norte do Rio Grande do Sul

Distância percorrida: 270 km

O feriado de carnaval é tradicionalmente dedicado aos eventos familiares, sem motocada alguma nos planos. Neste último, entretanto, levei comigo a Tornado (ou a Pitty, como acabou batizada) e aproveitei o começo das manhãs para avaliar o quanto eu havia perdido da minha habilidade de pilotar em estradas de chão batido.

Meu inseparável GPS, imprescindível para que eu achasse o caminho de casa no emaranhado de estradas de chão da região de Osório (RS), precisou de um ajuste no suporte, já que não há espaço para ele abaixo da trave do guidão da Tornado. A solução, ao contrário do caso da Fat Boy, foi fazer um enchimento para a abraçadeira original com uma borracha no interior para evitar que ele escorregasse com a vibração.

Sem mais delongas, vamos aos trechos percorridos:

1. Morro da Borússia
Apesar dos quase 90 km que rodei pelo morro, ainda há muitos outros lugares para conhecer; por onde andei, encontrei principalmente estradas de saibro e algumas poucas de barro e pedras soltas. A dificuldade está na combinação entre a subida ou descida e o tipo de piso: se para cima a tração resolve a maioria dos problema de aderência, para baixo o cuidado precisa ser redobrado, já que mesmo com as rodas travadas a moto segue descendo.

Em uma parada para abastecimento (no município de Caraá), fui surpreendido por um efeito colateral do chão batido: os parafusos da placa haviam caído e ela estava presa apenas pelo arame do lacre. A solução temporária (que, como todas, ainda está lá) foi utilizar um fio elétrico para fixá-la no suporte. Um pouco mais adiante, foi a vez do GPS me pregar uma peça: seguindo uma trilha que deveria acabar em uma estrada, acabei no quintal de uma casa, para surpresa dos moradores; debaixo de olhares curiosos, só me restou dar de ombros, apontar para o infeliz aparelho eletrônico e voltar pelo mesmo caminho.

2. Tramandaí, Capivari do Sul e Osório
Rodar na beira do mar exige muita atenção por parte do piloto, já que o piso muda rapidamente – de areia firme para solta, por exemplo – e os obstáculos (como barras ou esgotos pluviais) surgem sem dar aviso. Mesmo no início da manhã, horário que escolhi para não atrapalhar os banhistas, é preciso ficar de olho nos veranistas festeiros que antes de voltarem às suas casas após uma noite na gandaia resolvem botar à prova seus carros nas areias da praia.

Nas estreitas estradas vicinais do interior é preciso ficar de olho nos veículos pesados (tratores, colheitadeiras, etc) que podem estar rodando devagar ou parados após uma curva, exigindo uma reação rápida que muitas vezes é prejudicada pelo piso escorregadio. Os trilhos deixados por estes veículos pesados também podem se transformar em armadilhas, uma vez que mudam o comportamento da moto e podem fazê-la tomar uma direção imprevista.

3. Caconde, Palmital e Atlântida Sul
Rodando quase que exclusivamente em solo Osoriense (Atlântida Sul é um distrito de Osório), a rota do dia 8 foi a mais tranquila das três e apenas nas estradas de saibro era necessário tomar um pouco mais de cuidado. Esse também foi o dia com o maior trecho asfaltado e manter uma velocidade de cruzeiro de 100 km/h não foi difícil nem me pareceu estar exigindo mais que o motor tem para dar.

Mais uma vez coloquei a Tornado na areia solta – onde passei com a Fat Boy no final de janeiro – e aos poucos a pilotagem nesse tipo de terreno foi se tornando mais divertida. Nas regiões onde o mato avança sobre a estrada, após levar uma surra dos galhos de um Maricá, entendi porque o protetor de mão é tão importante.

Depois disso tudo, concluo o seguinte:

  • a Tornado tem um porte adequado para encarar tanto as subidas e descidas de morro quanto a areia solta da beira da praia; os pneus que estou usando, entretanto (os Metzeler originais), limitam o acesso quando o piso exige cravos;
  • é impressionante como uma moto com suspensão de curso longo ignora solenemente os buracos e as costeletas da estrada (o banco também ajuda nesse quesito). Outro aspecto importante é a possibilidade de pilotar de pé, flexionando os joelhos para absorver os impactos e descansar as pernas;
  • como medir o consumo não era o objetivo dessa motocada, não tenho um número exato para informar – mas o consumo da Tornado é para lá de comportado, mesmo com o tipo de exigência dos trechos por onde passei (eu chutaria algo na casa dos 30 km/l);
  • ao contrário das minhas últimas experiências, a Tornado exige o motor sempre cheio para que haja potência e torque decentes: de início me pareceu estranho e potencialmente danoso ao motor, mas é pura falta de hábito;
  • ainda vai demorar um bom tempo para que eu me acostume novamente com as derrapagens controladas e as retomadas que permitem a execução das curvas com mais velocidade; já foi possível aproveitar um pouco nos trechos sinuosos, mas por vezes o barranco parecia se mover na minha direção;
  • uma luz espia que indicasse o uso da sexta marcha cairia bem.

Em suma, estou muito satisfeito com a moto e com certeza recomendaria a Tornado para quem tivesse interesse em rodar por estradas de piso imperfeito; para mim, é quase um retorno à infância e suas estradas de barro onde, com frequência, eu passava o dia pedalando minha BMX. Diversão pura.

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