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A volta da Lagoa dos Patos (17 e 18/10/2009)

19, outubro, 2009 Piréx 20 comentários

No início de abril estive em Mostardas (RS) para visitar os lugares por onde corri durante um par de anos da minha infância e, quando alguns companheiros de estrada leram o artigo que escrevi sobre o passeio, sugeriram que deveríamos reunir um grupo para seguir até São José do Norte, cruzar de balsa para Rio Grande, dormir por lá e depois voltar pela BR-116 até Porto Alegre, fazendo uma volta completa na Lagoa dos Patos.

Depois de algumas semanas de negociação, conseguimos montar um bonde de 7 motos e 9 pessoas (quase todos participantes da Lista Shadow 600) para a empreitada: sabíamos, pelo que eu tinha visto em abril e segundo os comentários de outros viajantes, que as condições da RST-101 entre Capivari do Sul e Mostardas poderiam não ser das melhores, mas nada que esfriasse os ânimos dessa galera para lá de animada.

A ida

Rota: Porto Alegre/Viamão/Capivari do Sul/Mostardas/São José do Norte/Rio Grande

Distância percorrida: 400 km

Como toda motocada que se preze, na noite anterior à partida ainda não havia um consenso sobre o horário e o local da saída: através dos meios eletrônicos disponíveis (MSN, e-mail, SMS, etc), ficou combinado quando e onde nos encontraríamos – mas, para diversão dos demais, pelo menos um entendeu mal e foi parar do outro lado da cidade. Quando o perdido chegou, teve que aguentar a gozação generalizada (a primeira de muitas: sobrou para todo mundo ao longo do final de semana) até a hora de partir.

Da partida até a primeira parada, em Capivari do Sul – onde agregaríamos dois integrantes ao grupo -, rodamos pouco mais de 80 km, a maior parte deles na RS-040 (que está em boas condições e motos não pagam no único pedágio existente). Lá, depois do efusivos cumprimentos que sempre permeiam os encontros de amigos, parti, estudioso que sou do assunto, em busca de um pastel com café preto seguido das risadas e comentários de sempre (“O Piréx não pode parar que já pede um pastel”, “Que vício”, etc).

Saímos da RS-040 para a RST-101 com o espírito preparado, já que os comentários não eram dos melhores sobre o trecho adiante da entrada de Palmares do Sul: realmente aquela parte da estrada está esburacada, mas dos 4 ou 5 segmentos sem asfalto sobrou apenas um e a quase inexistência de tráfego no sentido contrário nos permitiu ziguezaguear na pista, criando um belo e hipnotizante balé de motos.

Almoçamos em Mostardas, onde as motos viraram ponto turístico (fato que se repetiria outras tantas vezes no sábado e no domingo) e pouco depois do meio da tarde já estávamos em São José do Norte à espera da barca que nos levaria a Rio Grande. Lá chegando, depois de uma chuva leve para tirar a poeira, descarregamos as tralhas e, duas horas depois, estávamos todos ao redor de uma mesa de bar para encerrar com chave de ouro o dia: apesar de alguns problemas de comunicação, conseguimos jantar, tomar umas geladas e rir – quase sempre de nós mesmos – muito.

Saída de Porto Alegre

Motos estacionadas em Mostardas

Aviso no restaurante em Mostardas

Depois do almoço, todos felizes

Diabolin e Avélinho contemplativos

Motos na balsa para Rio Grande

Avélinho e Diabolin na balsa para Rio Grande

A volta

Rota: Rio Grande/Pelotas/Jaguarão/São Lourenço do Sul/Porto Alegre

Distância percorrida: 620 km

No dia seguinte, não muito depois do sol dar as caras e completamente desorientados em função do horário de verão (ao contrário do que me informaram no hotel, o Uruguai também adianta seus relógios), voltamos à estrada para uma esticada até a divisa Brasil/Uruguai onde compraríamos os regalos da viagem: fomos às lojas de Rio Branco (UY) em apenas 3 motos, já que a ala preguiçosa do grupo ficou na cama até mais tarde.

A chuva leve nos encontrou outra vez, alguns minutos após a passagem sobre a ponte do Canal São Gonçalo (que liga as Lagoa dos Patos e a Mirim), agora na praticamente vazia BR-116; sem muito o que olhar, os cerca de 200 km que separam a Praia do Cassino de Jaguarão pareceram muitos mais e só depois de 2h30min chegamos na fronteira: após a peregrinação no comércio uruguaio, carregamos as motos e em seguida comemos uma a la minuta honesta às margens do Rio Jaguarão. Com as motos prontas para o retorno, voltamos à BR-116 para cruzar os 400 km que nos separavam de Porto Alegre.

Como a ala preguiçosa do grupo havia parado em São Lourenço para almoçar, combinamos um encontro às margens da BR-116 para que nos reuníssemos novamente e percorrêssemos juntos o último trecho do passeio: como demoramos (dizem que as patroas recomendaram que voltassem cedo para casa), eles acabaram saindo cerca de 20 minutos antes da nossa chegada.

Entrando em Porto Alegre, me veio à mente o comentário de um dos integrantes do grupo que sintetiza bem o final de semana: “É barato ser feliz”. Complemento meu: entre amigos, até mesmo pedido trocado, comida demorada, chopp sem gás e pizza sem recheio se tornam apenas mais uma história divertida. Obrigado pela companhia, paisanos: espero que possamos repetir a dose em breve.

Ponte sobre o Canal São Gonçalo

Nuvens no céu de Jaguarão

Ponte entre Jaguarão (Brasil) e Rio Branco (Uruguai)

10º Moto Fest (23/01/2009)

30, janeiro, 2009 Piréx 4 comentários

Entre os dias 22 e 25 de janeiro aconteceu em Jaguarão, cidade localizada a 400 km de Porto Alegre, a décima edição do Moto Fest, tradicional evento do calendário gaúcho realizado pelo pessoal do Moto Grupo Km Final (a saber, em Jaguarão está localizada uma das pontas da BR-116).

A noite de sexta-feira foi bastante movimentada: pelo que pude ver, a população da região – motociclistas ou não, tanto de Jaguarão, no Brasil, quanto de Rio Branco, no Uruguai – prestigiou a festa e compareceu em peso; com eles, vieram raridades como a Honda Magna e a Honda CX500 das fotos abaixo. Esta última possui uma configuração de motor pouco ortodoxa (e até então nunca vista por mim em uma Honda): o flying v-twin, primeiro da marca, com cilindros assimétricos apontando para fora da moto; não por acaso, eles se parecem com os da italiana Moto Guzzi, de quem era concorrente (além da BMW) na época.

Na praça central, além das tradicionais lojas vendendo camisetas, capacetes, jaquetas e outros itens relacionados ao motociclismo, vários bares atendiam o público que tinha os shows como mais uma atração: ao longo da noite, várias bandas se revezaram no palco.

Além da grande festa em que se transformou o evento, alguns participantes aproveitaram a proximidade com a fronteira para comprar nos free-shops de Rio Branco. Fica a dica: quando for a este evento, viaje com o mínimo indispensável para que, na volta, as mochilas, malas de tanque e alforges possam ser preenchidos por regalos.

Cartaz do evento

Vista do evento

Honda Magna

Honda CX500

Moto uruguaia

Moto uruguaia

Moto uruguaia

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1000 quilômetros de Brasil, 1000 de Uruguai – Quarto dia (24/01/2009)

26, janeiro, 2009 Piréx 12 comentários

(No artigo anterior, contei como quase derretemos ao longo dos 526km – feitos em 11 horas - entre Montevidéu e Jaguarão: chegamos ao Brasil felizes pelas belezas que vimos nos lugares por onde passamos.)

Depois de uma noite mal dormida – talvez resultado dos 1500km rodados, das parrilladas, das cervejadas, do calor ou de tudo misturado -, caí da cama cedo e fiz uma vistoria no apartamento: a bagunça era grande (feita com a minha contribuição, claro) e, como todos ainda dormiam, tive a impressão que várias motosserras estavam ligadas ao mesmo tempo. Arrumei as minhas tralhas e esperei o pessoal acordar: segundo nossos planos, tomaríamos café, passaríamos nos free-shops para as compras finais e depois pegaríamos o último trecho que nos separava de casa.

Realizadas as atividades matinais, abastecemos as motos com a pior gasolina de toda a viagem (as Shadows, que em geral rodam 180km antes de pedir reserva, engasgaram 120km depois de Jaguarão) e colocamos as máquinas na BR-116, estrada por onde rodaríamos até Porto Alegre;  pelo caminho, cumprimentamos os muitos motociclistas que se dirigiam ao 10º Motofest.

Aproveitando a linha reta que é a BR-116, deixei de lado o mp3 player 200km antes de casa e fiz um balanço mental da viagem na solidão do capacete: 5 amigos, belas estradas, lindas paisagens, cervejas geladas, comidas típicas… Foi uma bela motocada. Na chegada a Porto Alegre, encostamos as motos no mesmo posto de gasolina da partida e comemoramos o sucesso da viagem: nem um único contratempo em quase 2 mil quilômetros de chão. Resta a mim agradecer aos companheiros pela parceria, pela paciência e começar a rascunhar a próxima empreitada.

Gracias, paisanos!

Rota do quarto dia

Ponte sobre o Rio Jaguarão

Dados do GPS do quarto dia de viagem

Números da viagem:

  • Distância total percorrida: 1976 km
  • Valor total gasto (combustível+comida+hospedagem): R$450,00 530,00
  • Média de consumo de combustível: 16,7 km/l (melhor: 17,1 km/l; pior: 14,4 km/l)
  • Velocidade média: 82,77 km/h
  • Tempo total de pilotagem: 23h48min
  • Parrilladas: 2
  • Borós estourados: 1
  • Capacetes quebrados: 1
  • Cervejas geladas: n+1
  • Crianças felizes: 5
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