Rota: Porto Alegre (RS)/Caxias do Sul (RS)/Vacaria (RS)/Lages (SC)/Mafra (SC)/Lapa (PR)/Palmeira (PR)/Ponta Grossa (PR)/Castro (PR)/Ponta Grossa (PR)/Curitiba (PR)/Joinville (SC)/Florianópolis (SC)/Laguna (SC)/Torres (RS)/Osório (RS)/Porto Alegre (RS)
Distância percorrida: 1835 km
Pense numa galera para lá de animada, que é viciada em viajar de moto e que tem integrantes espalhados pelo Brasil. Pensou? Agora imagine o que acontece quando vários deles se encontram em uma cidade do interior, durante um feriado prolongado, com muita cerveja, churrasco, paisagens belíssimas e horas papo para botar em dia – afinal, já faz um ano desde o encontro de Camboriú. Conseguiu pintar o quadro? Pois foi isso e muito mais o que aconteceu entre os dias 23 e 26 deste mês em Castro, no Paraná.
A cidade de Castro foi a primeira a ser fundada no Paraná depois da emancipação de São Paulo e era a rota obrigatória dos tropeiros que se deslocavam de Viamão (RS) para Sorocaba (SP). Ela está localizada em uma região de grande potencial turístico, os Campos Gerais do Paraná, com destaque para o Cânion Guartelá (o 6º maior do mundo e o maior do Brasil).
Introdução feita, vamos aos fatos.
A ida
Há alguns dias a previsão do tempo anunciava chuvas torrenciais para o feriado de Corpus Christi; como eu não acredito muito nessa coisa de previsão, nem me abalei – mas dessa vez a mira foi certeira: tivemos que arrancar – eu e Diabolin, já que Avélinho seguiria mais tarde – da garagem de nossas casas com as capas de chuva vestidas. A bem da verdade, a chuva durou somente até os Campos de Cima da Serra, onde o tempo seco nos encontrou e com ele fomos até nosso destino ensacados nas capas de chuva para amenizar um pouco do frio (café preto e pastel também colaboraram para o aquecimento dos viajantes).
Apesar do tempo instável, o piso em boas condições das estradas por onde passamos colaborou para que mantivéssemos um bom ritmo – porém os mais de 800 km que separam Porto Alegre (RS) de Castro (PR) começaram a parecer muitos mais quando a noite chegou e nos encontrou nas estradas vicinais do Paraná. Por fim, encostamos as motos no bar que seria a nossa casa pelos próximos 3 dias pouco depois das 21h de quinta-feira: se algumas horas antes o risco de rodar à noite (por estradas secundárias, cheias de curvas e com sinalização precária) parecia alto demais, ser calorosamente recebido pelos amigos pagou tudo com folga.
A festa
As muitas horas de estrada na quinta-feira consumiram boa parte da minha energia, mas bastou ver aquele povo todo fazendo uma festa indescritível para um banho ser o suficiente para me fazer encarar as próximas horas com razoável facilidade. Conversas sérias, pinga mineira, causos de viagem, cerveja gelada, danças exóticas e até um café preto às 5h da matina – a única coisa que o bar do hotel tinha a oferecer àquela altura do campeonato – foram alguns dos ingredientes do primeiro dia de festa.
Para o dia seguinte, sexta-feira, estava programado um passeio ao Cânion Guartelá – mas como encarar horas de caminhada, subindo e descendo trilhas vestindo calças jeans e botas, depois da festa do primeiro dia? Nada de mais, já que essa gente tem energia de sobra. Depois dos muitos quilômetros trilhados, voltamos à cidade para organizar o churrasco da noite – mas não sem aproveitar o fim de tarde tomando uma ou duas cervejas na praça (onde éramos atendidos como filhos pela família que cuida do bar onde praticamente acampamos). Bastou a noite chegar para que a churrasqueira – recém comprada! – fosse preparada para assar o churrasco que mais tarde seria servido para aproximadamente 50 pessoas, todas na mesma animação do primeiro dia. Haja ânimo para acompanhar essa turma…
A volta
Começamos a carregar as motos logo após o café da manhã de sábado: depois de tanta festa, seria impossível encarar os quase 1000 km da volta pelo litoral em um dia só. Apesar da cerração, a chuva só nos encontrou em Laguna (SC), onde pernoitamos para voltar à carga no dia seguinte. No domingo abandonei meus companheiros de estrada e saí às 6h, com muita chuva e um frio de renguear cusco, para chegar antes do meio-dia em Porto Alegre e almoçar em casa.
O segmento da BR-101 entre Laguna (SC) e Torres (RS), por ser o único ruim entre os percorridos nessa motocada, merece um parágrafo: os muitos desvios e o trânsito pesado, principalmente sob chuva, tornam os 170 km de estrada mais cansativos do que deveriam ser e demandam atenção redobrada (vale lembrar que o prazo inicial para conclusão do trecho catarinense da BR-101 era final de 2008).
Depois de dias na estrada, enxergar a própria casa é a visão do paraíso.
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Todos, sem exceção, aproveitaram cada minuto da festa como se o mundo fosse acabar no dia seguinte; a mágica da Lista Shadow renderia muitas páginas escritas, mas seguramente a diversidade das pessoas que ali estavam – trocando ideias, discutindo assuntos variados, aproveitando o melhor que o outro tinha a oferecer – é uma das maiores riquezas desses loucos de pedra que se consideram uma grande família da qual eu orgulhosamente faço parte.
Baita abraço, gurizada. Até a próxima!
































































