Caminhos do Mercosul: Brasil, Argentina e Uruguai – 5º dia (13/03/2010)


Rota: Montevideo/Punta del Este/Jose Ignacio/Rocha/Castillos/Chuy

Distância percorrida: 361 km

O amanhecer frio em Montevideo, especialmente no centro da cidade onde o sol demora a bater, me fez lembrar que essa é a temperatura ideal para motocar – nem muito frio a ponto de congelar os dedos nem tão quente como têm sido os últimos meses no Rio Grande do Sul.

Após os procedimentos matinais, saímos do centro em direção às ramblas para, através delas, sair de Montevideo em direção à Ruta Interbalnearia; essa deve ter sido a menor média horária de toda a viagem, mas cada quilômetro da costanera vale a pena. Apesar da grande quantidade de sinaleiras, o trânsito é tranquilo e quando colocamos as rodas na Interbalnearia ficamos quase sozinhos na estrada até Punta del Este, nosso próximo destino (na passagem pela região do aeroporto de Punta, um avião pousando passou raspando sobre nossos capacetes num sincronismo impensável).

Apesar de ter passado por este trecho do Uruguai no ano passado, a chegada à região de Punta Ballenas/Punta del Este é sempre impressionante: desta vez saímos da Ruta Interbalnearia para chegar à Casa del Pueblo e ao Mirador Punta Ballena, local com uma vista impressionante do Rio de la Plata. Dali, passamos rapidamente por Punta e chegamos à Barra de Maldonado, onde paramos na entrada da ponte que leva o nome do seu designer, Leonel Viera (mas é popularmente conhecida como ponte ondulada), para os devidos registros fotográficos.

Depois da Barra de Maldonado, seguimos pela Ruta 10 para atravessar de balsa a Laguna Garzon e, com mais 30 quilômetros de R10, chegar à Ruta Nacional 9 que nos levaria até Chuy. A surpresa, entretanto, ficou por conta do piso da R10 após a passagem da balsa: chão batido. A julgar pela comemoração quando encontramos a asfaltada RN9, imagino que muitos impropérios tenham sido lançados contra a minha pessoa (já que eu era o piloto do GPS) dentro dos capacetes dos meus companheiros de viagem.

Todos felizes por deixarmos para trás o complicado piso da R10, seguimos pela RN9 até Chuy, onde as compras nos freeshops nos esperavam; regalos adquiridos, encostamos as carcaças cansadas em um bar da Av. Brasil (que fica do lado Uruguaio: do lado brasileiro ela se chama Av. Uruguai) e nos atracamos em alguns chivitos regados a Zillertal. A longa caminhada até o hotel ajudou na digestão e acabou com as minhas últimas energias – afinal, rodamos 2089 quilômetros até aqui.

1000 quilômetros de Brasil, 1000 de Uruguai – Terceiro dia (23/01/2009)


(No artigo anterior, escrevi sobre a torreira de sol que encaramos entre Rivera e Montevidéu: para compensar o esforço, nos aboletamos em um bar do Mercado del Puerto e, mais uma vez, fizemos a festa ao redor de uma parrillada.)

Pelo terceiro dia consecutivo a previsão do tempo acertou em cheio: sol e mais sol. Amanheceu cedo em Montevidéu e, pouco tempo depois do astro-rei, demos as caras na rua – afinal, tínhamos um compromisso inadiável logo cedo: retirar as motos do canto do estacionamento onde ficam as lixeiras, único local disponível na noite de quinta-feira.

Com as motos carregadas, rumamos para o primeiro posto de gasolina da costanera e as abastecemos; dali em diante, fomos em uma tocada sem pressa, aproveitando a brisa e o visual. Não muito mais adiante, paramos para um café da manhã e entramos na ótima Ruta Interbalnearia, por onde fomos até Punta del Este. Na chegada, o visual impressionante fez com que voltássemos ao ritmo lento do início do dia para aproveitar cada minuto daquela paisagem estonteante: enquanto andávamos, víamos Ferraris, Porsches, iates, veleiros e até um navio de cruzeiro atracado ao alcance dos nossos olhos. Punta realmente é uma praia diferenciada.

Depois de visitarmos a conhecida escultura Los Dedos, decidimos imprimir uma velocidade maior na nossa viagem, pois já faziam algumas horas que estávamos motocando e havíamos rodado pouco mais de 100 km. Seguindo os conselhos do GPS, saímos de Punta e nos dirigimos a San Carlos, onde abastecemos as motos e almoçamos no McDonald’s local (um choripán excelente, diga-se de passagem). Fugindo do sol forte do meio-dia, ficamos mais uns minutos aproveitando a sombra das árvores da praça e, depois de equipados (a muito custo, já que o calor era intenso), voltamos a seguir o GPS para encontrarmos Minas. O trecho de 50 km (pela RP12) antes desta cidade parecia suspeito, com a estrada em obras, mas acabou se revelando um dos mais bonitos por onde passamos: subindo e descendo entre os morros da região, aproveitamos as curvas e a paisagem que incluía fazendas, arroios e até aerogeradores.

Entre Minas e Treintra y Tres, conversamos com outros motociclistas nos postos de gasolina onde paramos, tiramos fotos, tomamos litros de água para aliviar o calor e fomos atacados pela policia caminera; logo em seguida, encontramos o único trecho ruim de estrada em toda a viagem: por estar em construção, um segmento da RP18 fez com que diminuíssemos bastante o ritmo da tocada, pois as motos dançavam sobre a pista. De volta ao asfalto, aceleramos para completar os poucos quilômetros que nos separavam de Rio Branco.

Nosso companheiro esquecido (o do passaporte) nos pregou mais uma peça: responsável pela reserva da hospedagem em Jaguarão, ele fez tudo certo – só esqueceu o nome e o endereço do lugar. Depois de algumas ligações, encontramos o rumo e não demorou muito para nos espalharmos na sacada do apartamento com as geladas na mão para o tradicional relaxamento do fim do dia. Depois de um banho para amenizar o calor, caminhamos pelo 10º Motofest (que vou detalhar em outro artigo) e jantamos no restaurante do hotel Sinuelo. Como o cansaço era grande (desde a saída do hotel em Montevidéu, foram mais de 7 horas e meia de pilotagem até a chegada em Jaguarão), voltamos ao apartamento já com a cabeça nos 400 km que nos separavam de casa.

Rota do terceiro dia

Saída do hotel em Montevidéu

Punta Ballena

Punta del Este

Punta del Este

Dados do GPS do terceiro dia de viagem

Mais fotos no álbum 1000 quilômetros de Brasil, 1000 de Uruguai – Terceiro dia (23/01/2009).

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