Galinhada na Quinta Gaudéria (02/12/2010)


Correndo o risco de me tornar repetitivo, pela enésima vez vou dizer que a Quinta Gaudéria é, sem sombra de dúvidas, um evento multicultural: na mesma mesa em que causos são contados entre risadas, assuntos técnicos são debatidos com seriedade e a alta gastronomia (média?) é praticada.

De forma análoga ao que fiz nos artigos China Rica na Quinta Gaudéria e Churrasco e bom chimarrão: é Sábado Gaudério!, vou compartilhar a receita da galinhada servida aos ilibados que, apesar da previsão – que se confirmou – de chuva, tiraram as companheiras de estrada da garagem. Aí vai:

Ingredientes

  • 12 sobrecoxas de frango
  • 6 xícaras de arroz
  • 4 limões
  • 2 cebolas
  • 3 tomates
  • azeite de oliva
  • 100 g de azeitonas
  • 100 g de champignon
  • alho a gosto
  • tempero completo a gosto
  • pimenta a gosto
  • salsa e tempero verde a gosto
  • 4 ovos
  • uma panela de ferro

Como novamente a panela de ferro está nos ingredientes, cito o artigo sobre o Arroz de China:

Para tudo: panela de ferro é ingrediente?

Sim, é. Além das questões de saúde (está comprovado que o cozimento dos alimentos em panelas de ferro ajuda a combater a desnutrição), o resultado – que até pode agradar alguns paladares – é bem diferente se o Arroz de China for feito em uma panela de inox, por exemplo.

Modo de preparar

Antes de tudo, o mais importante: esprema os limões e deixe os pedaços de frango – sem pele! – de molho por pelo menos meia hora; a seguir, tempere-o e espere mais meia hora  antes de fritá-los em pouco azeite (onde o alho foi previamente colocado, se for do gosto dos fregueses). Quando os pedaços do frango estiverem dourados, retire-os da panela e comece o molho: em pouco azeite, frite as cebolas, adicione os tomates e deixe refogar por alguns minutos antes de adicionar os champignons, as azeitonas, a salsa e o tempero verde. Enquanto o molho cozinha, eu aproveito para desossar as sobrecoxas e cozinhar os ovos, que serão colocados picados sobre a galinhada depois de pronta. Quando o molho se tornar homogêneo, é a hora de devolver os pedaços de frango, cozinhá-los mais um pouco, adicionar arroz, água três dedos acima da mistura e esperar que ela seque – mas atenção: a panela de ferro retém muito calor, então desligue o fogo quando o arroz começar a aparecer pois o cozimento ainda continuará por alguns minutos.

A noite de quinta serviu ainda para entregar o kit da Riffel ao Ovelha, sortudo que teve seu número sorteado na Loteria Federal (outros detalhes podem ser vistos no artigo Promoção Riffel Explore), e ouvir mais algumas histórias de veracidade duvidosa. Mais uma QG impagável, portanto.

Gracias, povo!

Quinta Gaudéria no Acampamento Farroupilha (16/09/2010)


Rio Grande, berro de touro
quatro patas de cavalo
Quem não viveu esse tempo
vive esse tempo ao cantá-lo
Eu canto porque me agrada
neste meu timbre de galo

Ao som de Pedro Ortaça e de outros cantadores do Rio Grande do Sul, aconteceu ontem no Acampamento Farroupilha a enésima Quinta Gaudéria de 2010, confirmando a promessa dos ilibados motociclistas da região do parelelo 30: se na QG Farroupilha do ano passado o quórum foi insuficiente para valer a pena acender o fogo, ontem a churrasqueira do Piquete Pôr-do-Sol Gaúcho serviu de palco para um assado de fundamento.

Assim que a noite se apresentou, os convivas foram chegando e sendo resgatados (nada mais justo: a Estância da Harmonia tem 300 mil metros quadrados) pelo parque. Não demorou muito para que, ao redor da churrasqueira, nos integrássemos aos demais grupos que estavam no piquete e a festa – com direito a bailanta – se transformasse em uma só e seguisse assim até a meia-noite.

Gracias pela parceria, bugrada!

Churrasco e bom chimarrão: é Sábado Gaudério! (29/05/2010)


Em meados da década de 1980, Berenice Azambuja profetizou:

Churrasco e bom chimarrão,
fandango, trago e mulher
É disso que o velho gosta
é isso que o velho quer

Confirmando as palavras da cantora porto-alegrense (que teve como inspiração o próprio pai para escrever a música É disso que o velho gosta), reuniram-se ontem no salão de festas do meu prédio integrantes da Lista Shadow 600 e do fórum Hornet On Line para aproveitar as supracitadas coisas boas da vida em um almoço que se estendeu até o início da noite.

Ao mesmo tempo em que agradeço a companhia dos amigos, aproveito para compartilhar com os leitores do Diário de Bordo a receita do churrasco (como fiz com o Arroz de China Rica) que silenciou os convivas quando foi servido – o que, para o assador, é um baita elogio. Dada a complexidade do tema, as informações abaixo dizem respeito exclusivamente a este que vos escreve; outros, no comando da churrasqueira, terão manias diferentes e essa é apenas uma das riquezas do prato que tem a força de fazer novos e reunir velhos amigos.

Chimarrão enfeitado

Antes da carne, uma canha para esquentar

O começo
Não há um consenso sobre a invenção do churrasco, especialmente se considerarmos que a carne assada existe desde a pré-história; do modo como o conhecemos hoje, entretanto, a origem mais provável é a região do Pampa (gaúcho, uruguaio e argentino) pelas mãos dos tropeiros: fácil de fazer – basta uma faca afiada, fogo, algo que sirva como espeto e sal grosso -, ele já era um evento social que, além de alimentar e reunir os paisanos, espantava o frio das noites do sul.

A escolha  da carne: animal, corte e quantidade
As carnes disponíveis nos supermercados hoje em dia são variadas: tem javali, capivara, avestruz e muitas outras mais ou menos exóticas; aqui, vou me ater à tradição e falar da carne de gado. Como a expectativa era de no máximo 20 pessoas (homens e mulheres, todos adultos) para o almoço, comprei 10 kg de carne – 3,5 kg de costela, a estrela da festa, 3,5 kg de vazio e 3 de linguiça -, arroz, rúcula para a salada verde, batatas para a de maionese e aipim.

Essa matemática (pessoas X quantidades) é variável, mas, via de regra, são 350 gramas de carne sem osso ou 500 gramas com osso por pessoa – mas tome cuidado, já que isso poder variar em função dos convidados (mais homens que mulheres, por exemplo, pode indicar que a quantidade de carne precisa ser aumentada).

Carne espetada, meio caminho andado

Acessórios, onde assar e com que fogo
Como eu disse antes, o churrasco é um prato simples e esse é o segredo do seu sucesso. Alguns assadores gostam de ter um arsenal de itens à disposição – grelha, tábua, gamela, faca, pinça, etc -, mas basta espetar (e os espetos podem ser de taquara, galho de árvore ou de metal), salgar (com sal grosso) e fazer um belo braseiro.

O fogo e a churrasqueira, partes importantes do churrasco de sucesso, podem aparecer de formas variadas (fogo de lenha, gás ou carvão e churrasqueira de metal, de alvenaria, fogo de chão ou pilha de tijolos), mas a minha preferência – e eu avisei lá no começo do texto que falaria das minhas manias, não do jeito certo de fazer (se é que existe um) – é pelo fogo de chão feito com lenha (como no aniversário do Ogro). Como isso nem sempre é possível, uma boa churrasqueira doméstica e um saco de carvão resolvem bem o problema.

Carne no fogo!

Depois do trabalho, a diversão
É difícil precisar o tempo – que depende da carne, do fogo, do objetivo do assador – necessário para que o churrasco chegue ao ponto de servir e o mais adequado é experimentar, já que bons resultados (por conta das inúmeras variáveis) estão diretamente ligados à experiência do assador. A minha pode ser resumida em alguns poucos itens:

  • calcule a quantidade de carvão necessária antes de colocar a carne no fogo: é melhor sobrar fogo do que faltar (e, ao colocar mais carvão, encher a carne de pó);
  • assar carne na labareda é uma arte para poucos (nos quais não me incluo) e o mais seguro é fazer um braseiro e depois colocar a carne;
  • ao espetar a carne deixe a parte mais grossa no fundo da churrasqueira;
  • há uma corrente – da qual não faço parte – que defende a colocação da carne no fogo antes de salgá-la para que ela não desidrate rapidamente e fique seca: isso pode impedir que o sal grosso penetre como deveria na carne e ela fique sem sal nas partes internas (e há quem defenda o uso de sal fino, mas não vou entrar nesse mérito: como deu para perceber, sou um assador ortodoxo);
  • usando uma churrasqueira que permita manter a carne em vários níveis, é possível atender aos desejos de todos os convidados, sejam eles fãs de carne no ponto ou mal-passada;
  • usar mais de um espeto – paralelos ou em X – pode ser a solução para manter um pedaço grande de carne exposto ao fogo uniformemente.

A hora do silêncio

Se beber, não pilote

Ainda estás lendo esse artigo? Já está na hora de colocar uma carne no fogo (e, de preferência, postar aqui a lições aprendidas no comando de uma churrasqueira) e convidar os amigos para que sejam as cobaias dos experimentos.

Bons churrascos!

    REDES:  

  • rss
  • youtube
  • Twitter
  • flickr
  •  
  • PESQUISAR NOS ARQUIVOS: