Caminhos do Mercosul: Brasil, Argentina e Uruguai – 2º dia (10/03/2010)


Rota: Uruguaiana/Paso de los Libres/Los Conquistadores/Federal/Parana/Santa Fe

Distância percorrida: 461 km

O sol ainda nem tinha se apresentado para o serviço e eu já havia caído da cama por conta dos compromissos: além da necessidade de arrumar um Seguro Carta Verde, eu precisava pagar uma conta antes de sair do Brasil e os boatos sobre a Policia Caminera de Entre Rios não me saíam da cabeça (pensando melhor, talvez os n+1 pedaços de pizza na noite anterior e meu colega de quarto testando uma motosserra tenham abreviado meu sono).

Seja como for, a manhã de quarta-feira chegou belíssima, os problemas foram sendo eliminados – seguro adquirido, conta paga, motosserra desligada – e a estrada nos esperava, motivo pelo qual apontamos as motos para a Ponte Internacional Getúlio Vargas – Agustín Pedro Justo e em poucos minutos estávamos em solo argentino para os trâmites legais na imigração de Paso de los Libres.

Liberados, abastecemos as motos e embarcamos na Ruta 14 com destino a Santa Fe e logo nos deparamos com obras, desvios, estradas de chão batido, máquinas na pista e outras tranqueiras por conta de uma manutenção na rodovia. Mesmo nos trechos onde não há obras, o asfalto está deformado e por muitos quilômetros a pilotagem foi bastante cansativa. Quando passamos à Ruta 127, o piso melhorou – mas estávamos rodando no trecho onde vários motociclistas tiveram problemas com a Policia Caminera: difícil dizer se estes acontecimentos são coisas do passado, mas a verdade é que fomos atacados uma única vez (rigorosamente onde um senhor com quem conversei em Uruguaiana avisou que seríamos), tivemos que apresentar nossos documentos e seguimos viagem.

Depois de muitas longas horas rodando nas intermináveis retas da RN127, finalmente chegamos à Parana, nos dirigimos ao Túnel Subfluvial Raúl Uranga – Carlos Sylvestre Begnis e o atravessamos (não sem antes mexer no bolso: nas rutas argentinas, motos pagam em algumas praças de pedágio) abestalhados durante mais de 2 minutos, pois o túnel possui exatos 2937 metros de extensão. Já do lado de Santa Fe, rodamos mais alguns quilômetros acompanhados pelo imenso Rio Parana (“parecido com o mar”, do tupi para [mar] e na [se parece com]) e ficamos imaginando o trabalho de construção do túnel, que durou quase 15 anos, e a vida antes dele.

Cumprido o itinerário do dia e livres da poeira da estrada, caminhamos pelo centro de Santa Fe e encerramos mais uma etapa tomando uma Quilmes bem gelada no calçadão da cidade. Com a garganta limpa, voltamos ao hotel para o descanso necessário, pois o dia seguinte seria de Rosario, Buenos Aires, Buquebus e muito mais.

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