Choveu na minha horta.
Por mais estranha que a frase possa parecer – ainda mais com a seca persistente que se abateu sobre a Província de São Pedro do Rio Grande do Sul -, ela me ocorreu enquanto pilotava uma Yamaha XT1200Z Super Ténéré por estradas vicinais do interior do RS. Não é justificável a minha alegria?
Empurrada por um propulsor bicilíndrico de exatas 1.199 cc que gera 110 cv a 7.250 rpm e 11,6 kgf/m a 6.000 rpm, essa Super possui câmbio de 6 velocidades, suspensão dianteira upside-down, tanque de combustível de 23 litros, assento posicionado a 845 mm do solo (ajustável até 870 mm), altura mínima do solo de 205 mm, pneus 110/80-19 e 150/70-17, 261 kg em ordem de marcha e uma útil tomada 12 volts no painel.
Além das informações técnicas, vale dizer o seguinte:
1. Seguindo o padrão das demais motocicletas da marca dos diapasões, a ST tem um acabamento impecável em todos os itens: pintura, encaixes, metais, tudo; some-se a isso um visual agressivo e o que temos é uma moto que atrai olhares por onde quer que passe.
2. Apesar de inicialmente parecer grande e potencialmente desajeitada, em movimento ela é leve e não parece uma 1200 cc que pesa mais de 260 kg; as mudanças de direção não exigem esforço e mesmo em baixa velocidade o equilíbrio das massas é notável.
3. Vários fatores contribuem para o conforto do piloto – posição de pilotagem relaxada, densidade da espuma e altura do banco adequadas, boa proteção aerodinâmica -, mas são as pedaleiras, tanto pela posição quanto pela construção, que merecem destaque em função da segurança que transmitem.
4. O formato do tanque e a distância entre as pedaleiras e o guidão tornam a pilotagem de pé muito confortável, dispensando a utilização de risers para aumentar a altura do ponto de fixação do guidão (em outras motos, como a Honda CB 1300 SF, minhas mãos mal alcançavam as manoplas; na ST, o encaixe é perfeito: mãos firmes nos comandos e pernas apoiadas no tanque).
5. Diferentemente de outras bicilíndricas que experimentei, ela não exige rotações altas em todas as marchas (é possível rodar em sexta com o ponteiro em 2.000 rpm), mas para o motor responder com disposição aos comandos do acelerador é preciso manter o giro acima das 4.000 rpm.
6. Os freios dianteiro e traseiro são muito eficientes e é fácil perceber o ABS em ação quando o piso é instável; infelizmente para que gosta de abusar da roda travada na pilotagem off-road, não há um comando para desligar o ABS, mas isso pode ser feito enganando os sensores com a moto no cavalete (o que eu obviamente não recomendo).
7. No completo painel (que após um trecho de 150 km apontava incríveis 23,4 km/l) falta apenas um indicador de marcha, equipamento que inexplicavelmente não está presente na ST mas pode ser encontrado como acessório after-market.
8. Com as estradas que temos no Brasil, é um prazer notar como as imperfeições do asfalto são suavemente copiadas pela suspensão – que possui ajustes de fácil utilização -, deixando o piloto completamente isolado da buraqueira.
9. Para mim, que nunca tive uma moto com esse tipo de transmissão final, o eixo-cardã é uma grata surpresa: além de não exigir tanta manutenção quanto a corrente, ele não muda a pilotagem em nenhum aspecto e é muito silencioso.
10. O controle de tração atende aos mais variados tipos de pilotagem e não deixa ninguém na mão: além de ter 2 modos – e ser combinável com os modos de pilotagem sport (mais agressivo) e touring (mais comportado) -, ele pode ser desligado para a diversão de quem gosta de enrolar o cabo no chão batido.
Ninguém esperava menos: a XT1200Z cumpre o que promete e honra o nome que carrega. Os emplacamentos ainda estão aquém do esperado (o preço praticado aqui no Rio Grande do Sul bate nos R$ 66 mil), cenário que deve mudar se a Yamaha continuar apostando no sucesso da matriarca da família que veio do deserto no Brasil.




































